Problematizando

Problematizando o machismo e sexualização em Dragon Ball

Em ocasiões anteriores eu cheguei a discutir sobre a objetificação feminina em Nanatsu no Taizai (relembre aqui), a transfobia em One Piece  (está aqui) e a sexualização da Sarada em Boruto (o link aqui), e sempre que eu fazia qualquer um desses posts surgia o mesmo tipo de argumento “você está falando isso mas Dragon Ball fazia muito pior com o Kame apalpando a Bulma“. Ou seja, por mais que eu tenha escolhido uma série em especial para apontar um detalhe, todo o meu argumento ia por água abaixo porque eu não falava de TODAS as série e nem da que as pessoas acham que eu idolatro porque né… esse blog se chama Mais de Oito Mil e tem um Vegeta em todo canto. Pois é, chegou a hora mais esperada pelos otakus da internet, é a hora que eu venho fazer um post para falar o quão errado e absurdo é Dragon Ball, como essa série devia ser proibida mundialmente e como Akira Toriyama deveria ser crucificado em praça pública, certo? Bem… não é bem assim. Na verdade, eu particularmente acho bem errado problematizar Dragon Ball ou qualquer série antiga, e já vou explicar o motivo.

(Sim, o título dessa matéria foi apenas para chamar a atenção e irritar o pessoalzinho que ama xingar matéria só de ver o título, me desculpem ter incorporado o clickbaitismo do IGN Brasil)

Vocês conhecem o significado de “anacronismo“? Esse termo significa atribuir a uma época ou personagens ideias e sentimentos que são de outra época, ou representar costumes e objetos de uma época a que não pertencem. Copiei descaradamente essa explicação na internet, mas tenho um exemplo: no anime Samurai Champloo, o samurai Jin usava um par de óculos super moderno, mas o anime se passava no final dos anos 1880. Isso é um anacronismo, pois ele estava com algo moderno numa época que aquilo não existia.

Miopia com estilo

Nanatsu no Taizai, One Piece e Boruto (que são mangás que problematizei alguns pontos) são séries contemporâneas que já estão inseridas num contexto de globalização e de exportação, ou seja, por mais que algum leitor venha falar “aaaa mas desenhar a coxa das novinhas de um jeito sensual é coisa da cultura japonesa“, a partir do momento que a editora japonesa quer exportar isso para o mundo inteiro ela tem de estar ciente que isso vai contra o aceitável em muitas culturas. Mas se os autores desses mangás e suas editoras precisam ter o contexto mundial atualmente, o mesmo não se aplica a mangás mais antigos que foram feitos para ser vendidos no Japão e pronto, como Dragon Ball ou Hokuto no Ken.

Se fosse escrito hoje, o mangá de Dragon Ball teria alguns pontos que chamariam a atenção, em especial a forma como a Bulma (menor de idade) era inserida em diversas situações impróprias. A pobre adolescente era constantemente assediada por um idoso e seus atributos físicos eram usados como deleite para os leitores (como na famosa cena em que Kuririn abaixa o top de Bulma para que o sangue do nariz do Mestre Kame revelasse o Homem Invisível). Curiosamente, ao contrário de Nanatsu no Taizai ou de outras obras recentes e apelativas, Bulma ao menos ficava puta com a situação e batia nos responsáveis.

Mesmo sendo um tipo de humor bem questionável numa época em que a sociedade começou a repensar muitos tópicos, considero ser extremamente equivocado e anacrônico julgarmos com os olhos de hoje em dia a forma como Dragon Ball objetificava as mulheres ou como Hokuto no Ken é extremamente machista. Um exemplo bem próximo é a respeito das críticas feitas ao lado racista do “Sítio do Picapau Amarelo”. Veja bem, estamos analisando um conteúdo escrito há mais de cem ano próximo à data da libertação dos escravos pela princesa Isabel, é meio óbvio que alguns traços racistas estariam presentes na obra. O que acontece é que HOJE consideramos esse tipo de história absurdo, mas em algum tempo do passado isso era um pensamento considerado normal. O problema é usar aquele conteúdo escrito naquela época hoje em dia sem qualquer contexto.

