Problematizando a transfobia em One Piece

13 abr

Assim como Naruto nas bancas brasileiras, a seção Problematizando aqui do Mais de Oito Mil já garantiu um espaço para voltar sempre. A repercussão do primeiro post sobre a objetificação das mulheres em Nanatsu no Taizai foi muito maior do que eu imaginava! Foram milhares e milhares de leitores que refletiram sobre as coisas que escrevi (ou que simplesmente prefeririam ignorar qualquer argumento coerente e me chamar de petista mal-comida pra baixo). Mas mantenho a seção viva, até porque o que não falta é mangá com coisa a se problematizar. Inclusive o queridinho da Shueisha, o gigantesco One Piece.

One Piece é uma obra de personagens estereotipados com muitos “mas”. Quer exemplo? As personagens femininas têm seus atributos avantajados para agradar ao público jovem punheteiro da Grande Nação Japonesa, MAS elas são construídas com uma boa profundidade e o Oda já deixou bem claro que as mulheres são tão importantes quanto os homens. Outro exemplo: assim como vários personagens, os homossexuais em One Piece são extremamente caricaturizados de forma quase ofensiva e sempre afetadíssima, MAS também ganham profundidade e se colocam num mesmo grau de importância dos protagonistas (vide o maravilhoso Bon Clay que sempre tá lá sambando na cara dos personagens com sua indefectível saia bufante e penteado atrevidamente exótico). Mas, afinal, há um problema com isso? Bem…

bon-clay

Uma coisa que existe no mundo e poucos percebem é que não sabemos como entender a dor alheia. Por mais que eu me esforce, nunca saberei entender o peso de algo racista pelo motivo que não sou uma pessoa negra. E com isso eu acabei quase caindo numa cilada e achando que One Piece era o topo da representatividade da sigla LGBT nos mangás shonen porque… né, o Bon Clay é maravilhoso e a Emporio Ivankov é uma transexual fodona. No entanto, me surpreendi ao ver que meu ponto de vista estava errado.

Curiosa para saber como era a aceitação dos personagens não-heteros entre os leitores da série, acabei caindo numa discussão no Reddit perguntando a opinião do pessoal LGBT sobre os personagens de One Piece. Quase toda a totalidade de gays, lésbicas, bis etc se mostrou favorável à eles, principalmente ao Bon Clay. Mesmo apontando os estereótipos e as caricaturas (aquelas pernas cabeludas formam uma imagem de zombaria… Além de falta de Veet), o Bon Clay chamou a atenção por ser apenas um personagem bom, carismático e forte que por algum motivo é gay (ou seja, sua orientação não é tão importante num primeiro momento). E quando eu achava que os personagens não eram problemáticos, pessoas trans surgiram lá na discussão e desmistificaram a ideia que a Iva é alguém tão inclusiva assim.

iva-sama

Antes de começar o papo, aviso que o post tem spoilers de coisas irrelevantes que não vão estragar a sua leitura de One Piece. E também alerto que estamos julgando One Piece apenas pelos primeiros 60 volumes, que é o que foi publicado no Burajiru pela Panini. IKIMASU problematizar.

A Iva é uma personagem fortíssima em One Piece, pareando-se com outras pessoas muito poderosas no mundo dos piratas. Seu poder, além de ter o visual chupinhadíssimo de Rocky Horror Show e se safar sem levar uma intimação judicial, é conseguir manipular hormônios. Ouseje, é capaz de mexer em seus próprios hormônios e nos alheios e preparar mudanças de gêneros com uma rapidez maior que a do Togashi ao encerrar o arco final de Yu Yu Hakusho. Além disso, ela consegue fazer o corpo das pessoas combaterem toxinas mortais e outras regalias desnecessárias como o poder de inflar seu cabeção apenas para o Oda abusar de páginas duplas.

iva-rocky-horror

Mas como uma personagem tão maravilhosa pode ir de um exemplo de representatividade a alguém que aparece nas problematizações do Mais de Oito Mil? Bem, perceba essa cena que aparece logo na apresentação da personagem:

