Opinião Impopular da Semana

Opinião Impopular da Semana – Um mangá só presta se ele for bom do começo ao fim?

Além de ser uma linda blogueira passiva-agressiva com um logotipo lindo feito pelo @leokusanagi, eu tenho o costume de visitar grupos de mangás no site Facebook para acompanhar discussões e entender um pouco os indecifráveis otakus. Um post nessas leituras me chamou a atenção: na época do lançamento de Fort of Apocalypse da JBC surgiram alguns posts perguntando se valia a pena comprar esse mangá que não é assim tão conhecido. O pessoal que já havia lido por scans falou que o mangá não valia a pena porque o final era muito ruim, e isso já ligou uma luzinha na minha cabeça. Um mangá só presta como um todo se ele tiver um final legal?

Já começo dizendo que não entendo muito o argumento de “o final é ruim, não vale a pena ler”. Cresci assistindo aos doramas da Rede Globo, que seguem o mesmo estilão de narrativa dos mangás, ou seja capítulos lançados numa periodicidade definida e forte influência do público… se dá audiência continua, se é um fracasso acaba. E se tem uma coisa que tô acostumadíssima é que o último capítulo dos doramas é sempre um chorume sem graça: casamentos múltiplos, todo mundo terminando com parzinho e o vilão sendo punido exemplarmente. Aí eu pergunto, eu acompanhei o dorama inteiro para ver essa porcaria de final? NÃO.

Acredito que o principal da história é sua premissa e seu desenvolvimento. Vou pegar como exemplo um mangá que já falei muito mal aqui no Mais de Oito Mil, o 20th Century Boys (leia a crítica aqui). Em questão de premissa não tenho o que reclamar, a ideia de um vilão maluco que pega uma brincadeira infantil para transformar num atentado de proporções mundiais é muito interessante. O desenvolvimento pra mim funciona até meados do volume 16, quando ainda estávamos no primeiro time-skip e a história rolava num ritmo muito excelente, ficava vidrada lendo os capítulos do mangá nessa época. No entanto, alguma coisa aconteceu com 20th Century Boys e o negócio desandou.

Não sei se foi pressão da editora para enrolar, se foi o autor que achou que teria mais história, mas era como se a boa história fosse ladeira abaixo para encerrar de uma forma que não faz o menor sentido (e ainda com uma prolongação chamada 21th Century Boys). Resultado: acho um mangá ruim, mas não me arrependo de ter lido até o volume 16.

Engraçado que o próprio argumento de “não compre, o final é ruim” vai por água abaixo quando lembramos que é muito comum acompanhar histórias que ainda não acabaram. One Piece então só vai poder ser avaliado quando o Oda terminar no volume 230 ou podemos só ler até onde gostamos?

Talvez seja um erro considerar um mangá com o mesmo peso de uma narrativa única, afinal foi um trabalho de meses, anos e às vezes até décadas para se concluir. Inclusive acho estranha essa necessidade da história precisar agradar em sua totalidade para valer a pena ler: não bastaria, por exemplo, ver só até onde você estivesse gostando e aí largar? Fazemos assim com seriados americanos, livros e doramas da Globo por que não com mangás e animes?

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18 comentários em “Opinião Impopular da Semana – Um mangá só presta se ele for bom do começo ao fim?

  1. Existem mangás que gosto da história, do personagem e não terminaram da forma satisfatória ao meu ver.

    Tudo é gosto no final, somente gostaria que o público se ampliasse nessas publicações. Essa coisa de muito nicho em marketing online também abafa muita coisa que poderia ter um aproveitamento maior do público comum.

    Quando se fala de uma obra seja audiovisual ou escrita lembro das resenhas do profissão cinéfilo e como ele classifica cada filme.

    http://profissaocinefilo.blogspot.com.br/2015/09/atualizacao-do-grafico.html

    Falta alguém nesse nicho que faça uma análise assim de outros tipos de mídia.