Isso quer dizer que eu espero que Dragon Ball ou a futura publicação de Hokuto no Ken sejam proibidos e cancelados no país? Claro que não, né. Como obras antigas elas são fruto de sua própria época, então o ideal é que elas fossem publicadas da mesma forma que os mangás do Tezuka por aquiTalvez você não saiba, mas todo mangá do Osamu Tezuka publicado pela NewPOP vem com um disclaimer escrito pela própria Tezuka Productions dizendo que aquele mangá foi produzido décadas atrás e reflete pensamentos que hoje podem ser ofensivos. Em vez de simplesmente censurar o mangá com os olhos de hoje, é muito mais válido ele ser publicado na íntegra e ter uma explicação de que ele é um reflexo de como era a sociedade japonesa no passado. Não que isso vá consertar qualquer situação ofensiva no quadrinho, como a representação ofensiva de negros no mangá do Kimba, mas acaba tendo até uma função cultural como análise de uma época.

Tudo bem você encontrar coisas nos quadrinhos antigos que te incomodem o seu eu atual, esses exemplos que dei de Dragon Ball ou mesmo de outros mangás antigos me irritam, mas começar a julgar a obra antiga com o discernimento de hoje parece fazer tanto sentido quanto esculhambar alguém por um tweet de 5 anos atrás. A sociedade muda com o passar dos anos, tanto que as próprias cenas da Bulma ficaram apenas no começo da série, lá pelos anos 80. Atualmente em Dragon Ball Super esse tipo de piada não se repete e até a taradice do Mestre Kame foi melhor trabalhada porque mesmo o público japonês não pensa da mesma forma que décadas atrásOu seja, o pensamento individual e coletivo muda com o tempo e ninguém tem o direito de pesar ninguém do passado com uma balança digital de 2018.

Fica a dica então pra todas as editoras que forem se arriscar em trazer mangás mais antigos como Jojo, Hokuto no Ken e quem sabe Devilman: por que não colocar um pequeno editorial explicando o contexto daquelas situações?

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42 comentários em “Problematizando o machismo e sexualização em Dragon Ball

  1. Concordo com o texto. Já refleti tb sobre a questão do Sítio do Pica Pau Amarelo: naquela época a descrição da Tia Anastácia era válida. Mas se a obra fosse CRIADA hj, certamente não usaria os mesmos termos que foram usados há cem anos. Então vamos censurar as novas reproduções / edições do livro? Não. Nem que seja pra mostrar: “Caralho, olha como o povo pensava naquela época!”.

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  2. Parabéns pelo texto! Acho importante ter esse tipo de discussão aqui no site, visto que ele é produzido por uma mulher, ou seja, sua visão sobre obras que, geralmente, são feitas por homens.

    Parabéns pelo site, e espero que continue. Sempre que tenho tempo dou uma passada por aqui.

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  3. Tirando a parte da objetificação das mulheres, estou muito mais preocupado com os absurdos que vejo hoje do que com os absurdos de 15-25 anos atrás…

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  4. Parabéns pelo texto! Acho importante ter esse tipo de discussão aqui no site, visto que ele é produzido por uma mulher, ou seja, sua visão sobre obras que, geralmente, são feitas por homens.

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  5. ano passado eu fui reassistir back to the future pela primeira vez desde que eu era bem pequena. eu não lembrava de quase nada do filme, então pra mim foi quase como se fosse a primeira vez.

    Eu gostei do filme, mas tiveram umas coisas específicas que me incomodaram bastante (o machismo e a cultura do estupro, especificamente). Claro, o filme é dos anos 80, então eu deixei isso em mente quando eu assisti aquelas cenas… mas ainda assim me incomodei kkkkkkkkkkkkkk

    Concordo que devemos analisar certas obras anacronicamente, mas ainda assim tem algumas partes que vão ser consideradas “erradas” nos dias de hoje. O que eu faço é comentar que eu não gostei DESSAS PARTES especificamente (e o pq de eu não gostar), mas falar que o resto da obra é ok.