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Para você que não entendeu (talvez porque o traço do Oda é meio poluído mesmo), tem esse homem que quer vingança. Eis que Iva usa seus poderes e transforma o homem numa mulher contra a vontade dele. “mas Mara, eu não vi nada de grave nessa cena” é o que alguns leitores estão pensando, então vou usar um outro exemplo. Numa situação que não vou explicar os detalhes por motivos de spoilers, o mulherengo Sanji acaba indo parar no reino da Iva que é uma ilha apenas com pessoas LGBT. Daí que todas elas saem correndo desesperadamente atrás de Sanji querendo pega-lo, botar um vestido nele etc. Você pode argumentar que é só humor, mas um lado muito perverso está por trás disso.

transfobia-one-piece

Lembra da discussão no Reddit que falei ali em cima? Bem, a moça argumentou que embora Iva seja uma personagem forte e positiva na série, ela não ajuda em nada a ajudar a combater os preconceitos e as dúvidas que a maioria das pessoas tem a respeito das trans. Ela ate contou que quando contou para seu amigo a respeito da própria mudança de sexo, o colega otaku falou “ah, então você vai ser que nem a Emporio Ivankov”. Além de ser retratada como uma caricatura até mais bizarra que as outras caricaturas da série, a Iva ainda alimenta essa ideia que as pessoas têm de que as pessoas LGBT são desesperadas para converter os outros para seu mundo, como se não houvesse respeito pela orientação e identidade das pessoas. Não se esqueçam que não há nada mais frágil que a masculinidade, pois parece que ela pode ser destruída por quase tudo aparentemente.

Isso quer dizer que a Iva deveria surgir em One Piece fazendo panfletagem sobre transexuais e dar uma aula no meio do mangá? Claro que não (embora ela tenha um discurso bem legal sobre gêneros em sua primeira aparição), mas se deve ter muito cuidado para não perpetuar algumas idéias erradas não-intencionalmente, escrever sobre minorias oprimidas exige cuidados sim.

E podemos estender a falta de cuidados ao retratar as pessoas trans até mesmo na tradução feita pela Panini. Ao contrário do inglês e do japonês, o português usa gêneros nas palavras, e a Panini ainda tratou a Iva como “o travesti” ou “o travecão” em vários momentos:

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“Mas Mara, sua blogueira que não está seguindo a língua culta, eu encontrei esse post aqui de 2008 do UOL falando que o correto segundo o dicionário é O TRAVESTI”Então, não sei se você sabe, mas a nossa língua é beeem preconceituosa. A própria definição de “travesti” apresentada nessa matéria é bem escrotinha: “Homossexual que se veste e que se conduz como se fosse do sexo oposto”. Assim como você gosta de ser chamado pelo seu nome correto, pela sua arroba do Twitter ou pelo apelido que usa num fórum de animes falido, todo mundo deveria ter o direito de ser chamado da forma que acha melhor, e as travestis preferem o artigo feminino.

Claro, essas falas mostradas ali em cima são de vilões, então entende-se que não há a necessidade de respeitarem o artigo feminino porque tá aí na função de ofender mesmo, mas por outro lado em momento algum há algum personagem “do bem” falando da forma que as travestis preferem ser tratadas. E nem vou avisar que travesti não tem nada a ver com transexual porque não tenho conhecimento da língua japonesa pra falar se o termo estava no original ou se foi colocado na tradução brasileira. De qualquer forma, o responsável foi bem irresponsável no uso da palavra.

Isso tudo quer dizer que eu acho que One Piece deva ser censurado pela Shueisha e o Oda ser queimado em Marine Ford? Claro que não, mas não mata ninguém você ter um senso crítico para se abrir a problemas que você não enxerga porque é algo longe da sua realidade. O Oda tem um espaço incrível e sabe fazer personagens ótimos, além de ser bem intencionado, então apenas espero que ele não cometa esses erros em volumes futuros.

49 Respostas to “Problematizando a transfobia em One Piece”

  1. Henrique Silva De Rezende Valle 13/04/2016 às 11:09 #

    Post perfeito.
    Principalmente o final:
    “Mas não mata ninguém você ter um senso crítico para se abrir a problemas que você não enxerga porque é algo longe da sua realidade.”
    Isso é o que muitos fanboys simplesmente não entendem. Nenhuma obra é perfeita, e vê-la com senso crítico não vai torná-la um pedaço fumegante de bosta ou estilhaçar as suas memórias de infância

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  2. Leandro 13/04/2016 às 11:13 #

    Questionamentos muito interessantes esses colocados no post.