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  2. Não nego que material REALMENTE bom (digno de nota) deve ser bom do inicio ao fim
    Eu mesmo sou um viúvo de Dragon Ball original (aquele que passava no SBT) que ele ainda é criança e no final se casa com a ChiChi… (desculpe pelo spoiler, MAS ESSA É MAIS QUE OBVIO)
    Só que ele realmente se fecha com isso. DEPOIS o Toriyama resolve fazer aquelas intermináveis saga de “super-heróis babacas” que é a fase Z, GT, Kai, Supers.
    Mas o que eu quero dizer: Dragon Ball é fechado em si mesmo, ele tem começo, meio e fim, portanto é conclusivo.
    Agora como o exemplo que vc colocou 20th Century Boys. Algum editor BABACA resolveu insistir para o autor rodar mais a historia que roda de caminhão de entregas. O problema disso é: que se o autor tá feliz e próximo a terminar ou entrar na fase decisiva da historia e alguém faz isso, ou insiste para ele enrolar, faz criar uma “barriga” não natural na historia, fazendo as pessoas que seguem ela desde o inicio ficarem muito chateadas.
    Mas é o que o mercado quer né?

    PS: Cara, mas que Logo MEIO BOSTA que não ocupa nem 50% da largura do site (que porra de bosta é essa @leokusanagui ?)

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  3. SIm! De que adianta acompanhar uma obra por anos e o final for uma merda? Oi BLEACH tudo bem? SAudades!

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  4. Meu melhor exemplo de mangá que vale como um todo, mesmo que o fim tenha me decepcionado um pouco (ou não entendi, mesmo) é I Am a Hero.
    Uma coisa é a obra oscilar em qualidade algumas vezes, outra é ficar ruim e ainda me ofender enquanto acompanho.
    Mas com certeza a maioria nem liga, tem gente que leu Bleach até o fim glorificando de pé o tio Kubo pelo trabalho, quem sou eu pra opinar? Não li 700 mangás ainda.

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  5. Quando eu li o título me lembrei logo do 20th century boys. Ao contrário de você não acho mangá ruim, acho bom, e foi um dos poucos mangás que li até o fim. Agora, concordo que do meio pro final a uma queda na qualidade. Aquela parte da trama no futuro é bem mais desinteressante. Por um lado, ela tem o mérito de alterar o status quo, e digamos que as coisas tem consequências que raramente vemos em uma série/filme/novela. Por outro lado, não foi conduzido de forma tão brilhante quanto na primeira metade, deixando as coisas meio forçadas. Mas ainda sim, muito melhor que qualquer DBZ e semelhante, melhor que Death Note (que sofre algo semelhante após a morte do “L”).

    Enfim, não é redondo, mais pra mim, foi muito satisfatório ter lido o mangá todo (apesar de eu nem lembrar o final direito, hehe).

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  6. Bleach é o maior exemplo disso, o final é pessimo, o ultimo arco bem arrastado, porem não tem como negar que ate o arco da falsa karakura a historia era muito boa, o que veio depois decepcionou?? Talvez, mas se vc analisar tudo no geral, o mango é bom, e vale a pena ser lido, mas se vc analisar ele por partes vc vai sim falar olha não compensa pq x personagens não são desenvolvidos da maneira que deveriam,ou x arco é ruim e estraga a historia e por ai vai.

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  7. Muitas pessoas citando Bleach, no meu ponto de vista, a obra acabou quando Ichigo ganhou do Aizen, pra mim ali foi o final, e pronto. Jump ficou pressionando para continuar. e acabou cancelado no final. mas mesmo assim, é uma obra muito BOA.

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  8. O Bleach eu assisti os primeiros episódios, que tinham aquela pegada meio terror. Era maneiro. Depois que virou dragon ball ficou besta. O Yu Yu Hakusho meio que passou por isso também. Aliás a maioria dos Shonen vira porradaria sem contexto em algum ponto. Lembro do pessoal do Genkidama que essa coisa dos torneios é coisa da política editorial da Jump: se um mangá tá mal de venda, inventa um torneio ou coisa parecida.

