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DivisionGO, o mangá japonês que precisa URGENTEMENTE sair no Brasil

Um dos trabalhos da Imprensa Especializada (pff) é estar sempre antenada com os últimos scans pra recomendar títulos que serão futuramente pedidos à rodo nas palestras de editoras do Burajiru. Ou você acha que os desejos de ter um Shokugeki no Souma, Zatch Bell e Haikyuu por aqui surgem do éter? Bem, eu sempre fui meio preguiçosa em ir atrás das coisas novas, mas às vezes acabo dando uma chance para coisas e numa dessas até me surpreendo com títulos de extrema qualidade que merecem ser conhecidos por mais gente. E é sobre um deles, DivisionGO, que vou falar hoje.

DivisionGO (ou se você for dos mais puristas ディビジョンGO, sendo que o verbo em inglês “go” é um trocadilho com o kanji de número 5 que se lê da mesma forma) é publicado pela editora japonesa que-eu-nunca-ouvi-falar Dragon Comics e conta a história de Ritchie, um NEET (ou seja, um daqueles caras vagabundos que não estudam e nem trabalham) que é meio preguiçoso demais para conseguir um emprego e deixar de ser um peso para a sociedade. Num belo dia, ele acaba conhecendo uma organização secreta que trabalha para impedir que organizações secretas maléficas dominem o mundo.

A história é essa aí, bem simples, mas é das boas premissas que nascem as histórias interessantes (ou nem tanto, vide o caso de Inuyashiki). Uma das graças do mangá, que tem uma narrativa muito gostosa de ler, é ver Ritchie tentando fugir a todo custo dessa “missão” de fazer parte do grupo secreto DivisionGO. Lutando ao lado do protagonista temos uma variedade de personagens bem esquisitos que dão aquele clima de shonen non-sense, como uma bailarina e um grandalhão que usa rosas.

“OK, Mara, sua blogueira gorda que não consegue ver a graça de Gamers!, mas o que te atraiu tanto nesse mangá e por que você diz que ele devia ser publicado aqui?”

Toda a ambientação é muito legal. Você vê coisas culturais do cotidiano, e o traço tem um toque diferente, mas ao mesmo tempo detalhado. O mangaká sabe fazer umas caretas ótimas, e é um daqueles mangás que vale a pena olhar atentamente a cada quadrinho (assim como One Piece, se bem que esse você precisa ver atentamente para entender o que tá rolando naquela poluição visual do Oda).

DivisionGO é um daqueles títulos que é divertido de ler e tem uma narrativa que muito consigo imaginar num live action parecido com Dirk Gently (uma série legal da Netflix). Eu gostaria muito que alguma editora do Burajiru se interessasse nesse mangá e lançasse por aqui.

O tradicional post de recomendações desse mangá terminaria aqui, e aí teríamos leitores pedindo link pra ler scans do mangá nos comentários e outros questionando o meu gosto porque aparentemente a galera acha que eu tenho Dragon Ball como parâmetro de qualidade suprema. Só que não, o post continua porque eu menti para vocês num pequeno detalhe desta matéria: esse mangá JÁ É PUBLICADO NO BRASIL.

Só que em vez de se chamar DivisionGO e ser publicado pela Dragon Comics, ele se chama Divisão 5, é brasileiro e foi lançado aqui pela editora Draco. O primeiro volume saiu recentemente pela editora e é baseado num piloto publicado numa antologia anterior da Draco. Tem alguns probleminhas, tipo eu considerar que seria bem mais legal se o capítulo piloto estivesse também nesse volume, mas de resto continua um tanko muito bom mesmo. Acima da média (não só nacional como internacional).

E por que eu menti nesse post dizendo que o título era japonês? Bem, será que o número de leitores do blog que leram essa matéria pensando se tratar de um título japa é o mesmo número de leitores que clicariam numa matéria sobre um título brasileiro? Será que por saber agora que é brasileiro não começarão alguns questionamentos sobre traço, vindos do mesmo público que consome e gosta títulos como Cavaleiros do Zodíaco ou Ataque dos Titãs? Será que existe preconceito por material nacional, a ponto de ainda vermos discussões de “vocês comprariam um mangá brasileiro” num grupo de Facebook? É uma dúvida que tenho.