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  6. o público japonês não pensa da mesma forma que décadas atrás.
    Explique então por que fazer piadas de contexto sexual à exaustão ainda existe em quase todos os animes? o que exatamente se passa na cabeça de um autor e leitor japonês que está diariamente consumindo esse tipo de material que é bastante comum, até!

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  7. A sua linha de raciocínio é bem convincente. Eu penso o mesmo. E para deixar bem claro que este papo de contextualização não é uma prerrogativa exclusiva dos mangás, não posso deixar de citar aqui a clássica controvérsia envolvendo o álbum TINTIM NO CONGO, de autoria de Herge. Em 2001,um jovem universitário da Costa do Marfim, aluno de uma faculdade em Paris, França, passou em uma livraria e ficou indignado ao ver o supracitado album. Ele entrou com uma ação na justiça européia contra a fundação Moulansart (que administra a obra de Herge) e a editora franco-belga Casterman (que publica os álbuns do Tintim), sob a acusação de racismo, visto que os personagens negros eram desenhados com aspecto simiesco e se comportavam como ingênuos e preguiçosos. Após uma longa disputa judicial, a Justiça deu ganho de causa à fundação e à editora, alegando que a acusação de racismo não procedia, uma vez que o álbum foi produzido nos anos 1930 do século passado, quando a visão de mundo daqueles tempos era diferente da visão de agora.

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  8. Nanatsu no Taizai, One Piece e Boruto (que são mangás que problematizei alguns pontos) são séries contemporâneas que já estão inseridas num contexto de globalização e de exportação, ou seja, por mais que algum leitor venha falar “aaaa mas desenhar a coxa das novinhas de um jeito sensual é coisa da cultura japonesa“, a partir do momento que a editora japonesa quer exportar isso para o mundo inteiro ela tem de estar ciente que isso vai contra o aceitável em muitas culturas.

    Aí que está: eles tão cagando pra que alguns ocidentais cri cris acham, se estiverem vendendo e houver interesse das editoras em trazer o material, vai continuar assim. Eles tão pouco se lixando pra problematização. Cadê a responsabilidade social das editoras em trazer esse material hurr durr machista e opressor? Não tem a classificação indicativa que já orienta pra qual idade aquele material deve ser consumido?

    Quadrinhos no geral são pra entreter, escapismo, o momento em que você vai fugir da realidade de bosta que o cerca e vai para um mundo fantástico. Quando esse mundo fantástico se parece tanto com o nosso e fica dando lições de moral com ideologia politica que a maioria das pessoas discorda é lógico que vai dar ruim. O pessoal se comporta como os censores do passado que reclamavam de que a Betty Boop usava trajes curtos demais.

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  9. Cara, preciso dar os parabéns pra Mara por mais um texto bacana. Fez uma boa análise de contexto histórico, não esperava ler um texto desses na blogosfera tupiniquim.

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  10. Ótimo texto, é uma visão que não tinha mas achei uma solução bem sensata, não censurar mas adivertir sobre os termos em que a obra foi criada, novamente parabéns pelo texto.
    PS: curiosamente já havia lido os outros textos sobre o assunto escritos pela Mara, e não concordava, mas esse me convenceu.

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  11. Apo
    A unica coisa que não acho que seja “coisa de ocidental cricri” é aversão à pedofilia. Ja pegam no pé dos japas faz trilenios por conta disso e eles continuam desenhando as mina de 10 anos parecendo stripper
    Inclusive é a unica coisa que me incomoda em mangás atuais

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  12. Morro qaue tem gente que não sabe quem é a Mara ainda. As vezes no facebook me vem links de um site de novelas e clico para ler. Aí começo a ver o modo da escrita e na hora percebo quem tá escrevendo…

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  13. É simples, foi feito por um homem, Akira, logo ele gosta de mulher, ai ele fez essas putarias porque era algo que o agradava. Ele não pensou muito no que as mulheres achariam.

