Problematizando o ensino atual através de Assassination Classroom

14 nov

Essa é a terceira vez que faço um post problematizando algum aspecto de alguma série e só de ler essa palavra aposto que muitos leitores já começaram a digitar no campo dos comentários que sou uma ~feminazi que quer que o mundo mais chato e que quer a censura~, quando na verdade até mesmo uma capivara consegue entender que a problematização quer apenas que pensemos sobre algum assunto, e não que o persigamos com tochas e ancinhos como se fosse no tempo da caça às bruxas. Dito isso, vamos falar sobre esse mangá que é publicado pela Panini aqui no Brasil, o Assassination Classroom (sem spoilers, tá? Pode ler à vontade).

assassination-classroom-panini

A história do mangá é mais fácil do que a Nintendo mandar derrubar romhacks de Pokémon: existe um monstro amarelo parecido com um polvo que destruiu parte da lua e que anunciou o mesmo destino para a Terra. Aí ele aproveita e diz que será professor da turma 3-E da Escola Kunugigaoka e agora seus alunos têm a difícil tarefa de matar esse docente com poder de velocidade que alcança Mach 20. Pronto, só isso.

Por trás de um nome enganador e de uma proposta apenas bacaninha, Assassination Classroom esconde embaixo de seus tentáculos uma discussão maravilhosa sobre ensino. A Escola Kunugigaoka funciona através de uma metodologia de ensino criada pelo diretor Asano em que todos os alunos são ranqueados em suas avaliações, e os melhores alunos ficam na turma A, os de notas menores na turma B e assim indo até chegar a Turma E. A questão é que, para incentivar que os alunos estudem um monte, é institucionalizado que ocorra uma humilhação pública à turma E, com todo o tipo de bullying possível (falta só obrigar os alunos a lerem o mangá de Toriko). A turma dos exilados é distante inclusive geograficamente, pois as regras dizem que eles precisam assistir às aulas em um prédio caindo aos pedaços no topo de uma montanha, a uns 20 minutos de caminhada do prédio principal da escola.

assassination-anime-alunos

Embora mostrado como uma grande caricatura, o método educacional do diretor Asano tem muitas características que vemos no ensino atual. Quando eu era mais nova e estava no Ensino Médio (numa época que nem era chamado de “Ensino Médio”), minha escola pública decidiu dividir os alunos pelas salas usando a mesma proposta de Assassination Classroom: a turma A ficava com os mais inteligentes no ranqueamento do ano anterior e a turma I tinha só a nata dos alunos com piores notas. Preciso nem falar a alegria dos professores em darem aulas para as turmas de letras mais baixas, né?

Outra faceta interessante do método de ensino de Asano é que ele considera os alunos uma grande bacia na qual você pode enfiar cada vez mais conhecimento. Tanto que, em certos momentos da série, Asano incentiva que seus alunos aprendam conteúdo do Ensino Médio para que sejam superiores aos outros. Esse método, que já foi definido por Paulo Freire da mesma forma, é basicamente o que vemos nas salas de aula do Brasil e até mesmo nos ~inovadores~ cursinhos: chega o professor, solta todo o conteúdo e cada um que se vire para acumular aquele tanto de conhecimento que logo vai desaparecer por falta de utilidade na vida após o vestibular ou concurso público. Escola virou praticamente uma gincana de absorção de conteúdo.

asano-koro-sensei

De um lado temos Koro-sensei num treino ninja, do outro o diretor Asano

Mas se o autor de Assassination Classroom coloca este método de ensino como o “errado“, qual é o “certo“? Bem, é o praticado pelo monstro Koro-sensei. Lecionando para uma turma que ninguém bota muita fé, Koro-sensei se especializou em ensinar de forma quase particular, conhecendo bem as habilidades e talentos de cada aluno e preparando uma metodologia única para cada um (claro que sua velocidade Mach 20 ajuda nisso). Sem contar que ele considera que qualquer atividade lúdica ou tarefa (como seu próprio assassinato) sempre pode ser usado para os meios educativos. Com Koro-sensei, tudo tem um propósito na vida da pessoa que ela poderá usar no futuro no que decidir fazer.