    E que venham fãs cegos de One Piece querendo defender a obra favorita a todo custo…

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  3. Pietro 13/04/2016 às 11:15 #

    Gente… um post da Mara em que o sarcasmo não é ácido demais da conta! Pfve, problematiza A Haruka de Sailor Moon e o Aphrodite de SS por motivos de que: adoro quando vc fala mal dos meus anime preferidos. Primeiro eu choro, depois eu reflito… é bom pro senso crítico.

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  4. Priscilla Rúbia 13/04/2016 às 11:39 #

    Realmente, não tinha pensado nisso. Mto bom

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  5. zmerboy 13/04/2016 às 11:50 #

    Post excelente. Eu, nos meus privilégios cis, nunca tinha parado para problematizar a Ivankov (nem cheguei na parte dela no mangá, tbh). Quanto à tradução da Panini, isso é muito grave! Acabei de mandar um email para a Panini reclamando. Vou boicotar enquanto não se retratarem e corrigirem os erros. Por favor, peço para que mandem emails reclamando também: http://www.paninicomics.com.br/web/guest/contacts

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  6. Escroticeiloveyou 13/04/2016 às 11:58 #

    “Gente… um post da Mara em que o sarcasmo não é ácido demais da conta! Pfve, problematiza A Haruka de Sailor Moon e o Aphrodite de SS por motivos de que: adoro quando vc fala mal dos meus anime preferidos. Primeiro eu choro, depois eu reflito… é bom pro senso crítico.”

    S-O-C-O-R-R-O. Me identifiquei!

    Post muito bom.
    Já tinha notado que alguma coisa me incomodava no caso do reino de Ivan, e depois do Bon Clay eu sempre desejei um viadinho menos característico/estereotipado. E uma mulher fodo-na e de respeito FORA do padrão.
    Morto com essa adaptação rasa da Panini @.@

    De qualquer forma, acho que o fato de do Oda tentar é um dos grandes diferencias de One Piece (não exijo DESTE assunto pq provavelmente ele não entende né? Mas já é alguma coisa/diferencial).
    One Piece melhor shounen da atualidade, junto de Toriko e Hunter x Hunter :)

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  7. ALBN 13/04/2016 às 12:09 #

    Devo discordar, a retratação de estereótipos afetadissmos são justamente de pessoas que levam uma lâmpada na cabeça, deixar de retratar esse tipo de gay é afirmar que ser afetadoou desmunhecado é errado.Eu sou bi, sou bruto, ,ninguém ousaria me atacar, mas gays afeminados são alvos fáceis dos homofóbicos, ao retratá-los como lutadores e pessoas de valor Oda nos passa a ter respeito por elas.

    Sobre as transformações forçadas, Ivankov só transforma quem é trânsgenero e não sabe, tanto é que quando transforma um guarda pra saber o paradeiro do Ace, esse fica em uma a alegria e diz tudo, como se a pessoa estivesse no armário e saisse livre leve e solta.Um detalhe importante que deveria ser observado é o fato de não haver gays misturados a população comum, leva a crer que o Governo Mundial persegue os homossexuais, uma perseguição tão ferrenha que os forçou a criar seu próprio estilo de luta e fundar um país onde podem ser quem são sem terem medo de serem mortos por isso, que deve explicar o motivo do Iva ser um revolucionário. Sanji aparece lá, todos já pensam que ele veio para desflorar, aí já caem matando em cima.Se não reparou, a sexualidade do Sanji é meio dúbia, é aquele cara que ama todas as mulheres, mas nunca vimos ele ter ficado com nenhuma.Sobre tratamento de gênero, para Ivankov tanto faz, pois pra ele macho e fêmea são a mesma coisa, ele é homem e é mulher.No final das contas, a mensagem passada por Ivankov é que você não deve ser julgado por quem é e ter orgulho de quem é e dá uma piscadela mortal nesse mundo escroto.

