Mercado Nacional

As bancas estão morrendo e não dá pra usar Esferas do Dragão

Desculpa você leitor que acordou animado nessa terça-feira, mas aqui no Mais de Oito Mil euzinha quero falar sobre morte. Calma, Rumiko Takahashi continua viva e o robô Akira Toriyama acabou de trocar o óleo, quem está morrendo na verdade são as bancas de jornal.

Com o passar do tempo acompanhamos mudanças na distribuição de mangás aqui no Burajiru. Antigamente as bancas se abarrotavam de meio-tankos com impressão ruim, e atualmente temos pessoas garimpando descontos de lojas online em grupos de otakus exaltadores de lombadas de mangás. As editoras também foram mudando a forma como oferecem seus títulos: a NewPOP largou as bancas de vez e partiu para lojas especializadas, a JBC tem apostado em livraria aliadas às assinaturas e a Panini… bem… ela claramente ainda não resolveu a treta com a distribuição.

Por mais que eu percebesse um certo declínio das bancas de jornal por observação, eu não tinha nenhum dado concreto sobre a tal queda. Por sorte eu estava acordadinha quando o Bom Dia SP do último dia 23 de outubro exibiu uma matéria sobre esses quiosques de vendas de revistas.

O jornalístico da Globo (aquela emissora que tem gente acreditando que possui um plano maligno de transformar os jovens em transexuais e homossexuais) fez um levantamento e apresentou números bem preocupantes:

Desculpa, coloquei esse print apenas para mostrar o repórter gatinho que madrugou para filmar uma banca abandonada que virou residência de sem-teto. Agora sim vamos para o dado preocupante que a Globo levantou sobre essa matéria:

É meio surreal pensarmos que de 10 anos pra cá o número de bancas que fecharam em São Paulo foi tão elevado. E essas 3500 sobreviventes não andam tão bem assim das pernas. Segundo um entrevistado da matéria, atualmente ele vende cerca de 30% das revistas que vendia anos atrás. E então, como é que as bancas sobrevivem? Será que cobrando pelas informações de rua? Ou então através das vendas gigantescas de mangás? CLARO QUE NÃO NÉ, as bancas estão se mantendo de pé virando verdadeiros magazines de serviços variados.

Nessa imagem em baixa definição porque o player da Globo é uma bosta, vemos o repórter gatinho na frente de uma banca que vende capinha de celular, fone de ouvido, doces, salgadinhos, brinquedos, pelúcias, bolsas (!) e até refrescos. Lá atrás, escondidas pela baixa procura, as tradicionais revistas.

Isso é um sinal de que o público brasileiro parou de ler e está emburrecendo? Não necessariamente. Na verdade toda a leitura acabou indo para a internet em vez das revistas. O importante é pensar como isso vai mudar o mercado de mangás, talvez ocasionando num aumento da venda online ou do quadrinho digital (como é o caso do prometido-há-séculos Henshin Drive).

Mas, por mais que compras online sejam uma realidade bem acessível para pessoas dos cantos mais longínquos do país, isso faz a venda do mangá se destinar cada vez mais a um nicho. Apenas quem conhece já o produto que vai atrás de uma livraria online para adquirir um volume. E vamos ser sinceros, alimentar apenas o próprio nicho não vai fazer mercado algum crescer.

O ponto principal é: o mercado de bancas está diferente de como era 10 anos atrás, no caso está pior e morrendo. Não é caso de fazer campanha “comprem nas bancas” porque seria algo irreal. Resta só esperar que as editoras se mexam pra mudar a própria forma de vender o peixe e acompanhar essa mudança. Porque do jeito que tá, apenas jogando mangá na banca sem um marketing feito para atrair pessoas novas, o negócio vai afundar igual as bancas.