O nosso atual método é baseado em conceitos do século XIX (veja uma escola do começo do século passado na foto abaixo e perceba que ainda é igual ao modelo de hoje) e já nem acompanha as mudanças bruscas na sociedade. O celular, por exemplo, é proibido em muitas escolas quando, na verdade, poderia ser usado como uma forma de melhorar o aprendizado. O mesmo pode se dizer a respeito da utilização da mídia como forma de ensino, inclusive para se ensinar os alunos a terem uma análise crítica do mesmo. O que se tem como unanimidade é que o ensino como está atualmente não funciona, e que devemos buscar uma forma de ensinar de uma forma diferente. E, por coincidência Koro-sensei se assemelha muito à tentativa de se buscar uma nova forma de ensino que ocorre há anos no meio acadêmico, em que há um tratamento horizontal na sala de aula, com o professor aprendendo com as experiências dos alunos e vice versa.

escola-seculo-20

Um Koro-sensei do começo do século XX

Isso quer dizer que a educação pode ser resolvida se mudarmos completamente a educação para o que se estuda nesses novos cursos ou então se aproximar do que o Koro-Sensei faz em Assassination Classroom, certo? Bem, não é assim. Embora o mangá mostre qualidades impressionantes no método de ensino de Koro-Sensei, não podemos esquecer que ele faz isso apenas porque é um monstro com velocidade Mach 20. Mais fora da realidade ainda é imaginar que os professores devem ter MAIS TRABALHO para que a educação vá pra frente, enquanto não se investe o necessário na educação (não só esse Governo como o anterior, e o anterior, e o anterior…) e se mantém uma mentalidade de dois séculos atrás.

Uma das coisas mais interessantes de Assassination Classroom é que a série faz algo que quase nunca vemos nos mangás ou na própria mídia: uma valorização da profissão professor. Porque, né… a Shonen Jump está aí há décadas publicando mangás das mais diversas profissões, esportes ou guerreiros que têm talentos próprios e que vão salvar o mundo… mas quantos professores protagonistas vemos nos quadrinhos? Por que só vemos mangás de médicos, advogados, engenheiros, escritores etc e não dessa profissão importante? Querendo ou não, representação na mídia ajuda sim a incentivar novas gerações a decidirem por determinados esportes e profissões (lembre como Captain Tsubasa proliferou o futebol no Japão).

classroom-assassination

O mote da Shonen Jump é a amizade, mas nos mangás os protagonistas sempre resolvem as situações basicamente sozinhos. Precisou vir um mangá de comédia com um pouco de ação para mostrar que embora seja importante se valorizar o talento pessoal que todos temos, apenas com o trabalho em equipe e esforço mútuo é capaz de se mudar alguma coisa na sociedade. E, para que tudo isso aconteça, é fundamental a orientação de um professor. Seja esse professor um monstro amarelo superveloz ou apenas um professor ensinando num colégio caindo aos pedaços por falta de investimento.

41 Respostas to “Problematizando o ensino atual através de Assassination Classroom”

  1. Malafaia 14/11/2016 às 10:12 #

    Esse lugar já foi melhor.

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  2. Gabriel O. 14/11/2016 às 10:26 #

    Como futuro professor, agradeço por fazer essa publicação. Muito bem feita

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  3. Daniel Fernandes 14/11/2016 às 10:30 #

    Gostei muito da crítica, certamente, me interessei em ler o mangá.

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  4. yurihenschel 14/11/2016 às 10:37 #

    Bem maneiro debater esse subtexto. Ainda não tinha me ocorrido esse insight que o autor trabalha as três forças motrizes da antologia WSJ (amizade, esforço e vitória) sob uma perspectiva que não visa o benefício e aperfeiçoamento próprio como vários battle shounen, mas sim empregar as habilidades do Koro-sensei como agente difusor de conhecimento e superação dos problemas individuais dos personagens que o cercam. A propósito, há um tempo no AoQuadrado saiu um texto muito bom a respeito também.

    https://aoquadra.do/2014/07/17/rodape-assassination-classroom-e-a-escola/

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  5. Ana Clara Campideli 14/11/2016 às 10:48 #

    Adoro seus posts de problematização, Mara. Faz mais pros omicishet chorar kkk

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  6. Frango com Farofa 14/11/2016 às 11:00 #

    É um círculo vicioso

    Não investem em educação -> O povo não tem instrução pra questionar -> Quem questiona é ridicularizado e desestimulado -> A educação não melhora

    Não vejo solução para nós.

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  7. magodometal 14/11/2016 às 11:03 #

    Otimo artigo, seus textos de problematização continuam não decepcionando (fiquei interessado em assistir esse anime). Parabens!