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  8. zmerboy 13/04/2016 às 12:10 #

    Quando ao Bon Clay, eu achei bem legal ele ser super afeminado e dar pinta. Nos animes geralmente só tem gays padrõezinhos e heteronormativos…

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  9. twero 13/04/2016 às 12:11 #

    “Para você que não entendeu (talvez porque o traço do Oda é meio poluído mesmo),”

    Acho que isso vai ofender mais gente do que o tema do post em si. :P

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  10. Σ donovan o'neil (@Lobo_paranoico) 13/04/2016 às 12:18 #

    eu gosto de como você consegue falar de tudo tocando em todos os pontos, abracinho

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  11. Anônimo 13/04/2016 às 12:20 #

    “perguntando a opinião do pessoal LGBT sobre os personagens de One Piece. Quase toda a totalidade de gays, lésbicas, bis etc se mostrou favorável à eles”
    “perguntando a opinião do pessoal LGBT sobre os personagens de One Piece. Quase toda a totalidade de gays, lésbicas, bis etc se mostrou favorável à eles”
    “perguntando a opinião do pessoal LGBT sobre os personagens de One Piece. Quase toda a totalidade de gays, lésbicas, bis etc se mostrou favorável à eles”

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  12. Lucy Gimenez 13/04/2016 às 12:33 #

    É difícil para alguém que não vive na pele saber como é a realidade de um individuo, mesmo que ele não pertença a uma das minorias citadas no texto.

    Por isso acho que o posicionamento de varias pessoas, até mesmo a classe dos comediantes, em relação ao limite do humor é volátil. Pois se expressar sem se policiar dos impactos sociais, somos classificados como preconceituosos, com visão limitada, ou até aproveitadores dos elos mais fracos da sociedade. Mas ao trabalhar nosso discurso para evitar possíveis interpretações maldosas, somos colocados como defensores de ideais ou que nosso argumento é direcionado para o publico.

    A e B; Sim e Não; Direita e Esquerda; Preto e Banco; Panini e JBC; Vamos sempre viver em um mundo heterogêneo com ideias para serem discutidas.

    ~Por isso que já faço isso no meu programa de TV~

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  13. Lucas Santana 13/04/2016 às 12:49 #

    Gostei muito do texto Mara bonitona, mas acredito que no caso do Oda seja mais um descuidado mesmo. Eu gosto muito do discurso que a Iva dá sobre sexualidade, gêneros e tals, algo que levei pra vida. Acredito que só faltou um toque mais humano e cuidadoso do Oda sobre o assunto em si, porque ele sempre toca no assunto de que somos iguais, não importando de onde você veio e nem quem você é. Vide o personagem principal.

    Alguém lembra do caso que aconteceu com a amiga do Oda em quem a Iva foi baseada? Que foi presa e tals, até dublava ela no animê… Isso foi na época do Orkut.

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  14. Alguém 13/04/2016 às 13:00 #

    Eu acho engraçado como você simplesmente filtra as opiniões positivas para com os personagens e se foca somente nas opiniões que combinam com a sua linha de raciocínio. Seu parecer é totalmente tendencioso, Fábio.

    Way to go.

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  15. luizsazon 13/04/2016 às 13:46 #

    Achei que seria um texto sobre o machismo da série. Me enganei

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  16. Gabriel 13/04/2016 às 14:00 #

    Oi Mara. Poxa, sou muito fã do seu trabalho no Mais de Oito Mil. Sério, a forma como você escreve e como expressa suas opiniões… Sou apaixonado por seus textos e quando conheci o blog fiquei um tempão lendo um após o outro. Qual foi minha surpresa quando você postou o primeiro “Problematizando” e destruiu com argumentos fantásticos, escrevendo basicamente tudo o que eu pensava sobre aquele anime/mangá. Esse segundo post da seção então, eu nem sei o que dizer. É tanta representatividade feita da forma certa e justa que eu fico até sorrindo enquanto leio. Sou gay e você não faz ideia de como é difícil ver pessoas como eu sendo tratadas com respeito no mundo otaku, seja na internet ou fora dela. Nossos companheiros fãs de cultura japonesa parece que se recusam a abrir a janelinha de seus quartos para olhar o mundo lá fora e descobrir que há pessoas diferentes. Mulheres sendo tratadas como objetos, gays e trans como aberrações… Os exemplos são vários. Estou mandando essa comentário basicamente para agradecer o trabalho que você tem feito em geral no seu blog, mas principalmente na coluna Problematizando, que está sendo um choque de realidade pra muita gente. É corajoso de sua parte bater de frente com um público tão acostumado a usar cabresto, muito corajoso mesmo. Fico no aguardo de seus próximos textos!

