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As Light Novels chegaram na Academia (não aquela com esteira)

Existem certos assuntos da sociedade otaka do Burajiru que são discutidas apenas em fóruns pequenos na Internet e nas palestras da NewPOP. As Light Novels são sucesso na Grande Nação Japonesa e as editoras daqui foram beeem aos poucos arriscando no formato. Mas, afinal, o que é uma Light Novel? Pra quê serve uma Light Novel? Qual a diferença pra um livro normal? Com essas e outras perguntas em mente, fui na manhã de hoje participar de uma palestra na USP sobre o assunto.

(Essa que parece a pousada Hinata é na verdade o capenga prédio da faculdade de Letras da USP)

A palestra “O Panorama do Cenário Atual de Estudos de Light Novel no Japão“, ministrada por Rafael Vinícius Martins (estudante de mestrado na Universidade de Kyushu), foi realizada na manhã deste dia 14 de agosto em uma sala multimídia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Após o trajeto pela faculdade de Letras no qual precisei me desviar de três assembleias e dois saraus de poesias, pude acompanhar o mestrando explicando a origem das Light Novels.

Curiosamente, nem mesmo o Japão entrou num consenso sobre o que é uma Light Novel e o que é um romance “normal”. Inclusive, há quem classifique na base da exclusão mesmo: isso aqui é Light Novel porque não é um romance e vice-versa. Além de contar um pouco sobre as Light Novels, Rafael também falou um pouco sobre essa experiência tão distante para muitos que é estudar o que se gosta. O trabalho de mestrado dele é baseado na Light Novel “Gosick“, e um dos principais pontos é que ela já foi vendida como light novel shonen, shoujo e até como ~livro normal~, isso sem que uma vírgula fosse mudada no texto.

Mesmo preso às formalidades desnecessárias exigidas pela Academia, Rafael soube tratar o assunto de uma forma leve e não cansativa (ao contrário de certos editores em certas palestras). E mesmo se tratando de um ambiente acadêmico e com alunos universitários de língua japonesa, ainda percebi muitas semelhanças com o público de evento de anime (só que os universitários estavam com roupas normais). Cada vez que Rafael citava exemplos  de novels como Slayers, Lodoss ou Haruhi Suzumiya, parte do público se animava por identificação.

Como uma completa leiga sobre o assunto, foi interessante descobrir que há Light Novels que são publicadas no Japão da mesma forma que os mangás (ou seja, em revistas próprias de periodicidade semanal ou mensal) e que elas são divididas também usando os mesmos “gêneros” dos quadrinhos. Também não fazia ideia de como Evangelion influenciou praticamente a criação de um novo tipo de história, na qual temos um protagonista masculino que não faz nada e uma mulher guerreira e que os dois selam o destino do mundo. (As informações desse parágrafo foram corrigidas após o toque do palestrante nos comentários)

(Foto da sala antes de abarrotar completamente e ter gente sentando no chão.)

Pessoalmente acho incrível que o Rafael tenha espaço para estudar algo como Light Novels em uma universidade.  A liberdade que o atual ambiente acadêmico oferece para que se estude algo que goste é muito empolgante, ao contrário de tempos atrás que normalmente os alunos de mestrado ou de iniciação científica estudavam apenas o que seus orientadores mandavam.

Claro que muita gente deve se questionar qual a utilidade de um Governo desembolsar dinheiro para esse tipo de pesquisa e não para a “cura do câncer”, mas isso que citei como exemplo é um pensamento bem limitado. As Light Novels surgiram no Japão quase por uma movimentação da sociedade, e igual qualquer literatura é uma forma de se analisar a parcela da sociedade que consome esse tipo de produto. Não tem como não ver Light Novels, animes, mangás e outras coisas como uma representação dos valores da sociedade de um determinado período histórico, de uma forma até mais rica que em muito livro de História, e estudar esse tipo de material é riquíssimo para a sociedade como um todo.

Só uma pena que Light Novels ainda são vistas com desdém por parte do público brasileiro, sendo consumidas apenas por um nicho menor dentro do nicho dos otakus, mas isso é papo para uma outra matéria.