21 comentários em “DivisionGO, o mangá japonês que precisa URGENTEMENTE sair no Brasil

  1. Acho que você deveria ter segurado que o mangá é brasileiro por algumas horas só pra sacanear kk

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  2. Wow, vc realmente me pegou nessa, sua genia maligna. Mas admito que fiquei bem feliz de saber que é brasileiro, adoro quando descubro por acidente essas coisas, já aconteceu cm uma webcomic que eu lia online(em inglês) e fiquei bem surpresa qnd descobri que na verdade era de brasileiro. Isso só mostra como a gente tem um pouco de preconceito mesmo cm obras nacionais, a gente não espera muita coisa delas, mesmo tendo tanta coisa boa feita por aqui. Acho que vou procurar esse pra ler, pena que deve ser difícil pra ler o piloto.

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  3. Realmente, Marinha. Será que muitos dos mangás nacionais que vc criticou aqui traço, capa, jeito de ser publicado, e autores, se vc achasse que eram Japa teria elogiado? Será?

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  4. Que alívio ver mangás brasileiros que não tem aquele traço genérico de revista “como desenhar mangá”

    Vou dar uma olhada o/

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  5. A primeira imagem me lembrou bastante o Urasawa por algum motivo ‘-‘ Mas já na segunda se me perguntassem possivelmente diria que é um webcomic, o rosto do protagonista está muito cartoonado (apesar de existirem autores japoneses com estilos que sequer pareçam mangá). Atualmente estou só comprando o Quack, mas quem sabe mais pra frente eu busque saber mais sobre esse.

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  6. Sinceramente, assim que vi, pensei, por alguma coisa (talvez no jeito dos personagens): “deve se passar no Brasil ou ter algo a ver”. Realmente fiquei surpreso por ser daqui, mas sinceramente, fiquei esperando você dizer “se passa no Brasil” e depois nos convencer porque é interessante (como você deve saber, alguns mangás tiveram o Brasil com cenário, mas isso não necessariamente os tornou mais interessantes [ o Brasil é interessante? ]). Mas também fiquei surpreso no final do texto por ver que ele é não só se passa aqui, como é feito aqui. Porém, continuo esperando um motivo para ler esse mangá… (não vai me dizer que é só porque se passa aqui, não é? Patriotismo aqui, ainda mais com quadrinhos é coisa que non ecxiste além do universo TM…)

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  7. “Será que por saber agora que é brasileiro não começarão alguns questionamentos sobre traço”
    Primeira coisa que pensei foi: “tem traço de ação magazine”

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  8. A premissa é legal, e a arte é bacana por fugir dos traços genéricos da maioria dos quadrinhos estilo mangá.

    Eu leria numa boa. Mas essa série é vendida em banca? Acho que nunca a vi…

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  9. Eu sabia que era brasileiro. Não gosto disso, acho que esses autores que tentam fazer “mangá” brasileiro deveriam se aprimorar e criar seus próprios estilos. Os únicos autores daqui que reconheço pelo traço são Maurício de Souza, Ziraldo, Laerte e Lourenço Mutarelli.
    Aliás Mara, história é bem sem graça. Não teria me convencido mesmo que tivesse sido por um japonês.

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  10. Me surpreendeu, parece mangá nihonjin de verdade. Quem sabe se eu encontrar nas bancas daqui eu até compre…

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  11. A única coisa que me repele da maioria dos mangás nacionais é essa necessidade de querer fazer um shonen da Jump no Brasil. Só ver a quantidade de títulos que chupam de One Piece.

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  12. Pelo contrario. Não cliquei nesse post por achar que era japa. XD
    Nunca me considerei consumidor de mangás, mal leio eles. Mas se fosse e visse A divisão 5 nas bancas, provavelmente compraria.

    esses títulos brasileiros da Draco deviam ter tipo “algumas páginas de demonstração online”. Uma degustação” seria uma boa isca.

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  13. Já tinha visto este mangá mas o problema é essa arte genérica. É muito feia, essa capa grita “fanzine vagabunda” e, mesmo o mangá sendo bom ou não, não dá vontade nenhuma de ler.

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