Meu Passado Otaku

8 decisões da Conrad que fariam qualquer otaku de 2017 surtar

Acompanho grupos de animes e mangás no Facebook apenas por necessidade de se atualizar e masoquismo puro, e às vezes me sinto uma pequena anciã quando otakus fazem posts sobre suas coleções (todas devidamente plastificadas) e mostrando que começaram a ler mangá há um ano ou dois. Isso é muito positivo, afinal é prova que está rolando pelo menos uma pequena renovação do público pra manter as editoras lançando títulos novos. Por outro lado, algumas discussões sobre qualidade de papel, tradução e afins da atualidade me fazem lembrar da finada editora Conrad.

A primeira editora a lançar mangás no sentido oriental é lembrada com muita nostalgia por todos os otacos, mas muitos na verdade estão tão imersos nas boas lembranças que esqueceram como a Conrad fazia umas coisas de cair o cu da bunda. Por isso, nessa mais nova postagem da seção Meu Passado Otaku aqui no Mais de Oito Mil eu vou lembrar OITO coisas que a Conrad fazia e que, se alguma editora fizesse hoje, seria apedrejada em praça pública. IKIMASU pra lista!

#01. Papel Transparente

Um dos assuntos mais comentados dos otakus do ano passado, além de como Hunter x Hunter é uma desconstrução do shonen mangá, foi a transparência nos mangás. Não, não digo transparência no sentido figurado, e sim naquele bem literal, com papéis ruins que mostram o que acontece na página anterior. Diante de uma crise de papel, JBC e Panini apostaram em mangás com baixa gramatura que era possível ver spoilers das páginas seguintes. Sorte que no passado isso não acontecia, certo?

ERRADO! A Conrad lançou alguns mangás com uns papéis vagabundíssimos provavelmente por economia. A foto abaixo é da minha edição 14 de Dr Slump, e dava pra perceber o papel ficando transparente a cada edição desse mangá cancelado por vender pouco.

#02. Capas Bagunçadas

Se hoje o pessoal praticamente ameaça os editores de mangás com kunais implorando para que as capas brasileiras sejam o mais fiéis possíveis às originais, no começo dos mangás no Brasil a ordem era a da zona absoluta. A Conrad simplesmente recortava qualquer imagem que lhe dava na telha para a capa do mangá, enfiava um fundo psicodélico, uns efeitos de Photoshop e pronto, nascia uma capa de Dragon Ball.

Com Cavaleiros chegou num ponto que eles não tinham mais imagens coloridas, aí começaram a pegar ilustrações internas do Kurumada e colorir por computador. Falando em zona, não podemos esquecer que Fushigi Yuugi teve duas capas com a mesma ilustração porque a Conrad esqueceu que já tinha usado aquela imagem!

#03. Tradução de Tradução

Tradução é um assunto bem polêmico atualmente. Editoras como a JBC fazem todo um trabalho de adaptar para o português para que seja possível entender sem recorrer a notinhas de rodapé, já a Panini usa uma tradução mais purista explicando no glossário. Mesmo assim, as duas partem da tradução vinda diretamente do japonês.

O que a Conrad fazia em seus primórdios? Sim, como não era tão fácil arranjar tradutores, ela pegava uma galera pra traduzir do francês ou do espanhol mesmo! O Torneio Galáctico, por exemplo, virou Torneio Intergaláctico na primeira versão da Conrad (talvez porque permitia a participação de marcianos e afins):

Isso quando não usava o anime como base: a primeira versão de Cavaleiros do Zodíaco trouxe o mesmo erro do primeiro anime: o personagem Jabu de Unicórnio foi chamado de Jabu de Capricórnio.

(Imagens tiradas de um post interessante comparando as traduções das versões dos Cavs)

#04. Cancelamentos

Cancelamentos de mangás é palavra proibida no meio de fãs de mangás, o pessoal já nem fala porque vai que atrai uma urucubaca. As editoras tratam o tema com muito cuidado: a NewPOP afirma que nunca cancelou um mangá, a JBC assume que o único título cancelado foi o Futari H e a Panini… bem… ela inventa que colocou os títulos numa geladeira e que eles podem voltar a qualquer momento (o equivalente editorial do “vamos marcar!” dos paulistas).