16 comentários em “As Light Novels chegaram na Academia (não aquela com esteira)

  1. Light Novel no Brasil só conheço as da NewPop. E cara, todas elas tem problema. Eu terminei de ler recentemente o ultimo volume de Fate Zero, e de todas essa é a que tem a publicação com menores problemas, pois a tradução é boa e a edição nao tem tantos problemas. E o que mais ajuda, o autor sabe escrever!

    Agora pega NGNL, era a novel que eu mais gostava de acompanhar, fui ler o volume 8 recentemente, esta impossível de entender aquilo cara, não sei se é tradução, ou o autor que se perde. E eu sou um cara que muitos livros, imagina que não lê, não tem como se empolga. Me disseram inclusive la no grupo que NGNL é o autor que não sabe escrever e que nos EUA chegaram a reescrever alguns volumes por conta disso antes de lançarem.

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  2. MARA!!! Treta da pesada!!!!!!!

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    COMENTA!!!!!!!
    POR FAVOR!!!!!!!!
    POR FAVOR!!!!!!
    POR FAVOR!!!!!!
    NÃO FAZ ASSIM!!!!!!
    DIZ QUE SIM!!!!!!!

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  3. Obrigado pela presença e pela cobertura. Fico contente pelo seu texto que a mensagem tenha sido passada.

    Houve uma parte de seu texto que me fez perceber que em minha fala eu deixei um ponto não muito claro. Quanto às revistas de publicação de Light Novel. Realmente, como eu disse, existem essas revistas, mas o modelo editorial não é exatamente igual o de mangás. As Light Novel não são serializadas em revistas e posteriormente compiladas como acontece com mangás. Nessas revistas geralmente têm contos ou capítulos soltos que servem muito mais para testar a história com o público. O meio primário de publicação da Light Novel é no formato livro mesmo.
    Peço desculpas se dei a entender que o modelo é exatamente igual ao do manga. Mas só queria esclarecer esse ponto.

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  4. “e estudar esse tipo de material é riquíssimo para a sociedade como um todo.”

    Tragam a mara de volta :c

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  5. Iniciativa interessante essa. Eu realmente não sei o quanto as universidades em geral estão abertas a estudar cultura pop, mas cada iniciativa conta.

    Falando nisso, lá no meu blog eu fiz uma convocação para trabalhos acadêmicos e consegui reunir alguns trabalhos legais. Tem até sobre a sexualidade em Naruto (é sério!) e projeto gráfico de Death Note, entre outros. Confere lá:

    http://nagado.blogspot.com.br/2017/08/pesquisas-academicas-sobre-cultura-pop.html

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  6. Meu mestrado foi sobre tradução de onomatopeia em mangás, isso em 2012 >D
    Legal ver que o pessoal continua investindo em cultura pop. Apesar de ter algumas boas ressalvas quanto.

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  7. (meu comentário pareceu um shade, mas não era!!! Na época que eu fiz, apesar de apenas 5 anos de intervalo, havia pouquíssimos trabalhos sobre cultura pop japonesa em nível de mestrado. A maioria era TCC. Por isso que eu coloquei a data…)

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  8. Sugiro as novels “Minha irmãzinha não pode ser tão gracinha”, “Professora ero mangá” e “Gigolô de lolis” para o próximo estudo relevante para a sociedade.

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  9. Mais de Oito mil também é informação, cultura e… academia? De toda forma, boa matéria, Mara. E ao contrário de certos trabalhos sobre MC Catra e afins (tem cada um que já vi que pelo amor de Kami-sama…), esse sim é um trabalho de verdade tentando estudar e entender uma parte (pequena por aqui, mas) importante de uma cultura.

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  10. Um texto do Mais de Oito Mil elogiando alguma coisa? Quem é você e o que fez com a verdadeira Mara??

    Mas que o tema da palestra parece bem interessante, parece mesmo.

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  11. Publiquem as novels de Maria-sama ga Miteru. Meu amigo que pediu.

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  12. Vendo os comentários aqui, bom saber que não sou o único que não tá entendendo absolutamente nada que tá rolando em NGNL 8

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  13. Apesar de as novels oficiais não existirem realmente muitas com traduções oficiais, você pode encontrar muitas piratas. principalmente se você procurar o Gênero Xianxia, baseado nas crenças de artes marciais chinesas antigas.

    Também tem muito que usa ferramentes de tradução que traduzem muito bem paginas completas, para ler em sites gringos.

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