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Li “Inuyashiki” e sobrevivi para contar como é

Quem me acompanha no Twitter (basta clicar aqui para ver o perfil) deve ter lido comentários sobre minha mais recente leitura da Grande Nação Japonesa. Movida pela curiosidade, peguei o mangá Inuyashiki (publicado no Burajiru pela Panini e já criticado por algumas decisões editoriais estranhas em outro post) para ler, e me senti muito motivada a escrever uma matéria sobre. A razão é que eu amei o título e quero que todo mundo saiba como ele é incrível? Sim, só que totalmente ao contrário: seguramente posso falar que Inuyashiki é um dos PIORES mangás que já li (texto com alguns pequenos spoilers, mas nada de muito importante ou que vá estragar sua leitura do mangá. Pode ler sem medo).

Antes de mais nada, acho que é bem justo explicar aos leitores o meu contexto. Não li Gantz (a amada e criticada obra anterior do autor Hiroya Oku) e minha única interação com a série foi a propaganda do Animax sobre o aluno de pinto duro na aula. Meu primeiro contato com Inuyashiki foi através do resumo que a Panini mostrou aos leitores ao anunciar o mangá. Vamos a ele, porque ele é um bom ponto inicial para começar a comentar este mangá:

Assim como o release da Panini tenta empurrar, eu acredito que o Oku escreveu esse mangá tentando fazer uma PUTA CRÍTICA SOCIAL FODA sobre a terceira idade e como o mundo trata os mais velhos, o problema é que ele falhou miseravelmente na tarefa. Para começar, todos os personagens deste mangá são colocados numa balança de maniqueísmo barato: ou a pessoa é muito boazinha ou é muito malvada. Não existe tom de cinza, tudo é como se fosse o desenho do Scooby-Doo. A trama é construída através do mocinho, o senhor idoso Inuyashiki que usa seus poderes para fazer o bem, e o adolescente revoltadinho Shishigami que utiliza os seus poderes para fazer o mal. E é isso. Não temos qualquer explicação do motivo de cada um optado por coisas tão distintas. 

No caso do Inuyashiki a gente até entende ele ser uma boa pessoa porque ele é o típico personagem bonzinho songomongo, mas o vilão é alguém que não faz sentido algum. Durante muitos capítulos acompanhamos Shishigami cometendo os mais grotescos assassinatos com seus poderes sem entender o motivo. E quando chega o capítulo no qual ele explica por que é tão malvado… a gente fica com cara de “oi?”, porque o salto lógico é extremamente forçado. Em alguns momentos Shinigami ainda tem uma recaída de bonzinho, mas a justificativa nunca cola e ele fica parecendo um marionete que mudou de manipulador.

Vou explicar essa inquietação de uma forma mais detalhada. Em Inuyashiki os personagens não têm motivações próprias, eles não fazem as coisas que eles querem de acordo com suas personalidades ou o que provavelmente fariam se fossem pessoas com consciência, eles apenas obedecem o roteiro escrito pelo Oku. Várias vezes parece que os personagens estão indo do ponto A ao ponto B apenas por que o autor mandou, e não porque queriam.

A mão do autor tentando fazer as coisas acontecer na história é muito visível. (Agora vem um spoiler irrelevante) Quando a sociedade descobre que Shishigami é o grande assassino, sua foto é exibida no Jornal Nacional do mangá. Acontece que Shishigami é um adolescente de 17 anos, então as leis do Japão dizem que ele não pode ter sua imagem mostrada e tal. O autor poderia respeitar as leis do mundo real e criar uma outra forma para mostrar o rosto do Shishigami, talvez a internet… mas não. Oku queria mostrar na televisão então ele faz a polícia inventar a desculpa de “ah, nesse caso como ele matou muita gente vamos exibir o rosto dele em rede nacional siiim”. Foda-se a coerência do próprio mangá apenas porque o autor não quis pensar um pouco mais.

A polícia desse mangá inclusive consegue ser mais burra e cruel que a polícia militar de um certo estado do Brasil. Qualquer plano para pegar o Shishigami envolve vítimas inocentes, o vilão sendo baleado (mas ele não morre porque é um ciborgue e ninguém percebe que ele não morre mesmo depois de mais de 3 cenas iguais dele sendo baleado) e logo em seguida fugindo do jeito mais imbecil possível. Em uma das fugas, Shishigami apenas voa pra cima e “nossa, pra onde será que ele foi?” “droga, Shinigami escapou de novo da polícia!”. Nem os inimigos de Metal Gear Solid são tão imbecis.