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  14. A unica coisa que não acho que seja “coisa de ocidental cricri” é aversão à pedofilia. Ja pegam no pé dos japas faz trilenios por conta disso e eles continuam desenhando as mina de 10 anos parecendo stripper
    Inclusive é a unica coisa que me incomoda em mangás atuais

    A Betty Boop é de menor e é uma Stripper que tem entre 16 e 14 anos:

    Her age is not officially fixed, but subtextual, she has described herself as 16 years old in one cartoon, while blowing out exactly 14 birthday candles on another occasion.

    https://www.crowdh.com/sexist-cartoons-princesses-patriarchy-pedophilia/

    O mais irônico é que foi perseguida na época não pela sua idade, mas sim pelos trajes que usava. E foi vista como um símbolo feminista da época. E hoje é um símbolo cult, até teve uma febre momentânea de sua imagem em produtos. Já fui numa festa infantil de uma sobrinha de um amigo meu que o tema era Betty Boop. A Sarada é praticamente um nada comparado a Betty. Tudo que a militância fez foi pegar as capas e reclamar da roupa dela, alguém leu realmente pra saber se rola sexo ou uma cena que possa se considerada “imprópria” como o episódio da Betty – que por acaso não vi nada demais?

    Anacronismo é bem falacioso, bem relativista pra ser sincero. Então eu posso aceitar algo que patrulha ache politicamente incorreto de um trabalho antigo, mas se eu quiser fazer um trabalho recente querendo retratar uma época serei condenado? Mesmo assim, isso não altera a realidade – porque esta é uma só. Porém a visão de mundo de uma época pode ser outra, e visão de mundo não é a realidade.

    Agora se o problema é isso que vocês apliquem um comic code (https://pt.wikipedia.org/wiki/Comics_Code_Authority) nos mangás, que autor(a) use sua influência adquirida no meio com este blog e convença os outros a censurar e até retirar de circulação essas publicações terríveis. Sabe, as pessoas gostam quando alguém regula o que eles devem consumir, vai por mim.

    É simples, foi feito por um homem, Akira, logo ele gosta de mulher, ai ele fez essas putarias porque era algo que o agradava. Ele não pensou muito no que as mulheres achariam.

    Porque era uma publicação voltada para meninos, por isso seus trabalhos saíam na Shounem Jump. Então ele pode usar esse tipo de humor, porque tinha um público pra ele.

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  15. Militante “antimilitância” apo. Falo isso pq todo texto tu vem chorar a mesma coisa aqui.

    Você tem um argumento melhor que o meu. Vamos discutir, trocar idéias. Mais amor, menos ódio, muito menos ódio do bem.

    Blog é coisa pessoal, opiniativa. Você tivesse dialogando com o texto, mas não é só pra marca território. È bem pobre esse tipo de atitude.

    Primeiro se não gosta de opiniões contrárias, por que aqui espaço para comentários? Ou só pode comentar rasgação de seda

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  16. Meo deus… Rose, estou chocada! Sou novo aqui, e venho acompanho o blog a mais ou menos dois meses, e pelo texto que estava lendo, pensei: acho que deve ser uma mulher. Então estava enganada. Mas minha opinião continua a mesma sobre a importância do tema aqui no blog.

    #Paz

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  17. Apo
    Primeiro que eu já nunca gostei da betty boop também
    Segundo que eu não to falando da sarada.
    É muito comum em anime ATUAL ver os caras desenhando menininhas de 10 anos HIPER sexualizadas
    E menininhos tb, vide nanatsu no tanzai
    Dps pra desviar de qualquer problema com policia ou seilaoque é dito que elas na vdd sao sla dragões magicos de 1000 anos de idade
    Isso até lá no Japão dá problema hoje em dia e ainda assim continuam essa merda
    Não é frescura é questão de bom senso