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  8. Douglasde Almeida 14/11/2016 às 11:09 #

    Bom texto, parabéns!

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  9. Kurisu 14/11/2016 às 11:40 #

    Gostei do texto, mas não gostei do “falta só obrigar os alunos a lerem o mangá de Toriko”, Que bem que tá uma merda mesmo.

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  10. Marco Rei Do Mundo, outros nem do mundo 14/11/2016 às 11:48 #

    Eu simplesmente adoro esse blog, sério, meu parabens e o post foi muito bom <3

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  11. Apo 14/11/2016 às 12:15 #

    Interessante que a Sra. cutucou Paulo Freire: um indivíduo muito idolatrado pela esquerda. Mas esse método nem é tão antigo quanto se pensa, já vem sendo aplicado por aqui desde 1963. A educação Brasileira vem se deteriorando desde então.

    A Sra. só comete um erro: professor não é educador. Isto corresponde aos pais.

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  12. Apo 14/11/2016 às 12:18 #

    Agora que vi uma contradição: a Sra. defende o construtivismo, então não é muito diferente de Paulo Freire.

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  13. ALBN 14/11/2016 às 12:40 #

    Muito bom o texto, tá de parabéns.

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  14. Carlos Lustosa (@caslusfilho) 14/11/2016 às 12:42 #

    Muito bem Mara! Ótimo post e pode problematizar mais.

    Os antipaulofreire pira.

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  15. Takao 14/11/2016 às 13:59 #

    Spirit Cooking

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  16. Mithsiel 14/11/2016 às 14:48 #

    E quando finalmente surge uma proposta de melhorar um ensino médio decadente, fazendo com que os alunos possam estudar suas áreas de interesse (algo que, olha só, é feito em todos os outros países que tem um ensino melhor que o brasileiro), os desocupados começam um monte de ocupações, prejudicando vários alunos. Tudo isso porque querem que tudo continue como sempre foi.

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  17. Ju Renze 14/11/2016 às 15:37 #

    “O mote da Shonen Jump é a amizade, mas nos mangás os protagonistas sempre resolvem as situações basicamente sozinhos. Precisou vir um mangá de comédia com um pouco de ação para mostrar que embora seja importante se valorizar o talento pessoal que todos temos, apenas com o trabalho em equipe e esforço mútuo é capaz de se mudar alguma coisa na sociedade. E, para que tudo isso aconteça, é fundamental a orientação de um professor. ”

    tipo rookies?

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  18. Igor Lunei (@igorlunei) 14/11/2016 às 15:39 #

    Belo post.

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  19. Clay neto 14/11/2016 às 15:46 #

    GTO faz a discussão da pedagogia muito bem também

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  20. Júnior Pessoa 14/11/2016 às 16:07 #

    Mara, sua otaca gorda!! Agora vou ter que assistir essa série que vi alguns episódios e achei bem meh só por causa da analogia ao ensino… Obrigado, de nada!

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  21. Jasque 14/11/2016 às 16:43 #

    Mas os coitadinhos de 15 anos não tem como decidir o que eles querem aprender, segundo a Ubes que bolou essas ocupações.

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  22. Astron(ã)omia (@caiquepls) 14/11/2016 às 16:44 #

    Você é ~feminazi que quer que o mundo mais chato e que quer a censura~ aaaaaaaa

    Well, agora vou ter que ler essa bagaça que tanto enrolei para.
    Bom post, Mara.

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  23. hakeruchan 15/11/2016 às 10:27 #

    Mara, sua linda, um beijo!

    Eu nunca me interessei por Assassination Classroom, mas depois desse post fiquei até com vontade de ler/assistir.

    Também sou do tempo que o Ensino Médio ainda não tinha esse nome. E nessa época eu já questionava o método de ensino, os cursinhos e o próprio vestibular. Ninguém me entendia e eu passava quase por louca. Alguns até podem achar que quem questiona era/é porque era/é um aluno ruim e que por isso não conseguiu/não vai conseguir passar num vestibular… mas meu caso era exatamente o contrário. E acho que por isso mesmo as pessoas não entendiam como uma boa aluna podia achar que aquilo tudo estava errado.

    Eu nunca achei saudável pro corpo e pra mente o estilo de ensino que colocam goela abaixo na gente, especialmente quando o vestibular se aproxima. Mal eu entrei no primeiro ano e a pedagoga (?) entrou na sala pra falar de vestibular, de simulados, pra sugerir que fizéssemos cursinhos. E alguns colegas meus fizeram cursinhos, estudavam 12 horas por dia e os pais falavam disso com orgulho… enquanto que a minha mãe dizia que eu não estudava nada a mais em casa; além de louca, eu ainda era a pedante que não estudava.

