Aleatoriedades

Dragon Ball Kai – Saga do Buu, a primeira redublagem que uniu o Brasil

A tecnologia não trouxe carros voadores ou viagens espaciais, e sim gente acreditando em Terra Plana e sendo contra vacina. Mas a tecnologia também trouxe novos equipamentos para áudio e vídeo proporcionando uma melhor qualidade, mas isso também trouxe outro problema: a necessidade de se redublar algumas coisas do passado para serem exibidas novamente. E vamos ser bem sinceros, uma redublagem NUNCA SERÁ UNANIMIDADE.

Vamos pegar por exemplo a redublagem de Os Cavaleiros do Zodíaco, feita no começo dos anos 2000 pela Álamo. O pessoal foi atrás de 90% dos dubladores originais da finada Gota Trágica Mágica, respeitaram algumas “liberdades” de tradução (para não usar a palavra ERROS) e até se preocuparam em procurar um cantor de verdade para colocar Pegasus Fantasy eternamente no rol de músicas cantadas em filas de eventos de anime. Mesmo com todo esse trabalho, o resultado ainda não foi unânime. Argumentaram que as vozes não tinham mais ~aquela emoção dos anos 90~ e teve até gente que defendeu que se mantivessem os erros graves como chamar o Jabu de Cavaleiro de Capricórnio em vez de Unicórnio. Tem louco para tudo, mas vamos voltar ao assunto do post.

Dragon Ball Kai é uma tentativa porca da Toei de lucrar mais uma vez com Dragon Ball Z. Eles supostamente deixaram o anime em alta definição e cortaram fillers, tornando o anime mais próximo possível do mangá. Acontece que os 200 episódios prometidos acabaram no final da saga do Cell, e teve gente que argumentou que terminou aí porque era ~a verdadeira vontade do Toriyama~. Como era de se esperar, o anime chegou ao Brasil só que veio em sua versão americana (com violência amenizada). Para dar aquela economizada, mandaram dublar no estúdio BKS, lugar onde boa parte dos dubladores de São Paulo são tretadíssimos.

O resultado não poderia ser outro. Mesmo com a ajuda de Marcelo Del Greco (que sabotou este blog CORTANDO A EXPRESSÃO “mais de oito mil” da dublagem), muitos personagens importantes como Piccolo, Vegeta e Freeza tiveram suas vozes trocadas. Se somarmos à qualidade meio estranha da animação e a troca total da trilha sonora, Dragon Ball Kai em português virou uma desgraça maior que a aula de direção de Goku e Piccolo no anime (que, aliás, foi cortada do Kai porque é filler).

Mas faltava a Saga do Buu, e os episódios referentes a este arco acabaram sendo produzidos beeem depois na Grande Nação Japonesa. E por algum motivo que ninguém entendeu direito, ele veio estrear só agora em 2017 no Cartoon Network, um mês depois da estreia de Dragon Ball Super no canal. E lembra que eu disse lá no primeiro parágrafo que uma redublagem nunca será unanimidade porque sempre vai ter alguém que prefere o original? Então, sou obrigada a retirar tudo o que disse, porque Dragon Ball Kai conseguiu unir todo o país – tanto fãs antigos quanto os novos estão insatisfeitos com o trabalho feito!

Dessa vez os episódios foram dublados na casa de dublagem Sigma, que tomou uma decisão ousada. O estúdio deixou de lado algumas mudanças feitas pela BKS no começo do Dragon Ball Kai (principalmente as causadas por tretas) e trouxe de volta as vozes de Piccolo, Vegeta e até mesmo do Freeza no flashback do primeiro episódio. Acontece que, por mais bizarro que seja pensar nisso, acaba desagradando as (poucas) pessoas que começaram a acompanhar o anime através do Kai. 

Isso quer dizer que agora o Dragon Ball Kai passou a agradar os fãs da dublagem clássica, indo atrás de todo mundo que gravou no começo da década passada nos estúdios da Álamo? TAMBÉM NÃO! Para desagradar estes e outros fãs, mais uma caralhada de vozes que estavam iguais à primeira versão dos anos 2000 foram mudadas. Estão diferentes as vozes de Kuririn, Mestre Kame, Androide 18 e muitos outros. E como toda boa unanimidade, Dragon Ball Kai também desagrada quem nem se importa muito com as vozes, porque a tradução está bem controversa (é baseada no roteiro alterado feito nos EUA) e ainda temos a trilha sonora bizarríssima que não combina em nada com a animação.