Amadoras, tsc tsc… porque a Conrad funcionava da seguinte forma: cancelamentos acontecem e pronto, a qualquer momento. A Conrad cancelou um número gigantesco de mangás em vários pontos, isso quando ela não inventava uma edição definitiva do título e cancelava a versão normal que estava sendo publicada há anos. Mas o exemplo que mais mostra o completo amadorismo da Conrad foi a edição definitiva de Evangelion que foi cancelada depois de… um volume.

#05. Promessas descumpridas

Há pouco mais de um ano a JBC prometeu o lançamento dos mangás de Sakura Wars, Inuyasha e seu serviço de leitura online chamado Henshin Drive. Até agora nenhum deles deu as caras, e desde então o editor chefe Cassius Medauar só sai da sede da editora na Vila Mariana devidamente escoltado por cavaleiros de aço. Isso porque é um grande pecado prometer e não cumprir aqui no mundinho otaku.

Claro que isso não acontecia na Conrad. A editora prometeu mais coisa que político, e chegou até a divulgar material promocional de mangás como Berserk, Pokémon Adventures e Kouldeka. Pelo menos os dois primeiros chegaram aqui pela Panini, já o terceiro ninguém sente muita falta.

#06. Troca de Papel no meio da coleção

Pra mim, uma das mais sensacionais histórias de caô do mercado brasileiro de mangás é a questão do papel da Conrad. Desde os primórdios, a editora lançava seus meio tankos usando um papel offset (tipo aquele sulfite que compramos nas papelarias). Em um determinado ponto, ela viu que precisava mudar a qualidade do papel de alguns mangás que vendiam menos (como One Piece e Fushigi Yuugi) pra sair no lucro, e o que ela fez? Sim, ela mudou para papel jornal no meio do caminho. Melhor ainda: na época ela alegou que era para ficar mais próximo do papel usado no Japão. Risos.

#07. Seção de Cartinhas

Não tínhamos qualquer modelo para publicação de mangás no Burajiru, então a Conrad precisou inventar os próprios padrões. Inspirados no modelo antigo de gibis de heróis, os editores da Conrad na época (Cassius Medauar e Sidney Gusman) inventaram de colocar seção de cartinhas para ter aquela interatividade com os leitores.

Algumas outras editoras também apostaram nesse recurso, até que as editoras japonesas mandaram parar com a palhaçada. Talvez isso tenha acontecido depois que a Panini publicou uma fanfic no final de um volume de Berserk

#08. Mangás invertidos

Muitas coisas que vemos nos mangás de hoje em dia foram invenções da Conrad por causa da economia. A leitura no sentido oriental era porque seria muito feio e caro rearranjar tudo no sentido ocidental, as onomatopeias ganharam legendas porque seria trabalhoso editar tudo etc. A questão da leitura tanto não era por fidelidade que, sempre que possível, a Conrad publicava mangás no sentido de leitura ocidental mesmo (como Gen – Pés Descalços). Hoje em dia publicar nesse sentido é tão criticado que a Abril até espelhou um mangá que já estava invertido só para não irritar os otakus.

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21 comentários em “8 decisões da Conrad que fariam qualquer otaku de 2017 surtar

  1. Sobre as capas psicodélicas, acho que vale a explicação de que isso era por eles dividirem cada volume japonês em dois brasileiros. Os volumes ímpares em geral vinham com a capa original, mas para os pares eles tinham que inventar alguma coisa e faziam essa mixórdia.

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  2. Ah, Conrad… ela deixou boas memórias, mas também deixou lembranças terríveis.