20 comentários em “As bancas estão morrendo e não dá pra usar Esferas do Dragão

  1. eu tenho a sorte de morar numa cidade bem pequena, bem no interior do meu estado, porém tenho uma distribuidora (que nem se auto-intitula banca) do outro lado da minha rua. vende de tudo, mas acho que vive basicamente da venda dos resumos de enem, apostila de concurso local, e os produtos de tabacaria. e acerca da venda de mangás, la chega tudo, nem sei como, pq até os da newpop vejo pra vender. compro mangá em bancas a 11 anos, e enquanto puder, continuarei. <3
    amo o blog <3

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  2. Fodam-se as bancas! As editoras deviam focar sério nas livrarias e lojas especializadas! É revoltante ver que se você não for mensalmente nas bancas pra comprar os títulos da panini, sendo que compro os da JBC e NewPop pela internet. Pela internet (ou livrarias/lojas especializadas) o estoque é gigante, dificilmente você perde de comprar por causa disso. Já nas bancas, alguns títulos ainda você tem que antes voltar diversas vezes e as vezes acabam antes de você comprar, isso é quando eles tem, porque blood lad não vem pra minha cidade!

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  3. Otaco ainda reclama pra passar na TV aberta anime que ele nem vai ver pq viu na internet 5 minutos depois que passou no Japão, então esse choro das bancas vai longe ainda..

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  4. “[…] apenas jogando mangá na banca sem um marketing feito para atrair pessoas novas, o negócio vai afundar igual as bancas.” Falou e disse!

    Quantas vezes já não ouvi o Cassius falando “a contra-capa tem que ser assim e assado pra chamar a atenção… tem que ter o título e blá-blá-blá…”; isso funciona mesmo? Sinceramente, capa espelhada também não faz sentido. De que adianta um livro com uma bela ilustração na capa sem uma sinopse? Como fazer alguém se interessar em ler se nem sabe do que se trata a história?
    Fora que mangá é realmente uma coisa de nicho… quando você está do lado de fora, não tem nada dizendo do que se trata ou do quanto legal é XD

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  5. Graças a Deus! Já deveriam ter acabado todas a bancas!! Claro que já comprei muita coisa em banca… muita coisa amassada, muita coisa empoeirada, muita coisa amarelada de sol, molhada de chuva… Banca tem que acabar mesmo! Adeus geração antiga dos infernos! O papel não vai sumir, sempre vai existir o artigo de colecionador tal qual ainda existem vinis e CDs, mas o mangá e as HQs de colecionador será sim artigos de livrarias e lojas especializadas, não mais de bancas!

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  6. “aquela emissora que tem gente acreditando que possui um plano maligno de transformar os jovens em transexuais e homossexuais”

    Bom, isso é porque de uma hora para outra na grobo só falam de homossexuais, transexuais e dão um grande destaque também para ideologia de gênero.

    Claro que o pessoal notará essa atitude, assim como o pessoal de esquerda sempre que assistia algo sobre o Impeachment falava que a grobo tinha um plano para dar golpe (mesmo todos os outros canais dando o mesmo destaque).

    Engraçado que agora ela virou a queridinha do pessoal de esquerda que antes a chamava de lixo. Parece que o jogo virou, não é? kkk

    Curtido por 2 pessoas

  7. Isso é engraçado, aqui na minha cidade, no meio de GO, só tem uma banca e ela vive basicamente pelo mesmo modo que o amigo ali falou só muda o fato de tbm é uma representante bancário. Aconteceu algo no mínimo engraçado neste ultimo sábado: fui pagar uma conta do meu pai, e fui lá pq é sempre o lugar mais rápido e aproveitei e dei uma olhada nos títulos que tinham chegado, quando vou embora e to quase montando na moto(sim, aqui em Goiás usamos veículos normais e não animais como meio de transporte principais) a esposa do dono da banca vem me gritando perguntado se eu não tinha pegado um gibizinho no estilo político. Minha cara foi no chão, eu não sabia se eu ria, xingava, ignorava ou se fazia tudo isso. O detalhe é que SOU CLIENTE SEMANAL DELES A MAIS DE 4 ANOS, e não um cara aleatório que apareceu lá do nada. Moral da história: nem minhas contas eu pago mais lá, quanto mais comprar meus gibizinhos meia boca amassados pela distribuidora e por quem organiza nos expositores.