    Mas pra mim, era uma questão de acumular conhecimento aos poucos, não engolir tudo de uma vez em aulas maçantes e que nem te dão tempo pra respirar. Eu não funciono assim e creio que a maioria das pessoas também não, mas acho que elas são feitas a acreditar que é assim que funciona; que a única forma de passar num vestibular/concurso/ENEM ou ter boas notas é passar noites em claro estudando, deixar de ter lazer e às vezes até de se alimentar. E reportagens exaltando alunos que passam em vestibulares concorridos seguindo esse método também não ajudam nem um pouco, só reforçam ainda mais esse conceito.

    E com a força e o dinheiro que os cursinhos mais badalados possuem, acho que nem tão cedo vamos ter uma discussão séria sobre mudanças no ensino no Brasil.

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  24. phmmoura 15/11/2016 às 11:11 #

    Uma coisa que combinaria com a matéria seria falar do que aconteceu em Denpa Kyoshi. O principal é um professor e no decorrer da história ele desenvolveu um aplicativo que tinha um banco de dados com as perguntas mais frequentes dos professores do colégio (acho que tinha mais coisas, mas não lembro direito). Assim os alunos não precisavam ficar estudando tudo e usavam o tempo extra pra focar no que queriam ser.
    Apesar de não ser uma mudança no ensino, ele mostrou que o foco da escola era apenas os teste.

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  25. Eduard Santos 15/11/2016 às 12:46 #

    Mara, muito interessante este post. Eu já havia feito a mesma reflexão durante meu estágio no curso de História Licenciatura. Na época recém havia começado a ler Assassination Classroom e a proposta do mangá casou muito bem com o que eu imaginava de prática docente.

    Sou formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande e no ultimo ano da graduação uma das cadeiras é o Estágio, 20 horas no fundamental e 20 no médio. No Ensino Médio eu procurei uma escola localizada na periferia da cidade. Conversando com a professora de História da instituição, fiquei sabendo que a unica turma que havia vaga para um estagiário seria a 1E (puta coincidência ser a turma E). Era uma turma recém formada por causa de excesso de alunos nas outras, constituída de muitos repetentes. Aceitei o desafio. Foi uma das melhores experiências da minha vida, sem dúvida. Para além de alunos repetentes, haviam ali adolescentes com uma forte necessidade de companhia e de carinho, desamparados de tudo. Eu apenas tratei de estabelecer laços com eles e, ao fim do estágio, eles estavam fazendo pressão na escola para que eu virasse efetivo de lá, sem contar que eram abraços todos os dias e uma alegria quando chegava a hora da minha aula. E atesto que, embora a experiência tenha sido diminuta, suas notas melhoraram.

    Nosso sistema de ensino está falido e o que se vê para o futuro é triste. O ensino publico, com a aprovação da tal PEC, está em vias de acabar, na medida que será sistematicamente precarizado. Outras propostas, como a reforma do EM e a Escola sem Partido são pregos para fechar o caixão. O que teremos daqui em diante será um ensino em vias de privatização e totalmente controlado para formar mão de obra ao sabor do mercado. É triste mas, na vida real, temos mais tecnocratas Asano’s do que Koro-senseis.

    OBS: coleciono o mangá pela Panini e a iniciativa do autor no Japão, onde ele criou diversos materiais didáticos a partir da fama de AC, é sensacional.

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  26. cirovisqui 15/11/2016 às 15:14 #

    @ Apo, sua leitura de mundo é tão enviesada que você nem entendeu o texto dela. Ela concordou com o Paulo Freire na crítica a educação bancária. Tal crítica consiste em questionar o modelo de ensino que vê os alunos apenas como depósitos de informação, e entende que + informação = + conhecimento. O que Paulo Freire coloca, e que Mara explica com suas próprias palavras é que o conhecimento desligado da realidade do educando não é um conhecimento capaz de mudar sua a realidade. É para isso que o conhecimento “serve” em Paulo Freire, para mudar a realidade.O mudar a realidade, transforma-la, é um próposito humanista defendido não só por Paulo Freire, mais por diversos filósofos humanistas que muitos aprender a arrotar mais sem entender o que os caras estão realmente querendo dizer.
    E mais, Paulo Freire foi exilado durante a ditadura militar. suas obras foram proibidas de serem publicadas no brasil até a reabertura em 80, que é o período em que ele fica popular no Brasil. Na década de 90, sua popularidade já cai em prol de diversos pedadogos europeus que estão na moda até hoje. Se você for procurar nos cursos de licenciatura e pedagogia, verá que Paulo Freire nem de longe é o Pedagogo mais popular no cursos superiores no Brasil.
    Trocando em míudos: pare de tirar informações do cú e vá estudar.