Perceberam que eu estou apenas falando mal da parte que cabe ao vilão de Inuyashiki? Perceberam que eu nem estou falando do idoso Inuyashiki? O motivo pra isso é que o autor esqueceu o velho num churrasco! Lá pela metade do mangá o Oku se dedica tanto a mostrar mortes sem sentidos causadas por Shishigami que se esquece de mostrar o personagem que dá nome à história.

Agora me diga como é que podemos encarar o mangá como uma ~obra questionadora~ sobre o papel dos idosos e dos jovens no Japão se o próprio autor fez o velho ser a pessoa mais sem carisma da história e ainda dá mais espaço pro vilão? Inclusive suspeito que o mangá poderia soar melhor se ele deixasse de lado a tentativa de crítica social, colocasse outro nome na história e deixasse o protagonista ser o Shishigami. Continuaria ruim, mas não ficaria sem sentido.

A sensação final que fica é que o Oku até tentou criar um mangá para criticar a sociedade, mas acabou deixando de lado para mostrar apenas cabeças explodindo e cenas de ação aéreas em que ele usa o computador e fotografias para ter menos trabalho no desenho. O mangá tem muitas coisas confusas (juro que ainda não entendi como o Shishigami foi descoberto pela polícia, se alguém souber me avisa) e diversas pontas soltas.

Quer dizer que por eu ter odiado esse mangá ele é um lixo? Bem, isso é bem coisa de gosto. Eu achei mal executado, de mau gosto e pretensioso demais. Mas sempre vai ter alguém que vai achar que se trata de uma grande obra de ficção científica que questiona o momento atual pelo qual estamos passando… nem que esse alguém seja o release da Panini tentando vender o mangá.

19 comentários em “Li “Inuyashiki” e sobrevivi para contar como é

  1. Eu parei de ler gantz por motivos de: história não vai pra lugar nenhum. Acho que esse autor só gosta de fazer cenas de ação e os personagens ele vai levando na tora. Gantz ele só ia matando os personagens, sem se preocupar em resolver qualquer conflito. Agora uma história que não tenha a desculpa vazia de gantz de tudo ser um “reality show ou coisa que o valha uerevá” ele deve tá sem saber como construir uma história ao redor da porradaria.

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  2. Mara, gosto do seu blog mas esse texto e algumas criticas tao com um cheirinho de apenas querer caçar tretas foda. voce consegue fazer melhor. beijão.

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  3. bem,,,gantz é praticamente a mesma coisa: um monte de mortes apenas pra mostrar gore / violencia, personagens sem graça e historia bem fraca

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  4. > Inuyashiki é um dos PIORES mangás que já li

    Então não leia Gantz. Sério. O Hiroya Oku é um excelente desenhista (na minha opinião), mas como roteirista ele é péééééééééééééééééssimo.
    Eu ainda curto as obras dele, mas puramente pela questão estética mesmo, estou cagando pra história – tal como ele, tbh

    Ou seja, bom review (não vou usar a desculpa de “você não entendeu a proposta do autor” porque o autor não tem proposta mesmo), você apontou com exatidão os problemas da obra – mas que pra ser sincero eu ainda curti, e li até o final.

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  5. Comecei Inuyashiki achando muito foda mas é como você disse, o Shishigami é um vilão que quer causar pq sim e pronto e eles esquecem o velho… Tem um capitulo que é quase todo sem dialogo eu fiquei ??????

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  6. Meu deus não acredito que to lendo esses comentarios,vão ler shonensão de porrada que é o que vocês gostam então.

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  7. Engraçado você dizer isso: ” Foda-se a coerência do próprio mangá apenas porque o autor não quis pensar um pouco mais.”

    Em Fullmetal Alchemist, chamar os alquimistas de “federais” vai contra a própria coerência do mangá, já que Amestris não é de forma alguma uma federação, logo é completamente incoerente e descaracterizado chamá-los de ‘federais’ e você defendeu isso, Maroca.

