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Yo-kai Watch será meio-tanko e os otaquinhos já surtaram um monte

Um dos sites favoritos da Imprensa Especializada (pff) é o Liga HQ por causa dos spoilers de lançamentos que dão. Isso porque eles colocam mangás em pré-venda lá e algumas vezes conseguem vazar coisas que as editoras ainda não anunciaram. Pois bem, a loja colocou no ar a pré-venda de Yo-Kai Watch, a nova promessa da Panini, e uma coisa chamou a atenção da otakada. IKIMASU ver?

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Claro que a princípio as pessoas devem ter comentado “A PANINI EH MARAVILHOSA ELA LANÇA MANGAS MUITO MAIS BARATOS EM QUALIDADE SUPREMA E MARCAPAGINAS CHUPA JBC”, até que alguém deve ter se tocado que o preço estava baixo demais até mesmo para a Panini que pode segurar uns prejuzinhos com altas vendas. Aí tudo ficou claro: o mangá de Yo-Kai Watch no Burajiru será lançado em formato MEIO-TANKO, ou seja, metade de um volume normal que vemos nas bancas.

Obviamente isso foi um grande choque de realidade para os otaquinhos, que se sentiram abandonados pela Panini e começaram a cantar essa maravilhosa canção em seus Twitters e posts indignados em grupos de Facebook:

(Talvez eu tenha forçado o comentário só porque queria postar esse vídeo em algum momento)

Todo esse furdúncio rolou porque, desde o final do mandato de Negima, os brasileiros NÃO ACEITAM o meio-tanko. Entre as críticas dos otaquinhos está que o mangá não está a metade do preço de um tanko normal, que a qualidade dos meio-tankos é ruim, que isso vai deixar a coleção feia e que ninguém vai comprar. Todo o chororô me fez pensara um pouco sobre essa demonização dos meio-tankos no Burajiru.

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Vamos lembrar que o formato surgiu no começo dos anos 2000 e era aplicado em todos os mangás com um simples objetivo: deixar o negócio barato. Por muito tempo, os quadrinhos japoneses eram os mais baratos da banca (tirando os gibis da Monica), afinal na época a Abril estava comendo o pão que o Dabura amassou com versões de luxo na faixa de sete reais dos quadrinhos de heróis. Mangá era um quadrinho acessível e isso ajudou no seu sucesso. Depois que a JBC inaugurou o formato tanko com o finado X, o colecionismo dos otaquinhos começou a apitar mais forte e eles queriam cada vez algo mais de nicho, com o máximo de fidelidade com o mercado da Grande Nação Japonesa.

Curiosamente, essa desculpa de “queremos as coisas igualzinhas às do Japão”  é uma desculpa usada apenas quando é conveniente, afinal muitos mangás do Burajiru foram lançados em formatos que não têm nada a ver com os originais e ninguém reclamou disso. O JBC Big, por exemplo, foi criticado pelo preço, mas não por ser a junção de dois volumes japas. Ou seja, pra deixar mais caro e mais de colecionador pode, para popularizar não rola.

O grupo dos otacos tem agido cada vez mais como um nicho que não quer que sua gíria se espalhe. Desde a preferência pelos ~intraduzíveis~ honoríficos até volumes com offset 500g e orelhas cortadas à mão, o que importa é que o quadrinho que eles gostam seja menos acessível a pessoas. Afinal, ainda se mantém o medo da coisa virar uma modinha.

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Isso sem contar que está faltando falar a maior verdade desse rolê, que vou escrever em caps lock e botar em negrito e itálico: YO-KAI WATCH NÃO FOI FEITO PARA VOCÊ QUE POSTA FOTO DE LOMBADA TORTA EM GRUPO DO FACEBOOK, FOI FEITO PARA CRIANÇA E É PRA ELAS QUE A EDITORA TEM QUE PENSAR EM VENDER. Você pode até comprar, nada te proíbe, mas não muda o fato que a estratégia da Panini é pegar um público que tá pouco se fodendo para colecionismos, honoríficos e que tem um orçamento ainda mais limitado que você.

Concluindo o assunto, gostaria que acabasse essa demonização do meio-tanko. Em alguns casos ele pode ser útil (Yo-Kai Watch, por exemplo, ganha dois volumes inéditos por ano e saiu até o 8, meio-tanko vai servir pra render mais), fora que o preço mais acessível pode trazer mais pessoas para os mangás, aumentando a chances de virem mais títulos.

Engraçado que o pessoal reclama que nenhuma editora lança JoJo porque não tem público de mangá pra comportar esse evento, mas ao mesmo tempo é contra qualquer iniciativa que traga novos leitores.

***

[ADENDO] Um leitor fez um comentário pertinente relembrando minhas críticas ao formato de Super Onze da JBC nesse post de 2013. Achei que valia a pena dizer que, assim como o próprio mercado mudou, minha opinião sobre o assunto também. Não sou teimosa a ponto de dizer que discordo de algo que eu mesma disse, e a falta de sucesso do Super Onze pode ter sido também porque o anime tinha passado faz tempo. Vamos ver agora que o mangá vai casar com a exibição de Yo-Kai Watch.