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  8. Olha
    Eu acho que o desinteresse do brasileiro médio em ler coisas maiores que lista de supermercado também tem sua influência. Custa tirar uns minutinhos pra ver o que está nas prateleiras? Eu conheci vários livros e mangás desse jeito.

    E concordo com alguém aí em cima que criticou capa espelhada: na capa de trás sempre devia ter uma sinopse da história, pelo menos.

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  9. Aqui com a desorganização da única distribuidora do Estado de RO + a falta dos produtos da Panini por essa mudança de distribuição, estão fazendo muitos buracos nas prateleiras das poucas sobreviventes bancas de revistas, são poucas atualmente abertas e se renovando para continuar ainda abertas, antigos donos falecendo e a família não continuar, isso tudo entristece os frequentadores de bancas, que compram comics, quadrinhos (banca sem turma da mônica é triste), mangás, revistas de noticiário….. jornais…. compro uma boa parte dos meus mangás e LN na Amazon, mas praticamente priorizo titulos que não vêm ou que estão muito caro em loja especializadas, não costumo comprar online as que já compro na Banca, gosto de ir lá, aproveitar e tomar um picolé junto com os meus filhos, vê se chegou novos mangás, alguma super interessante com algo que me atraia, alguma comics que chame atenção para ser comprada, a nova edição do MSP do Maurício de Souza, algum action figure bem feito de one piece ou de alguma coleção de Herois ou naves do Star Wars… conversar com o Dono da Banca, vê se algum titulo atrasado vêm… encomendar com ele, cresci indo em banca de revista e não quero perder um dos poucos prazeres que tenho de parar e olhar se veio algo novo na banca, quero repassar esse pequeno divertimento para os meus filhos, pois isso não se encontra em loja online.
    Também foi através das bancas que conheci muitos amigos que gostam de Comics e Mangás.
    Espero que mesmo sendo poucas atualmente, que consigam sobreviver as Bancas de Revistas.

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  10. Socorro, achei esse blog no google sem querer e acabei me apaixonando pelas matérias e o humor. Mara, cê tá de parabéns, viu?

    quanto ao post das bancas… ué, já não tinham morrido faz tempo?
    aqui onde eu moro nem tem mais, as poucas que existem viraram só “lanhouse” (que também estão prestes a ser extintas). O pessoal só compra agora ou online ou em loja mesmo kkkk.

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  11. Assim como sustentar argumentos de esquerda até quando o nicho vai sustentar o mercado de mangás?

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  12. Me perdoem se o comentário ficar muito grande, mas é que eu percebi que alguns leitores não conseguiram interpretar o texto muito bem e perderam completamente o ponto da discussão, então tentarei ajudar os coleguinhas.

    Esse ano eu comecei a comprar quadrinhos online e é realmente um ótimo negócio. Encontro descontos a toda hora e as revistas chegam em ótimo estado, quando não perfeito. Definitivamente mais vantajoso para mim do que as bancas. Mas a minha satisfação com compras online não é o que está sendo discutido aqui.

    Até eu que era um péssimo aluno de Administração de Empresas sei que não há indústria que se sustente sem renovar seu público. O post da Mara não é um “vamos salvar as bancas de jornal!” como muitos aqui parecem ter entendido, mas é um questionamento de como a indústria de mangás (e quadrinhos em geral) fará para atrair um público novo sem as bancas?

    Como a Mara bem disse, as lojas online só servem para um nicho que já compra esse tipo de produto. E as livrarias físicas não são muito diferentes, visto que elas geralmente são só frequentadas por um público de classe social e hábito específicos. Eu faço parte desse nicho, então óbvio que não verei desvantagem nessa mudança se eu me preocupar só com meu próprio rabo.