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  17. Cavaleiro Negro 13/04/2016 às 14:02 #

    Ótimo post, mas vamos ser honestos, os autores japoneses parecem que estão se lixando para essas ”problemáticas”, ele querem mais é que seus ”produtos” façam sucesso e rendam lucro. Acho que a maioria dos mangakas nem pensam se seus personagens são estupradores, são politicamente corretos ou não, querem é entreter e lucrar com isso.

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  18. Jorgino Sonoro 13/04/2016 às 14:16 #

    Gostei bastante do post, essa serie problematizando realmente é bem promissora e espero que ela continue por bastante.. Gostei principalmente dos links, que fortalecem bastante a argumentação.
    Agora uma sugestão, eu gostaria de ler um post algumas recomendações sobre mangás que respeitam as questões apresentadas aqui, realmente seria uma publicação excelente. ^-^

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  19. Mary Vanucchi 13/04/2016 às 14:18 #

    “Sobre as transformações forçadas, Ivankov só transforma quem é trânsgenero e não sabe”

    Não posso entrar no mérito de quanto essa afirmação é certa ou não porque nunca li o mangá, mas se é verdade isso ainda cai na questão de “tirar alguém do armário” contra a própria vontade. O que é errado pra caralho.

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  20. Mary Vanucchi 13/04/2016 às 14:20 #

    @Jorgino Sonoro

    Tenta Wandering Son (também conhecido como Hourou Musuko). Eu não lembro dos detalhes porque assisti faz muito tempo, mas se não me engano explorava bem a vivência de crianças trans. Outras pessoas trans que conheço no twitter gostam bastante.

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  21. Vlad Schüler (@vladschuler) 13/04/2016 às 14:48 #

    Mais de Oito Mil: lutando contra preconceitos e opressão, uma obra popular por vez <3

    Concordo com sua análise, especialmente a problematização dx Ivankov estar ~convertendo~ pessoas à força (embora isso talvez fosse um excelente gancho pra discutir se a cisnormatividade não faz isso com pessoas trans*).

    Concordo com o vacilo absurdo da Panini de ter usado gênero masculino com pra falar de travestis, mas eu não sei se "travesti" é a palavra certa prx Ivankov. Lembremos que elx é praticamente a definição de gender-fluid: essa "forma" delx é mais ~masculina~, e elx tem outra "forma", mais ~feminina~.

    No geral, essa discussão também é complicada porque é, de certa forma, uma imposição de visões (e categorias) ocidentais a personagens do Japão: Nicola McDermott tem um texto maravilhoso[1] mostrando como certas categorias de gênero japonesas não batem com suas contrapartes ocidentais.
    "Okamas" e "new halfs" não são necessariamente travestis e transgêneres, então afirmar categoricamente que Iva é uma coisa ou outra fica ainda mais complicado.

    [1] "Resistance and Assimilation: Medical and Legal Transgender Identities in Japan". in: "Manga Girl Seeks Herbivore Boy: Studying Japanese Gender in Cambridge."

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  22. ALBN 13/04/2016 às 15:06 #

    Essa retirada forçada do armário estaria errada se fosse feito contra uma pessoa que está de boas na própria vida, que só precise de uma boa conversa e entender que pra vida é importante ser sincero com seus próprios sentimentos, é diferente quando isso acontece contra um homofóbico que aponta uma bazuca na sua cara.Isso tem até na Super e outras pesquisas que hofóbicos geralmente são gays enrustidos que são tão infelizes que tentam ferrar com quem vive plenamente.

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  23. Mago 13/04/2016 às 15:16 #

    Gr8 b8 m8 I r8 8 ;)
    Por enquanto não funfou a trap, os torcedores pseudo-politizados ainda estão deitados em berço esplêndido…
    Anyway, a forma que o Japão aborda o transgênero sempre foi muuuuito diferente da forma que o ocidente aborda essa questão.
    O Oda “passeia” pela seriedade e comicidade (preconceito) sobre os Okamas simplesmente por causa da visão japonesa.
    Há vários homens que se vestem de mulheres apenas por hobby e não são necessariamente homossexuais. Os transgêneros aparecem em teatros infantis de forma natural. Ou seja, são formas de abordagem a sexualidade que são muito estranhas a nossa cristianizada visão.
    A questão da identificação sexual é bem menos rígida do que no ocidente. E isso é bom e ruim, pois os gêneros são mais abertos só que, em contrapartida, dá margem para que esses preconceitos “inocentes” aconteçam.