22 comentários em “Yo-kai Watch será meio-tanko e os otaquinhos já surtaram um monte

  1. O primeiro mangá que comprei foi um meio tanko de Evangelion. Era um valor ok e como era “fininho”, achei que não me arrependeria caso não gostasse da história. Apanhei para descobrir como era feita a leitura e no fim, acabei gostando. Para quem estava acostumada a ler gibi da Mônica e os lançamentos de mais páginas que podíamos ter eram os almanaques, foi uma descoberta muito legal, um “gibi sem cor que a gente lê ao contrário”. Seria ótimo que o público de mangás crescessem mais no Brasil e que assim a popularização dos animes voltasse. Tornar um mangá mais acessível hoje pode nos possibilitar isso mais pra frente.
    O otaku chorão de hoje foi o otakinho que escrevia Sasque Otirra ontem. Parem de reclamar e apoiem a iniciativa, se não for comprando, que seja calando a boca. Bjs.

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  2. Mas os otakinhos são burros. Todo o marketing envolvendo Yo-kai Watch é para o público infantil, desde a estreia do anime na Disney XD. Xora mais otaku

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  3. Sindrome de floco de neve especial é foda. Melhorem.

    O objetivo de 99% dos mangás é se espalhar pra todo mundo, não pra ficar guardado na sua estante. Bem vindo ao capitalismo.

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  4. @Tom Obrigada por ter mencionado isso. Coloquei um parágrafo a mais falando sobre o assunto

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  5. Concordo em gênero número e grau. E outra: revermos nosso posicionamento diante de um assunto é sinal do despertar de um olhar mais maduro e critico sobre algum assunto. Triste é essa galera que fica sonhando que animes voltarão a TV aberta sem cortes em horário nobre ou nas manhãs…

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  6. Adorei a novidade. Uma das minhas maiores preocupações com YW aqui no Brasil era o fato de ter pouca coisa lançada nele no Japão e a frequência lá ser pequena. Agora que será meio tanko, dará mais gosto de colecionar.

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  7. Eu não entendo o que faz uma pessoa como eu ficar cinco anos sem conseguir emprego nenhum (nenhum mesmo, fui recusado até para atendente de telemarketing) e a Mara, só ao pesquisar preço de mangá, já oferecem cinco pontos se ela escrever uma crítica.

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  8. “Obrigada por ter mencionado isso. Coloquei um parágrafo a mais falando sobre o assunto”

    Mudou de ideia, garoto ixxxxpertu… é do hebraico?

    Fica ai com o feminismo

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  9. Sei lá, não considero R$9 como preço acessível para uma revistinha em quadrinhos.

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  10. Eu quero mais é que mangá vire farofa e se espalhe. Modinha é bom pra ter mais gente comprando e até melhorando a qualidade do negócio, justamente pelo aumento nas vendas, seja tanko ou meio-tanko.

    PS: realmente acho que esse mangá podia ser mais barato. Só espero que não aumentem o preço nem tão cedo.

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  11. Daqui a pouco aproveitam a onda pra lançar mais mangás de pokémon e vai ter gente chorando.

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  12. Bom dona Mara isso é realmente algo inteligente: tem que ser algo barato pra a garotada poder colecionar. É um acerto da Panini de fato. Só acho que a mesma deveria aplicar a outros títulos também. Afinal Naruto tem uma certa popularidade aqui entre crianças pelo que vejo aqui:

    http://esconderijodokoi.blogspot.com.br/2016/07/mercado-de-mangas-onde-as-editoras-nao.html

    Mesmo que muitos reclamem que o tempo de animes na TV Aberta não volte, fica complicado vender um produto desse sem um apelo bacana em cima. Talvez a aquisição da série pela Netflix me engane, ou não.

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  13. Olá. Antes de qualquer coisa, parabéns pelos posts. Na verdade, acabei vindo parar aqui nem sei como. Normalmente analisaria o que o blog trata, e, nesse caso, em tratando-se de animes e mangás, fecharia a página. Mas, por algum motivo, resolvi ler os posts: Uma grata surpresa!
    Sua forma de escrever é muito descontraída, despretensiosa e engraçada. Gostei tanto que continuei lendo vários posts. Acho que você exagera um pouco ao dizer que o Japão é a terra com a cultura mais rica – definitivamente não é – e também acho que você poderia ter um pouco mais de zelo pelo seu blog; sério, esse blog, a primeira vista, parece aqueles sites largados aonde a gente faz download de séries americanas. Uma pena, pois seu blog tem conteúdo e merecia um pouco mais de cuidado, na minha opinião. Outro fato é que você poderia fazer um post sobre você, contando um pouco da sua vida, como você chegou até aqui, o que você faz atualmente, enfim, um pouco sobre você. É isso. Mais uma vez, parabéns.

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  14. Post arrasador, Marinha. Acertou a crítica no ponto dessa vez! Não costuma errar, né, mas essa ficou sensacional. Força aí!

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