    As bancas sempre tiveram um acesso mais amplo, não é à toa que a maioria de vocês começou a colecionar mangá pela banca. Como esse potencial novo leitor vai adquirir o hábito de comprar mangá agora? A compra online é vantajosa para mim e para você que já é colecionador de quadrinhos, mas a compra na banca poderia ser vantajosa para outro tipo de público. Como por exemplo um pai, que saindo do trabalho passa por uma banca e decide comprar um gibi de um personagem que o filho gosta. Você acha que esse pai vai encomendar um gibi online?

    Houve algo parecido nos EUA. Antes da Segunda Guerra, gibis eram vendidos em tudo quanto é lugar, de lanchonetes a lojas de conveniências. As vendas eram enormes e permitia uma grande diversidade de títulos, haviam gibis de terror, romance e para vários públicos. Depois da guerra passou a se reduzir a um só nicho, a venda começou a ser exclusiva em comic shops, e a realidade de hoje é que os lojistas ficam à mercê das vontades da distribuidora e das grandes editoras, tendo de pagar prejuízos do próprio bolso. Bob Esponja pode explicar pra vocês: https://www.bleedingcool.com/wp-content/uploads/2017/05/MDAbaVd-1-e1494151465862-600×398.jpg

    E lá, as vendas estão caindo a cada ano porque o mercado não consegue achar um jeito de ampliar o público. E estamos falando de EUA, agora imagina como vai ser aqui em que o mercado de quadrinhos é mil vezes menor? Sim, você leitor de shonen que só se preocupa com o alinhamento da lombada não deve ser prejudicado tão cedo, mas reduzir as possibilidades do mercado nunca é bom. Eu amo quadrinhos e não quero que eles sejam só para mim, eu quero que a indústria cresça e atinja um público maior e mais diversificado (qual foi o último shoujo lançado por aqui???); as bancas vão acabar sim e isso é inevitável, mas tá na hora de pensar no problema que a ausência delas vai gerar. Flw vlw

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  13. Aí, foi só eu que vi a referência a este humilde blog no episódio de DBS de hoje?

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  14. Não é só banca não, a Saraiva aqui do meu bairro (classe média na capital do RJ) fechou faz pouco tempo por causa das vendas baixas. E as bancas vão pelo mesmo caminho pelo visto. O jeito é esperar as megapromoções da Amazon mesmo porque colecionar mensalmente, que já era caro, agora está difícil.

    ps. estou a um passo de desistir e partindo pra pirataria mesmo.

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  15. Essa redução no número de bancas já era esperado há anos, por isso os caras não ficaram parados e se adaptaram/aprimoraram, resultando nas super bancas variadas com wifi zone, café e o caramba. Bancas não serão extintas, fiquem tranquilos. A vida encontra um meio.

    Só acho que vocês estão subestimando um pouco a capacidade de pesquisa de possíveis novos leitores nos meios online e das facilidades de marketing pelas redes sociais e afins. Do mesmo jeito que era natural procurar títulos direto nas bancas, é ou será natural pra qualquer um procurar diretamente em lojas virtuais. Além disso temos aí o Google para facilitar mais as coisas e tornar o futuro leitor mais seletivo e mais bem informado sobre o conteúdo que vai comprar.

    Resumindo: bancas são dinossauros e o mercado de quadrinhos se mantém estável (se é que está). Valeu?

    Não! Só estou enchendo o saco XD

    PS. É mentira, Mara. Sabemos que é o repórter é o seu irmão gêmeo maligno com cabelo chamado Marábio!

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  16. As bancas fazem diferença sim,o potencial delas sempre foi grande,o que acontece muito é que o nicho de otakus,com as facilidades da internet,se tornou onlinezado,vai dizer,quem quer olhar novela,assiste a Globo,e quem quer ver anime ou ler manga?Se enfia no computador,é claro.Portanto,acham normal que qualquer pessoa desejosa de animes e mangas vá pesquisar no Google,mas se esquecem que muitos podem descobrir os mangas indo comprar uma Mundo Estranho,os leigos saem perdendo com a derrota das bancas,e o Mercado não se renova,ou pouco se renova.
    Ahhh,mas praticamente todos têm acesso à internet!!!
    Sim,mas os próprios otakus se perdem nesse mundo enorme que é a rede.

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