    Curtido por 1 pessoa

  9. Pra mim é desperdício ler um mangá com final ruim.

    Porque a diferença de mangá pra anime é justamente que mangá tem uma porcentagem de finais bons bem maior.

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  10. Nao me arrependo de ter lido saint seiya ate o fim da fase santuario. Pq aquela fase hades é uma droga e o final do mangá, ridículo.

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  11. Na verdade, até em séries americanas vimos esse problema. A quantidade de pessoas que fala que Lost é uma merda porque o último episódio não é bom, é praticamente 90% da internet.

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  12. Eu acho que se a obra tem um final péssimo é para ser esquecido.

    Várias obras tem um bom desenvolvimento, mas final horríveis. E é aí que vemos que realmente 90% de tudo o que existe é descartável, só obras primas resistem ao tempo.

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  13. O que é bom ou ruim é subjetivo.

    Há mangás que começam mal e estão crescendo numa boa (Oi One-Punch Man! – a história demora capítulos para engrenar, e nisso alguns sentem a história engessada mesmo sendo engraçada).

    Há mangás que começam bem, se enrolam no meio e terminam bem ou razoavelmente bem (Oi Death Note! – a saga inicial é boa, mas a nova saga apesar de bem engrenada, é apreensiva demais, soa demorar e no final a história se concluí atropelando-se um pouco).

    E há histórias que começam bem, vão bem, mas terminam mal ou nem terminam. O término de uma história é o punchline, a moral, a lógica ali sendo montada, fechada e exposta. Pegam o Neon Genesis Evangelion, cujo mangá demorou anos para fechar, e ainda fechou meio razoável pois o mangaka não concordava com os devaneios do dono da animação?

    Fora os hiatos por aí.

    Só digo uma coisa: não importa como a história se vai, se curtiu, ok, não se preocupe com mais nada e não fique remoendo-se porque a história terminou sem climax. Principalmente fãs do One-Punch Man (como eu), que já sabem que a história NUNCA tem climax quando chega o protagonista. Tipo, é ejaculação precoce: tu sabe que vem e nem curte :p

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  14. Concordo em partes com o texto.

    Primeiro, concordo totalmente quando você diz que uma obra não deve ser considerada ruim porque seu final é ruim, mesmo que o resto tenha sido bom. Um final ruim não desfaz tudo de bom que a obra foi ao longo da sua trajetória. Um exemplo recente disso é Orange, o qual no final temos uma explicação terrível de como as cartas foram para o passado, explicação essa que todos os fãs detestam. Essa explicação foi algo muito bizarro? Foi. Isso faz com que o resto do mangá seja ruim? De maneira alguma. Mas nesse meio, já vi muita gente dizendo que amava Orange, passando a dizer que ele é só um mangá mediano por causa disso.

    No geral é isso. Mesmo um final sendo ruim, não apaga a parte boa da história.

    Porém, não concordo com a parte de “ler até onde gostar e depois parar”. Ok, talvez não seja que não concorde, apenas não consigo fazer isso. Detesto fazer coisas pela metade ou abandona algo que comecei, sem terminar. Por isso, mesmo a obra ficando cada vez pior, eu vou continuar até ver o fim (Oi, Fairy Tail).

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  15. Concordo, mesmo que o final seja meio “meh”(o que é o que geralmente acontece quando tudo tem que acabar bem), a história inteira continua lá.

    Aproveitando o assunto: vejo muita gente metendo o pau no final de Gantz, mas depois que li o mangá de novo(e mais umas quatro vezes depois disso), achei o final realmente bom, todas as vezes que leio eu acabo gostando do final, sempre que termina parece que acabou no lugar certo, que só não havia gostado quando acompanhava o lançamento.

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