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  27. Lucas Santana 15/11/2016 às 21:33 #

    Eu como estudante de Pedagogia tenho um carinho enorme por essa obra. Assim como tenho também por GTO, Kamen Teacher, Zetsubou Sensei, aquele do professor com mão de demônio, séries que tenham professores como principais :)

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  28. Apo 16/11/2016 às 08:37 #

    @cirovisqui Paulo Freire e construtivismo são tão bons que são a base da nossa educação atual. Tanto é que há doutrinação ideológica em cima o que Paulo Freire claramente fazia em sua obra Pedagogia do Oprimito.

    Em minha nada-modesta opinião, os itens que deveriam fazer parte de um ensino obrigatório são: ler, escrever, fazer as quatro operações mas um pouco de história e geografia, sem muita decoreba nem manipulações ideológicas, ajuda ao aluno entender onde ele está e por que as coisas hoje são assim.

    Um pouco de ciência também é importante para situá-lo no universo e entender como as coisas funcionam.
    Pode ajudá-lo a escolher uma profissão e, até certo ponto, o protege de charlatões.

    Se esforçar para adquirir esses conhecimentos formata a mente, mesmo que os conhecimentos em si ou, pelo menos, os detalhes, sejam esquecidos. A mente alarga e não se estreita de novo.

    Seria como frequentar uma academia: você faz muita força levantando pesos que depois voltam para o chão, corre muito sem sair do lugar, mas fica mais forte. Seu objetivo não era realizar algum trabalho, mas desenvolver os músculos.

    O esforço que você fez para entender geometria, por exemplo, vai lhe dar uma compreensão diferente das coisas, mesmo que você se esqueça da definição de “triângulo escaleno”.

    Sem falar em que você vai passar a saber que tais assuntos existem e poderá pesquisar por eles no futuro se vier a precisar do conhecimento, diferentemente de quem nem sabe que aquilo existe ou é possível.

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  29. Jasque 16/11/2016 às 15:19 #

    Preparar pro mercado de trabalho não é formar peões.

    Pra mim a escola no mínimo tinha que ensinar um pouco de economia, investimentos, empreendedorismo e contas públicas.

    Até constituição ajudaria também, pra galera não ser enganada por doutrinadores que ficam dizendo que cumprir a constituição é golpe. Mas aí já não é problema só daqui, vide nos EUA o povo se revoltando contra o resultado de uma eleição democrática realizada dentro das regras.

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  30. Apo 16/11/2016 às 15:33 #

    Sendo que @Jasque lá nos EUA eleição não é obrigatória. Então se não gostaram de quem foi eleito ao menos deveriam ter ido lá expressar sua vontade.

    Reclamar quando não vota ou vota nulo não adianta muita coisa.

    No mais, concordo que ensinar economia seria bem necessário.

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  31. The Fool 16/11/2016 às 16:47 #

    Meu Deus cara, que texto lindo! Adorei! <3

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  32. ranze 17/11/2016 às 06:46 #

    Fascinada pela bizarrice de alguns desses comentários (que nada têm a ver com o post, que é bem bom). Impeachment de Dilma: maravilha 100 por cento. Americanos protestarem contra Trump: não pode porque ele venceu democraticamente e portanto quem é contra as políticas racistas e misóginas dele deve ficar calado por quatro anos… mas oi?

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  33. ranze 17/11/2016 às 06:50 #

    (Por sinal, acho que você devia investir no desenvolvimento de uma tecnologia de detecção/filtro de coxinhas nos comentários, Mara. Se bem que esse povo tem até certo valor cômico não intencional às vezes!)