    Ainda não esqueço que eu acompanhava o mangá de Battle Royale e ela quase cancelou a publicação TRÊS EDIÇÕES ANTES DO FINAL… só retomando a série TRÊS. FUCKING. ANOS. depois…

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  3. morta com fushigi yuugi figurinha repetida kkkkkkkkkkkkkk dessa eu não sabia!

    gente, a conrad só usava comic sans pra diagramar os quadrinhos? kkkkkkkkkkkkkk não consigo levar a sério essa fonte

    pensando bem, acho que eu nunca cheguei a comprar algum mangá da conrad. que eu lembre, os que eu acompanhava na época tava ou na jbc ou na panini, então né :P

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  4. Pior que a Conrad ainda nos faz sofrer. Até hoje não há nenhum sinal de que Nausicaa será publicado aqui de novo pela merda que eles fizeram. ):

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  5. Pra Nausicaa, dou a dica de comprar a Edição Definitiva da Viz Media (é, eu sei que em inglês), mas é tão bonita que você esquece isso, que vende na Amazon, serão 120 reais mais bem investido por vocês

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  6. Só esse post pra lembrar que eu comprei aquela porcaria do Fushigi Yuugi todo. E o mangá é tão ruim, tão arrastado, que joguei toda a coleção fora quando notei que era burrice guardar um mangá que eu jamais leria novamente (e apesar da Valério do Shojo Café ficar hypando essa bosta).

    E a JBC traduz muita coisa do inglês, isso quando não inventam termos que descaracterizam uma obra (como alquimista ‘federal’ em uma nação que não é federação…).

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  7. Esqueceu só q a conrad relançava CDZ e Dragon Ball mais q tiragem da bíblia.
    O pior q dava pra notar q esses “relançamentos” eram encalhes feio q chegou ao ponto de terem mangas sortido num pacotão de 4 por 10 reais.

    Essa do papel era curioso, pq quanto meno vende-se o manga, pior era a qualidade .

    E Mara esqueceu o principal, as capas q se soltavam durante a leitura.

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  8. Lembro bem desta época, estava feliz com a publicação de manga no Brasil que a qualidade passava despercebido, a unica coisa que me irritava na época era as lombadas coloridas (horríveis) dos mangas da conrad.

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  9. Faltou falar que a Conrad esqueceu de publicar 2 paginas em um volume de Evangelion.
    kkk
    Estou me sentindo velho com esse post.

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  10. ASHASuAHSUhAUHs O Ken-Oh lembrou bem…

    em 2006 comprei umas 6 edições de CDZ a saga de Hades, pra ler de boa. Ai no meio da leitura o miolo descolava todo da capa!

    Certeza que era a Conrad tentando imitar as soft covers das edições japonesas. A gente que não entendia a sacada :(

    Fora os mangas meio Tanko, onde a edição de numero par era com a capa “original” e as de edição impar eram “caseiras”. As de One Piece eram as piores

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  11. O volume #2 de Gen veio em papel couchê, o resto da coleção é toda em offset. Até entenderia se o volume #1 viesse com um papel melhor, mas o volume 2? Será que não tinha papel offset suficiente e meteram um couchê?

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  12. Kouldelka, pensava tinha sido delírio meu, mas realmente alguém falou de lançar isto aqui.

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  13. Andre Felipe e Gêmeas Satânicas (Beijando Depois), leiam no site Cagadas da Panini esse incidente horrível provocado pela Bruxa Keiko!!!

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  14. Na minha opinião o mair dedo do medo dessa editora de #@$$ foi o cancelamento de Blade of Immortal! Mas o resgatei pelo scan! Não vou gastar um centavo nunca mais com essas editoras mequetrefes!

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  15. Qual é o problema com seções de cartas? São a melhor forma de sanar dúvidas de forma “oficial” sem ter que ir pra internete e vasculhar fóruns de leitores raivosos (otakus ou comickus).

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  16. Li o artigo e bateu uma saudade daqueles tempos. Os mangás eram cagados, mas era o que tinha na época. E em nome do precinho camarada a gente “relevava” muita coisa que hoje seria motivo twittaço, protesto e boicote.

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