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  18. Primeiro que eu já nunca gostei da betty boop também
    Segundo que eu não to falando da sarada.
    É muito comum em anime ATUAL ver os caras desenhando menininhas de 10 anos HIPER sexualizadas
    E menininhos tb, vide nanatsu no tanzai
    Dps pra desviar de qualquer problema com policia ou seilaoque é dito que elas na vdd sao sla dragões magicos de 1000 anos de idade
    Isso até lá no Japão dá problema hoje em dia e ainda assim continuam essa merda
    Não é frescura é questão de bom senso

    Não é mais fácil você não consumir e ignorar esse material, em todo caso se é tão alarmante boicote as editoras, exija o fim dessas publicações terríveis que estão acabando com a mente dos jovens. Use até isso como base:

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Seduction_of_the_Innocent

    Vamos lá: menos textão de Facebook e mais ação. O que você disser aqui não muda em nada. E só um chilique de floquinho millenial.

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  19. Que belo texto, eu como um cara totalmente contra a censura em obras acho a ideia do texto editorial perfeita, censurar obras antigas é como negar o nosso passado.

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  20. Eu acho que o autor deve ter em mente que sua obra é atemporal. Ela será lembrada em sua época e até 100 anos depois. Nunca foi ok e nunca será uma adolescente ser despida ou tocada por quem ela não queira. O anacronismo não se aplica aqui. O ecchi (com essa mistura de alívio cômico) sempre deu dinheiro, sempre interessou o público shounen e foi isso que Akira deu a eles. Ele não estava ‘encaixando padrões de seu tempo’ em DB, porque, repito, isso nunca foi normal.

    Akira pode ter sido um grande influenciador para o gênero e esse mérito jamais podemos tirar dele. O homem foi/é um gênio. Mas isso não torna DB menos propenso a ser taxado de obra sexualizada, exatamente como os exemplos atuais citados no texto.

    E não, não acho justo que seja censurado. A merda já está feita.

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  21. Apo, o contexto no Japão vem mudando a alguns anos graças a algumas leis de regulamentação.
    O que aqui no Brasil ficou conhecido como leis anti-otaku, nada mais eram do que regulações de classificação indicativa. Anime nos anos 80 passava pela manhã com direito a nudez e decapitação. Hoje se um anime tem conteúdo sensível ele ou é censurado, ou é transmitido depois das 10 da noite.
    Hoje se um autor de mangá, quer atingir público infanto-juvenil precisa ser mais consciente. Nanatsu consegue se safar mesmo sendo apelativo, por não ser explícito. Mesmo polêmico Nanatsu nunca mostrará mamilos femininos como Dragon ball mostrava com a maior naturalidade.

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  22. Apo, o contexto no Japão vem mudando a alguns anos graças a algumas leis de regulamentação.

    Quais? Sempre foi a mesma coisa. O mimimi vem do ocidente no caso.

    O que aqui no Brasil ficou conhecido como leis anti-otaku, nada mais eram do que regulações de classificação indicativa. Anime nos anos 80 passava pela manhã com direito a nudez e decapitação. Hoje se um anime tem conteúdo sensível ele ou é censurado, ou é transmitido depois das 10 da noite.

    Isso não explica os animes que eram passados de madrugada com censura no Toonami por exemplo. Entre outros casos de séries censuradas

    Hoje se um autor de mangá, quer atingir público infanto-juvenil precisa ser mais consciente. Nanatsu consegue se safar mesmo sendo apelativo, por não ser explícito. Mesmo polêmico Nanatsu nunca mostrará mamilos femininos como Dragon ball mostrava com a maior naturalidade.

    Existem publicações para o público infanto juvenil e elas se chama Kodomo:

    Shonen é adolescente , segundo pesquisa 12 a 18 anos.

