Entrevistas · Mais de Oito Mil Interview

Mais de Oito Mil Entrevista… Leonardo Kitsune, do canal Video Quest

Uma das seções mais legais de se fazer no Mais de Oito Mil é a de entrevistas, porque eu basicamente escrevo pouco e tenho uma pauta minimamente interessante. Ah, além disso é uma chance de conversar com pessoas relevantes para o mundo tokuanimangático e variar um pouco sobre os assuntos conversados normalmente. Na entrevista de hoje vamos conversar com Leonardo Kitsune, um velho conhecido do Mais de Oito Mil que topou encontrar essa blogueira na fila do Ben & Jerry no dia da casquinha de graça e conversar sobre o que mudou nesses cinco anos desde sua primeira entrevista para o blog. IKIMASU ver o que rolou?

Mais de Oito Mil- Leonardo Kitsune, como sua assessoria de imprensa não passou um release sobre você, por favor se explique para os leitores.
Leonardo Kitsune- Olá, eu sou Leonardo “Kitsune” Camargo, editor do canal Video Quest, que consiste em uns gordos falando de desenhos japoneses; editor e tradutor Marvel pra Panini, responsável por revistas como Universo Marvel, Guardiões da Galáxia, Demolidor, Viúva-Negra, etc.; e pai do atual ser humano mais bonito do planeta, o Augusto.

MdOM- Há mais ou menos 5 anos você foi entrevistado aqui no Mais de Oito Mil e falou sobre o primeiro ano de existência do Video Quest. Qual foi seu truque para manter o canal por tanto tempo?
Kitsune- Na verdade o canal passou por uma diversidade de fases muito ruins e a culpa eu acho que foi quase toda minha. O Urso (preciso mesmo apresentar o Urso pra vocês? O Urso é O Urso) é que teve que ouvir a minha ladainha por anos. Já quase desisti do canal várias vezes. Hoje sinto que realmente QUERO continuar com o canal e fazer dele algo de que eu me orgulhe. Então, truque pra manter o canal funcionando? Fazer o máximo que eu consigo nos intervalos em que a minha cabeça não tá enlouquecendo, basicamente.

MdOM- Seis anos é o bastante para qualquer pessoa dar uma amadurecida e mudar algumas opiniões. Você consegue ouvir novamente suas primeiras críticas e concordar com elas?
Kitsune- Não, absolutamente não. Eu nem assisto os vídeos antigos. Tem uns que eu sei que deveria refazer (o de Haruhi Suzumiya, por exemplo, que era só um molecão irritado). Aliás, é bom lembrar que boa parte do começo do VQ foi gravado um ano antes de ir ao ar, então se hoje eu sou um homem de meia idade, no começo do VQ eu era um pivete de 22 anos. A minha maneira de encarar a mídia era completamente diferente, assim como eu era um cara bem (mais) idiota.

MdOM- Já te contei a história de que um primo mais novo veio todo emocionado comentar pra mim “nossa, você tem uma foto no bar com o Kitsune, eu vejo sempre os Shonen Quest e sou fã dele” (detalhe: ele nunca ouviu falar do Mais de Oito Mil). Como é ter esse público de novos otakus?
Kitsune- Ultimamente, principalmente via Curious Cat, vem muita gente dizer que “o Video Quest me ajudou muito a desenvolver meu senso crítico” e tudo mais. Às vezes me sinto a Xuxa vendo gente de 40 anos dizer que assiste ela “desde criancinha”. Mas, apesar de o meu público ser majoritariamente de gente que já nos acompanha faz um tempo, então já é “mais velha”, é legal ter a molecada nos assistindo. Porque a ideia do VQ é levar a crítica um pouco mais a sério (não que acertemos sempre, mas é a intenção), e se podemos ajudar essa molecada e não ser só entretenimento e risadas, fico bem, BEM feliz.

MdOM- Você passou pela experiência dos sonhos de muitos otakus de trabalhar em uma editora de mangás, mas atualmente você parece muito feliz editando quadrinhos americanos. Como explica isso?
Kistune- Tem duas coisas: Primeiro, eu não falo japonês. Na JBC eu colaborava da maneira que podia, e fazia o que podia pra deixar o texto melhor em português. Mas trabalhando com heróis americanos, como eu falo inglês, eu tenho um entendimento muito melhor do texto original e posso colaborar muito mais, e me sinto bem mais útil. Segundo, eu sempre tive muito contato com o público, e metade do meu trabalho nos mangás consistia em falar com os leitores. E eu me envolvia demais na coisa toda. Ter que lidar com tanta gente simplesmente descreditando tudo que a gente fazia, na maior parte das vezes sem embasamento e sem nenhuma vontade de ouvir o nosso lado era muito difícil. Além da questão de eu ter o canal, e as coisas se misturavam, mesmo eu fazendo o máximo que eu podia pra que não fosse assim (sempre tomei o cuidado de fazer crítica das HISTÓRIAS, e não das edições físicas). Por isso, o distanciamento me fez muito bem.