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  8. Hiroya Oku é um péssimo roteirista, e Gantz foi o Lost japonês, cheio de teorias e no final a trama desandou e decepcionou; do seu trabalho só se salva o traço, o negócio dele é desenhar garotas gostosas e equipamentos tecnológicos interessantes.

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  9. Eu não li o mangá, somente vi o anime e foi uma perda de tempo gigantesca. Quando foi chegando no final eu ia torcendo pra todo mundo morrer e acabar logo. E puta que pariu, que final tosco do cacete, só não consegue ser pior que Gantz.
    Não recomendo mesmo.

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  10. Acho que até tentou ter alguma crítica no comeo mas, infelizmente, foi mesmo muito superficial… Tanto o trabalhador quanto o estudante são “maquinizados” e isso, se for para dizer algo, poderia ser melhor trabalhado (até porque poderia ilustrar como o sistema de ensino e o mercado de trabalho tratam as pessoas e o que elas internalizam disso tudo). Infelizmente, realmente só teve maniqueísmo e gore mesmo. A impressão que eu tenho é que ele desperdiçou algo que podia ser bom.

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  11. bom acho que nunca mais leio esse blog que grande merda ein serio faz melhor então parece até hater de bleach insulta ele mesmo tenha visto completo que para alguém que não gostou só poderia significar não gostar do final no caso de algo com tantos capitulos

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  12. Uai discordo de sua crítica a esta obra, acho que ela se encaixa muito bem na proposta de mostrar um drama entre gerações (levando em conta a cultura japonesa claro), confronta diferentes filosofias de vida, e também mostra o confuso labirinto da mente humana, sobre tudo sob a perspectiva do jovem psicopata que escolheu ser um assassino em série ao tomar ciência de seus poderes, que é na minha opinião a parte mais interessante.
    Eu gostei da obra tanto do manga quanto do anime, achei que a história é bem tipo redação do ENEM (introdução, desenvolvimento e conclusão), comparando outras obras do tipo GORE ele é de longe bem mais maduro e menos apelativo.
    Se chocou alguém lembre que esta é uma obra de TERROR e é a intenção é essa mesmo, e eu acho que devia ter mais obras de TERROR, notei que tá bem em falta tanto nos mangas/animes quanto na literatura, televisão, teatro e cinema.

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  13. Eu fui ler esse mangá por indicação de um amigo, após eu contar para ele que tinha acabado de ler “Pluto” do Naoki Urasawa, então a minha revolta em ler essa porcaria de “Inuyashiki” foi enorme.
    Não é questão de gostar de shounen ou seinen (gosto de ambos) ou questão de geração nutella/mimimi (essas babaquices que gostam de falar) como alguns comentaram acima.
    A questão é que o mangá é ruim mesmo para quem gosta de ler uma boa estória com bons personagens, independente se é violento ou não. Para quem gosta de ver só ação com cenas bem desenhadas e violentas, sem sentido na estória, sem precisar pensar muito e sem ter que ler muito, esse mangá é um prato feito.
    Sobre a sua análise, concordo com ela quase em tudo. Incluiria também o fato de que o autor se utiliza de recursos baixos para tentar fazer o leitor se importar com o protagonista, mostrando as injustiças que ele sofre e as injustiças que ele vê dos “malvadões”, ao invés de construir uma personalidade aceitável e carismática do personagem.

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  14. Ah não, criticou com a bunda. Li o mangá e o anime, o mangá sempre achei bosta porque ou o desenvolvimento foca num personagem só ou fica confuso se focar nos dois, sem contar que você assistiu esperando “a crítica social foda” então você realmente assistiu com o cu. Isso é um anime caralho, ninguém assiste primariamente pensando em usar o contexto do anime pra retratar a vida real, afinal se você assistir qualquer anime, repito QUALQUER anime que tenha uma história coerente ele vai ter uma crítica a sociedade ou alusão ao senso de valor ou uma mensagem filosófica, como Dragon Ball, Naruto, One Piece, Bleach, até mesmo Gintama tem seus momentos de crítica e reflexão.

    Mas como é o pessoal acima falou, essa crítica foi um texto caça treta, porque crítica mesmo não teve.

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  15. Essa menina passa o dia em casa assistindo a desenhos e quer ficar falando do que a polícia passa, ou ficar falando de política em outros posts.

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