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Sh%C5%8Dnen

    No Brasil adolescência é considerada de 10 a 20 anos:
    https://mundoestranho.abril.com.br/cotidiano/por-que-a-adolescencia-e-uma-fase-tao-dificil/

    Mas em todo caso o que tenho discutido aqui é que sé é pelo bem dos pobres jovens que não sabem de nada a gente aplica uma regulamentação dessas publicações, afinal por que devemos deixar os pobrezinhos que são produtos dessa cruel sociedade maniqueísta e manipuladora

    Aliás, deixei a wiki de Fredric Wertham que até corrobora com o pensamento de vocês.

    Então o que estão esperando? As coisas não caem do céu. Vamos lá vamo que vamo pessoal.

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  23. Bom texto.

    Os “direitistas” de apartamento estão putos como já vimos no primeiro comentário.

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  24. Olha só, não vejo nada concreto e verdadeiramente eficaz acontecendo e funcionando por aqui acerca desse tipo de “evolucao editorial”/censura/regulaçao ou seja lá o nome que queiram dar.
    Seja ato jurídico ou Lei, força manifestada ou quebradeira caótica sem sentido.
    O texto é sim um bom texto, mas concordo com o Apo: cadê ação? Cadê Lei? Cade vontade Social? Cade responsabilidade editorial?

    Nao há. Infelizmente.
    Fui criança nos 80’s. Passei por xuxa mostrando os peitos na tv, banheira do gugu, é o tcham, bailes de carnaval na band as 8 da noite, feiticeira, tiazinha e hoje, temos muita bunda, peitinhos e cenas de amor caliente explicito na novela das 9.

    Então, o pragmatismo do politicamente correto cai por terra. Enfim.
    Ótimos argumentos, boas idéias prováveis, mas é só.

    Curtido por 2 pessoas

  25. Fui criança nos 80’s. Passei por xuxa mostrando os peitos na tv, banheira do gugu, é o tcham, bailes de carnaval na band as 8 da noite, feiticeira, tiazinha e hoje, temos muita bunda, peitinhos e cenas de amor caliente explicito na novela das 9.

    Eu também sou da mesma geração. Praticamente o argumento que apresentam hoje para as mídias e afins, já foi apresentado antes com a mesma formatação.

    Curtido por 1 pessoa

  26. Dica para o pessoal que ainda não entendeu como o mundo funciona: para verificar se é mimimi ou somente alguém denunciando o papel da mulher numa sociedade predominantemente machista basta inverter os papeis: se ao invés da Bulma o Goku fosse tocado, assediado e usado como “alivio cômico” para as taradices do Mestre Kame a obra teria a mesma conotação? Teria alguém rindo caso alguém baixasse as calças do Goku pra fazer o nariz do Mestre Kame sangrar? Só pensar galera! E não vem com essa de público alvo, ninguém ficaria confortável com isso, mas como é uma mulher “Ah, tudo bem! Afinal não é para isso que elas servem?” :@

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  27. Dica para o pessoal que ainda não entendeu como o mundo funciona: para verificar se é mimimi ou somente alguém denunciando o papel da mulher numa sociedade predominantemente machista basta inverter os papeis: se ao invés da Bulma o Goku fosse tocado, assediado e usado como “alivio cômico” para as taradices do Mestre Kame a obra teria a mesma conotação? Teria alguém rindo caso alguém baixasse as calças do Goku pra fazer o nariz do Mestre Kame sangrar? Só pensar galera! E não vem com essa de público alvo, ninguém ficaria confortável com isso, mas como é uma mulher “Ah, tudo bem! Afinal não é para isso que elas servem?

    Parece que você nunca assistiu Tenchi Muyo.