MdOM- Na última entrevista contigo, você comentou o sonho de ser um autor de quadrinhos. Isso continua?
Kitsune- Ah, sim, sempre tá lá. Eu preciso tomar vergonha na cara e escrever algo. Até porque, desenhar eu já não sei mais; não num nível que eu aceitaria.

MdOM- Que tipo de história podemos esperar de você?
Kitsune- É foda porque sempre que um cara que nunca escreveu nada fala de ideias, parece aqueles moleques falando “vou fazer que nem na Jump!!”. Mas eu tenho ideias que eu preciso polir. Eu preciso trabalhar as ideias, fazer pesquisa, etc.

MdOM- Recentemente tem surgido muitas matérias em blogs de animes e mangás questionando coisas como machismo, homofobia, representatividade etc. Você acha isso importante ou não deveríamos discutir isso por ser algo de outra cultura?
Kitsune- Não podemos nos omitir. Mangá e animê tem muita coisa zuada, e é nosso dever apontar pros problemas e discuti-los. Me irrita muito esse papo de “é só animê, dane-se” e “mas você esperava o quê? É Japão!”, porque a gente esbarra nisso e a discussão nunca vai pra frente. O modo como essas questões como racismo, machismo e homofobia são representados na mídia não é, claro, O maior fator, mas é UM grande influenciador do modo como nossa sociedade as encara. E, no mínimo, é um reflexo do estado das coisas, e a arte serve, sim, como ponto de partida pra essas reflexões. Acho, inclusive, que o Video Quest faz muito pouco nesse sentido, e devia fazer mais.

MdOM- Você é uma pessoa muito transparente nas redes sociais, conta sobre seus relacionamentos, sobre seu filho fofo, sobre suas amizades. Isso te atrapalha de alguma forma com seu público?
Kitsune- Acho que não. Não me lembro de vezes em que comentários da minha vida tenham influenciado a opinião quanto aos vídeos ou vice-versa. Tirando a época em que trabalhei com mangás, que aí, como já disse, acontecia de pessoas acharem que minha opinião não tinha validade porque eu trabalhava na JBC.

MdOM- Considera que ter ganhado duas vezes o Troféu de Blogueiro Mais Colírio melhorou o ego ou acha que o pessoal votou na zoeira? Sabia que se ganhar mais uma vez o prêmio passa a se chamar Troféu Leonardo Kitsune de Blogueiro Mais Colírio?
Kitsune- Nenhuma chance de qualquer pessoa ter votado em mim seriamente.

MdOM- É hora do bate-bola em que você tem que responder com apenas duas palavras os seguintes tópicos:
Keijo? Pequena decepção.
Boku no Pico? Uma lição.
Akira Toriyama? Ainda ídolo.
Professor John Milton? Prefiro esquecer.
Nudes? Já mandei.

MdOM- Obrigada de verdade pela entrevista, Kitsune. Parece que estou zoando, mas você sabe que te acho uma pessoa incrível e tenho sim o hábito de acompanhar seus conteúdos. Deixe um recadinho para os leitores do Mais de Oito Mil!
Kitsune- Você também lembra que o seu blog foi um dos primeiros que a gente mandou o VQ porque sabíamos que era um dos melhores, né? Obrigado pela oportunidade novamente! Dar essa entrevista faz mais pelo meu ego que vencer o prêmio de Colírio, viu? E pros leitores do MdOM, saibam que o trabalho que este blog faz é essencial no nosso mercado. Aqui não é (só) bagunça, não! Abraço a todos, se inscrevam no canal e deixem o seu joinha aqui embaixo pra ajudar o can…

MdOM- Ouviram, ele né? Para acessar o Video Quest, é só clicar aqui para ir direto para a página do portal Genkidama ou aqui para ir logo para o canal no YouTube.

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8 comentários em “Mais de Oito Mil Entrevista… Leonardo Kitsune, do canal Video Quest

  1. gosto muito do trabalho do kitsune , e sinto saudades do tempo VQ comentando os capitulos do incrivel BLEACH

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  2. Poxa,bem daora a entrevista! Lembro que curtia muito o canal a uns aninhos atrás, mas tinha parado de acompanhar por causa de batatas.Hora de voltar a ver, me deu até uma nostalgia agora. XD

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  3. Adoro o Vídeo Quest, dahora se a Mara fizesse uma participação algum dia.
    O canal merecia 300x mais inscritos, mas tb deve ser legal ter um público fiel como ele tem. Ontem mesmo tinha um cara dizendo q ia mandar 500 conto pro kitsune e ele conheceu o mano e falou q ele era das antigas (claro q o cara não mandou o dinheiro mas é outra história).
    O Urso tb é uma figura folclórica ímpar, q transcende o canal e faz, na minha opinião, a melhor dupla do YouTube ao lado do Kitsune.
    Enfim, parabéns pela entrevista, pelo blog e pelo canal e obrigado por fzr nossos dias mais alegres nesse momento tão conturbado.
    Abraços do togashi trabalhador

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  4. Bom, por essa não esperava, mas olhaí o Kitsune mais uma vez. É notável ver como os vídeos dele melhoraram e todo mundo amadureceu nesses 5 anos. Entrevista bacanuda, mais uma vez.

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