“Mas Mara, sua blogueira que paga a academia e não frequenta, qual seria a melhor solução então para esse caso?”

Infelizmente a melhor solução para esse caso seria Dragon Ball Kai nunca ter existido. O ideal seria a Toei tivesse remasterizado o anime original desde o começo (igual ela acabou fazendo e que vem sendo exibido pela Rede Brasil) e deixar ele lá da forma original para as pessoas assistirem na nostalgia e relembrarem como até mesmo ele não era aquelas coisas.

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14 comentários em “Dragon Ball Kai – Saga do Buu, a primeira redublagem que uniu o Brasil

  1. No post de 2011 eu li uma pergunta de algum leitor e gostaria de repeti-la, caso hoje apareça alguém que manja:
    Por que o Brasil importa animes picotados e censurados dos EUA? É muito caro importar direto e “nós” mesmos editarmos pra lançar na TV? Tem vários países que fazem isso. Itália, Espanha, Portugal, França e acho que até alguns dos nossos vizinhos hispânicos.
    A Itália é um caso particularmente peculiar porque, em vez de eles criarem a letra e “encaixarem” na melodia, eles mudam completamente as músicas de abertura e encerramento e até as cenas:

    Exemplos:
    Tokimeki Tonight

    Original em Japonês

    Versão italiana

    Mirumo de Pon (a.k.a Mirmo Zibang)

    Original em Japonês

    Versão italiana

    Assistam antes de algum copyright meter no cu de quem postou esses vídeos.

    E convenhamos que as creança assistem na internet (e até na vida real) coisas piores que um velho tomando cerveja.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Respondendo Frango com Farofa:

    Pra essa questão é simples (pelo menos para mim), eles pegam do EUA porque assim fica mais cômodo e barato, traduzir e adaptar do inglês é mais fácil do que do Japonês.

    PS: Nunca tinha ouvido falar desses animes.
    PS 2: Do primeiro anime gostei mais da música italiana. Do segundo da original mesmo.

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  3. Big Lui
    Faz sentido, nem me toquei da questão do idioma 😅
    O primeiro eu conheço porque na minha fase de otaku fedida eu li e assisti vários shoujos, era meu estilo favorito sei lá por que. o segundo chegou a passar no Cartoon Network uma vez, mas flopou.

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  4. Comecei a companhar o Kai pela Cartoon e, realmente, eu e meu irmão achamos muito estranho passar o Kai junto do Super, sei lá, parece uma viagem no tempo quando um é seguido do outro @@ Tanto que a primeira vez que vi o Kai passar antes do Super achei que estava no meio do episódio do Super enquanto passava um flashback ou sei lá! Só depois notei que o “flashback” estava ficando comprido demais…
    Nossa, não sabia que tinham pego a versão americana para o Kai, ainda não tinha assistido até recentemente…que ruim…

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  5. Po até q essa Saga do Boo ae do Kai tá bacana. E olha q eu detesto DBKai, q se mostrou o “trabalho” de transforma algo em HD mais preguiçoso q eu jpa vi. E essa questão de cortes e censura tinha no original japonês se n me engano, quando foi pro EUA só potencializou.

    Em relação a dublagem até q curti, ficou menos ofensivo do q tava nas sagas anteriores. Mas como a ara disse, negocio mesmo é ver o remaster do Original e esquecer o Kai.

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  6. @Frango com Farofa

    Mirmo Zibang chegou a passar aqui no canal Boomerang (ainda existe?) e a abertura seguiu a japonesa

    Passava junto com Sakura Cardcaptor, Super Gatinhas (Mew Mew Power), Kaleido Star e (Ashita no) Nadja. Eu assistia sem nem saber o que era anime.

    O povo foi ficando preguiçoso.

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  7. @Faye

    Mirmo Zibang passou no Cartoon Network. No Boomerang é possível que tenha passado também.

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