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  28. Eu vou ter que concordar com o Apo nessa questão, hoje em dia as pessoas querem só censurar, mas olha só como a narrativa seria diferente se por exemplo, a Sarada fosse um transexual que um dia resolveu usar roupa feminina e usasse esse traje da capa polêmica, seria um protesto contra uma sociedade opressora, a mesma coisa com Bulma, se a cena dela na praia abrindo a roupa para o Mestre Kame fosse um protesto onde ela gritasse “meu corpo, minhas regras” seria mais um lacre contra o machismo opressor, e olha que não precisa editar e mudar nada na cena, só mude o discurso que essas cenas viram, da água para o vinho, em algo clássico e bonito.
    Quanto as cenas censuradas, se houvesse uma regulação no Japão para animes, acho que nem porradaria teria em Dragon Ball super, já que violência para crianças é errado então o governo não vai deixar cenas de violência serem exibidas no desenho pra criança.
    Agora porque a pessoa desse site não problematiza Boku no Pico? Que tem cenas de sexo entre um garoto e um cara mais velho. Ora é bem simples, porque era um menino que estava na história, agora se o garoto delicia fosse uma menina…

    Curtido por 1 pessoa

  29. Apo, não é por nada não mas você está errado.

    “Quem fala o que quer, ouve o que não quer”.

    Se você ofende de forma gratuita religião, raças, gênero, ideologias e outros você vai ouvir críticas.

    Se você cria uma personagem que usa de sua sexualidade com propósito ou que foi devidamente justificada quanto a sua personalidade, ok, mais justo.

    Agora se a sexualização das personagens que tem na história aparece gratuitamente e não passam de um fanservice barato e se as personagens nem são lá muito bem desenvolvidas ou exploradas, é completamente vergonhoso até mesmo do ponto de vista de storytelling e roteiro. Até porque tem todo um mundo de hentai por aí que pode servir pra esse propósito de alívio sexual.

    Um exercício pra diferenciar mimimi de críticas fundadas: tente imaginar se representassem o pessoal de sua cidade de forma completamente esteriótipada e preconceituosa e diferente de todo resto das coisas representadas no mangá. É humanamente plausível e lógico se ofender com isso.

    Tu tem o direito de não se ofender, é difícil racionalizar o que outro poderia sentir, mas não tire o direito dos outros de se ofenderem sem nem pensar em como você se sentiria em um contexto similar.

    Você jogou assassin’s creed 3 e se envergonhou pela forma que retrataram o Brasil nele? Se não tiver jogado basta olhar um vídeo no youtube. É EXATAMENTE o mesmo sentimento.

    Chega de simplificar essas discussões a direita vs esquerda, bora conversar sobre o que faz sentido ou não.

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  30. Agora se a sexualização das personagens que tem na história aparece gratuitamente e não passam de um fanservice barato e se as personagens nem são lá muito bem desenvolvidas ou exploradas, é completamente vergonhoso até mesmo do ponto de vista de storytelling e roteiro. Até porque tem todo um mundo de hentai por aí que pode servir pra esse propósito de alívio sexual.

    Simples, se você consome um material e acha ruim tem todo o direito de não comprar. Pegar o dito mangá queimar, vender, ofereçer os Deuses da moral e dos bons costumes. Deixar de colecionar, seguir sua vida.

    Se se faz um estilo é porque vende, agora se é ofensivo e pode ser influenciável e tudo que se façam campanhas sociais que se cobre das produtoras, editoras seja lá quem for o responsável por esse atentando a humanidade retirar de circulação. Faça algo por um mundo melhor, simples. Minha opinião não vai mudar por sua causa.

    Tu tem o direito de não se ofender, é difícil racionalizar o que outro poderia sentir, mas não tire o direito dos outros de se ofenderem sem nem pensar em como você se sentiria em um contexto similar.

    Você jogou assassin’s creed 3 e se envergonhou pela forma que retrataram o Brasil nele? Se não tiver jogado basta olhar um vídeo no youtube. É EXATAMENTE o mesmo sentimento.

    Chega de simplificar essas discussões a direita vs esquerda, bora conversar sobre o que faz sentido ou não.

    Não faz sentido se ofender com um personagem, a questão é essa. Nem como uma caracterização de um país ou qualquer outra coisa. Existem diversas mídias escrachando o comportamento Americano, vê se fazem o mimimi que você está fazendo?

    Você tem o direito de se sentir ofendido, mas não de censurar. Mais simples que isso, impossível.

    Mas se você quer cobrar devidas providência faça seu comportamento padrão pós moderno.

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