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  34. Apo 17/11/2016 às 07:47 #

    – Legal falar de racismo enquanto seu amiguinho Obama foi responsável por isto:

    memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2010-11-16/obama-e-recordista-em-deportacoes-de-imigrantes

    E o marido de Hillary deixa isto ser criado no mandato dele:

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_fronteiri%C3%A7o_Estados_Unidos-M%C3%A9xico

    Eles são livres pra protestar, realmente. Mas quando as eleições rolavam eles não foram lá expor sua vontade democrática nas urnas. No mais se ele escorregar e houver pressão popular além de perda de apoio dentro do governo vai ser deposto obviamente que nem sua amiguinha Dilma.

    Acho legal quando se discute ideologias, a gente vê como são as pessoas quando forjam imparcialidade.

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  35. Apo 17/11/2016 às 07:54 #

    Mais uns vídeos do meu canal coxinha para o pessoal aqui se deliciar:

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  36. Eduard Santos 17/11/2016 às 13:50 #

    “Não queremos doutrinação”.

    “Queremos que seja obrigatorio o ensino de empreendedorismo e economia (liberal, óbvio)”.

    Vão carpi um lote, ta louco. Profundidade de um pires esses comentários.

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  37. Apo 17/11/2016 às 15:23 #

    Claro porque comunismo e socialismo deu super certo e Cuba esta aí pra nos provar.

    KKkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj

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  38. wesley@DN 19/11/2016 às 21:00 #

    Muito bom o post Mara, aguardando o proximo problematizando.

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  39. Davi Moreira do Nascimento Silva 23/11/2016 às 23:47 #

    O texto é bom, porém eu vejo problemas sérios com a problematização. Problematização é a forma como Foucault descrevia suas análises. Se a análise foi feita sob a ótica da filosofia do mesmo, ela cai em um niilismo estúpido promovido por ele. Em relação ao texto, de fato o nosso modelo educacional é antiquado e deve ser atualizado. Ao meu ver, um dos maiores problemas da educação atual é despejar toneladas de conteúdos nos alunos, mas não explicar à eles os processos que foram utilizados para obter tais conhecimentos. Também falta aos alunos o aprofundamento no método científico, que é o melhor método para se conhecer à realidade. O que os melhores educadores fazem, é ensinar os alunos a pensar de forma científica e a compreenderem os acontecimentos do dia a dia à luz da ciência.

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  40. Apo 24/11/2016 às 12:44 #

    Todo esse esplendor da ditadura do politicamente correto não está acontecendo por acaso. Tudo foi cuidadosamente pensado, planejado e executado pacientemente, durante décadas — como um incessante trabalho de formigas — pela esquerda em todo o mundo. O campo inicial da batalha foram as escolas, as universidades e a mídia.

    O ideólogo mundial supremo foi Antonio Gramsci. No Brasil, Paulo Freire e sua “educação libertadora” deram o impulso adicional.

    Segundo Gramsci, a revolução não deveria ocorrer por meio das armas, mas sim pela deformação da mentalidade das pessoas, começando pelos jovens. Gramsci acreditava que a tomada do poder pelos revolucionários de esquerda deveria ser antecedida por mudanças de mentalidade, sendo que os agentes dessas mudanças deveriam ser os intelectuais e a ferramenta essencial deveria ser a escola.

    Enquanto a maioria dos pensadores marxistas enfatizava as relações entre economia e política, Gramsci deu maior importância à ação ideológica nos campos da educação e da cultura para fazer todo o processo de transformação. Para Gramsci, as escolas deveriam ser manipuladas para alcançarem aquilo que ele denominou de “elevação cultural das massas”, o que faria as populações se libertarem de uma visão de mundo baseada em “preconceitos”, “tabus” (a religião seria um deles) e “costumes tradicionais” – os quais impediriam a “crítica cidadã” às “classes dominantes”.Para diluir o impacto de sua mensagem, Gramsci adotou uma linguagem cifrada, repleta de conceitos originais, como ‘bloco histórico’, ‘intelectualidade orgânica’, ‘sociedade civil’ e ‘hegemonia’.Paulo Freire e sua “pedagogia do oprimido” intensificou essa abordagem – embora utilizasse outros métodos – no Brasil.

    Você está cansado da mídia tradicional progressista? Seu filho está sendo doutrinado nas escolas? Você é um “universitário reacionário” e está sendo perseguido por seu professor?Neste artigo, o professor Ubiratan Jorge Iorio traça um panorama de toda a ascensão da ditadura do politicamente correto, mostra quais são suas raízes e, principalmente, sugere o que você deve fazer para contra-atacar.

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2574

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  41. Julia 26/11/2016 às 08:04 #

    Querer respeito não é ser de esquerda.

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