Meu Passado Otaku

Meu Passado Otaku – Seria Bambuluá o grande seriado tokusatsu brasileiro?

Muitas pessoas acham que a invasão da Grande Nação Japonesa no Burajiru ocorreu em 1994 quando a Manchete introduziu um anime velho pra caralho que vem sendo requentado até hoje. Ledo engano, Leda Nagle. Os animes surgiram já nos anos 60/70 por aqui e faziam muito sucesso. No entanto, nos anos 80, quem atraia a atenção da mídia eram os seriados tokusatsu, aqueles lá de heróis mascarados, produção capenga e muitas explosões em uma pedreira. Changeman, Jaspion e o ninja Jiraya mudaram para sempre o conceito de heróis, e seu legado continuou nos anos 90 com o americaníssimo Power Rangers. Isso quer dizer que o nosso país ficou de fora da tentativa de emplacar um seriado tokusatsu? Claro que não! Em meados dos anos 2000, a Rede Globo penhorou todas as fantasias a TV Colosso para conseguir levantar dinheiro para seu projeto mais ambicioso: UM TOKUSATSU NACIONAL. Vamos relembrar hoje o icônico BAMBULUÁ.

No meio de 2000, a Globo separou um terreninho no Projac e prometeu para Angélica que ela iria ganhar um programa grandioso. Cansada de ser humilhada diariamente com a exibição dela cantando e dançando a abertura de Digimon Adventures, a loira topou na hora o projeto. Iniciou-se então a construção de uma cidade cenográfica dos sonhos chamada Bambuluá, um local em que alternariam histórias de aventuras e desenhos animados ruins importados da Fox Kids exibidos numa emissora fictícia chamada TV Globinho.

Para a parte da ficção, a Globo convidou os autores Julio Fischer e Claudia Souto para criarem aquele que seria o primeiro seriado tokusatsu do Burajiru, fortemente inspirado em Power Rangers. E quem duvida que esses dois tinham um pezinho na Cultura Mais Rica é só ver o currículo deles: Julio atualmente escreve a novela Sol Nascente e Claudia fazia parte da equipe por trás da novela Morde & Assopra que misturava dinossauros com o Japão. Nascia então Bambuluá, o tokusatsu que não tem fotos em qualidade boa na Internet:

bambulua-foto-geral

Bambuluá era exibida no meio da programação matutina em quadros de uns 10 minutos, sendo posteriormente compilados numa reprise torturante aos sábados de manhã. A trama não fica devendo aos mais clássicos tokusatsus da Grande Nação Japonesa e conta a história da apresentadora Angélica (interpretando ela mesma) que foi fazer um show de seu último CD na cidade de Bambuluá e que mal desconfiava que isso era um truque orquestrado pelo Senhor Dubem (que nome criativo). O mago revela que o show de seu último e decadente CD era apenas um pretexto para atrair Angélica para a cidade, pois eles estavam prestes a enfrentar uma crise agravada não pelo impeachment da autoridade, e sim pela tentativa de invasão do dominador da cidade de Magush, o maléfico Senhor Dumal (que… nome… criativo).

Angélica logo pensa que precisará usar um vestidinho verde e reencarnar a Fada Bela, mas o Senhor Dubem conta que ela está lá apenas para auxiliar os Cavaleiros do Futuro. Este é um grupo de crianças que vestem roupas coloridas com microfones de YouTubers, e seus poderem envolvem arremessar feixes de luz que eram o que o orçamento da Globo conseguia fazer depois de gastar uma fortuna para tirar Dragon Ball Z da Band. Cada uma tinha um poder especial baseado nos sete elementos: Sol, Luz, Vento, Eletricidade, Água, Magnetismo e Internet (sério).

“Mas Mara, sua blogueira implicante, você reclama até dos maravilhosos tokusatsu atuais! Aposto que os efeitos de Bambuluá não eram tão ruins assim!”

Claro que você leitor pensou nisso, e por isso fiz questão de providenciar GIFs animados das cenas de ação, todas filmadas em fundo verde e sem ninguém socando ninguém porque é a Globo produzindo:

bambulua-gif

bambulua-2-gif

Vocês podem falar que a Globo quis fazer um programa sem violência, mas na verdade ela estava bebendo inspiração do tradicional RPG japonês Dragon Quest em que vemos heróis e vilões atacando em planos diferentes. Que homenagenzona, né não? No entanto, nem eu consigo inventar qualquer explicação possível para explicar a qualidade da CG do Senhor Dumal, este que é quase a vida passada de Dollyinho atuando como vilão de tokusatsu:

bambulua-senhor-dumal

Ok, temos uma cidade lúdica em apuros, um grupo de crianças que lutam, um porco em CG de Saturn… e onde entra a Angélica? Simples, caro leitor, ela não serve para absolutamente nada na história. Ela é apenas uma figura importante na trama que não tem importância alguma além de ser mais famosa que todo o resto do elenco. Para ela não ficar tão avulsa assim na trama, eles colocaram ela para fazer par romântico com o robô maléfico Bruck, que logo é convertido para as forças do bem e se veste igual a um jedi:

bambulua-angelica-e-bruck

Porém, a Globo não contava com a repercussão nula da história e com a falta de talento de 97% do elenco. A saída então foi tirar do cu um arco de envelhecimento dos protagonistas os mandando treinar dentro do Cristal (que funciona como a Sala do Tempo do Dragon Ball Z) e assim começar uma nova fase em Bambuluá Shippuden com todo o elenco infantil trocado por adolescentes que falharam nos testes de Malhação. Se ficou bom?

bambulua-cavaleiros-pos-time-skip

Essa imagem do arco final com a Angélica trancafiada numa estrela frutuante em 2D e o Cavaleiro do Futuro verde suando na virilha por causa da temperatura do traje já indica que Bambuluá Shippuden era uma roubada sem tamanho. Eles botaram até o pipoqueiro e a professorinha da cidade numa roupa de guerreiro medieval pra batalhar numa pedreira no arco final:

bambulua-pedreira

Após o apressado arco final, a Globo aposentou a cidade de Bambuluá e transformou a TV Globinho na principal atração das manhãs, rendendo até hoje uma geração de milenials que não superaram a saída de Super Pig ou de horríveis temporadas de Digimon da televisão brasileira. E assim morreu o primeiro tokusatsu nacional, que é tão esquecido pela própria Globo que nem ao menos achamos fotos e informações no Memória Globo. Que tristeza.

Anúncios

17 comentários em “Meu Passado Otaku – Seria Bambuluá o grande seriado tokusatsu brasileiro?

  1. Que foda! Só uma dúvida: por que apareceu um anúncio de bolachas toddy pra mim?

    Curtir

  2. Cumequié, Rena? Tudo que achei nas internetes sobre “Tsebayoth” foi um mantra em hebraico que tem um vídeo cheio de efeitos de computação gráfica. Seria a esse vídeo que você se refere? Se for, dá mesmo de 10 x 0 na TV Globinho.

    (E, por sinal, se quiserem ver mais fotos de fantasias quentes que fazem suar na virilha, procurem a página de resenhas “The Agony Booth” e vejam as imagens do filme “Santa and the Ice Cream Bunny”!)

    Curtido por 1 pessoa

  3. Eu acho que tem todos os episódios dessa gloriosa produção global no Youtube, se alguém quiser se aventurar.
    Faltou a Mara comentar o ponto alto da série, a Angélica fazendo crossplay de um personagem masculino cantando Bate na Lata da Bande Beijo,

    Curtir

  4. Angélica sempre participava de tranqueiras Dona Mara. Colocar ela como principal de algo seria tiro no pé tipo o filme Escola Atrapalhada (filme dos Trapalhões nos quais o quarteto só fazia pontas). Ver ela fazendo par romântico com o Supla foi o auge da carreira:

    http://filmesparadoidos.blogspot.com/2013/10/uma-escola-atrapalhada-1990.html

    Também teve o Zoando na TV (o melhor filme dela):

    Bambuluá foi ruim demais, pior que Caça Talentos (que era trash, mas não se levava a sério). Até Chiquititas (1 versão) era melhor produzida.

    Ninguém comparou os Cavaleiros do Futuro com os Combo Rangers.

    Curtir

  5. Valeu pelo vídeo, Dona Rena! Não sabia que podia colocar linque por aqui (normalmente as seções de comentários vetam por causa do potencial para spams gerados por robôs).

    Já que pode, então, eis a página de que falei, sobre um filme do Papai Noel rodado em pleno verão:
    http://www.agonybooth.com/santa-and-the-ice-cream-bunny-1972-part-3-850

    E a foto específica da fantasia de virilha suada (essa foto vai te assombrar pra sempre…!):

    Curtir

  6. Mara, comente sobre a “brilhante” assinatura do Kanzenban de CDZ que a JBC liberou por mais de mil reais pagos de uma vez para recebermos o mangá bimestralmente por volta de 4 anos (se a editora não falir e nem o título for cancelado). Chega a ser bizarro!! Por que não lançar a coleção toda em um box bonito então se há a opção de pagar “mil e tra lá lás” de uma só vez? _ _ “

    Curtir

  7. Esse Zoando na tv tem algum valor gourmet pelo menos?

    Na verdade eu nunca assisti lol

    É trashão que fica meio termo entre filme dos Trapalhões e Xuxa pós anos 2000. Não chega a ser um filme tipo Sonho de Verão (aquele com pretexto de colocar as Paquitas de biquini) em politicamente incorreto.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s