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  24. feshooter 13/04/2016 às 16:57 #

    Achei o post excelente, e como você mesma disse, não consigo ter noção do incomodo que um personagem esteriotipado dessa forma causa, mas tem um ponto.

    A Ivankov não tem poder para manipular completamente hormônios, é mais uma espécie de estímulo (pelo menos foi como entendi). Por exemplo, ao curar o Luffy, ela diz que não consegue remover totalmente as toxinas, e que isso dependeria da vontade do Luffy. O mesmo exemplo que foi citado do pirata que quer vingança, o pai dele mudou de sexo porque ele (inconscientemente?) desejava ser uma mulher. Concordo que foi mal explorado, até pela quantidade de páginas, mas pra mim foi plausível. Ainda assim não torna a personagem melhor.

    Também concordo que a personagem é rasa, mas não me incomodou tanto como quando o Bon Clay apareceu, que por sinal também era bem raso.

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  25. Roses 13/04/2016 às 20:15 #

    “Então, não sei se você sabe, mas a nossa língua é beeem preconceituosa.”
    Só uma correção, língua alguma tem preconceito. Preconceito é uma opinião ou sentimento e línguas não possuem sentimentos, opiniões ou conceitos.
    O preconceito refletido numa língua é da cultura daquela comunidade. Assim como todo preconceito na internet não tem nada a ver com a internet, mas com a cultura e comunidade que a usa. O vocabulário de uma língua, por exemplo, se preconceituoso é criação dos usuários daquela língua e o uso ou não é escolha dessas mesmas pessoas.
    Da mesma forma que você pode expressar preconceito na língua, você pode expressar raiva e ódio sem que isso signifique que português é uma língua beeem raivosa.

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  26. bob 13/04/2016 às 20:53 #

    Eu vi que comentaram de wandering son aqui
    Não leiam
    O anime até onde vai é bom
    Mas depois -spoiler-
    descobre-se que era tudo uma fase do ftm e ele na verdade sempre foi uma dama oprimida que fingia ser menino pq achava q as roupas femininas não combinavam com ele
    Isso acabou com a historia e com o que eu achei q fosse o objetivo dela

    Bokura no hentai é muito melhor pra representar trans (e não tem hentai )

    Otimo post mara
    Acho incrivel não ter visto tanta gente xingando e

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  27. pg. 13/04/2016 às 21:43 #

    “Alguém lembra do caso que aconteceu com a amiga do Oda em quem a Iva foi baseada? Que foi presa e tals, até dublava ela no animê… Isso foi na época do Orkut.”

    é um ator (não consegui achar informações sobre a orientação dele. ) que trabalhava com a dubladora do Luffy no grupo de teatro dela.Quando viu que Iva era baseado nele,pediu pra dublá-la e pegou o papel.
    Só que depois acabou tendo uns problemas com a polícia japonesa por postar fotos nuas dele porque queria mostrar as tatuagens que tem no corpo.
    Pra “preservar” a imagem do estúdio e do anime de One Piece e não ficarem “associados” a alguem que tem problema com a polícia (o Japão leva esse negócio de imagem MUITO a sério.Se uma celebridade é pega com drogas por lá,ela se fode e não consegue mais trabalho em canto nenhum.E tem também aquele negócio das idols e não poderem namorar,vide o caso da Aya Hirano. ) a Toei substituiu ele e desde então Iva tem o dublador do Kaneda do filme Akira.

    E é bom lembrar que a Toei chegou a censurar o Mr. 2 Bon Clay na versão do anime durante a saga de Alabasta,removendo qualquer menção que ele era gay e alterando o Kanji nas costas dele,que no mangá significava “Okama”(o famoso “Okama Way” dele), para o kanji do “balé” e alterando o nome do estilo de luta dele de “Kung Fu Gay” para “Kung Fu Balé”.Só que quando o anime chegou em Impel Down e introduziram Iva e seu reino Kamabakka e os tipos de poderes dela e viram o trabalhão que daria pra tentar “amenizar” como tinham feito antes com o Mr.2 Bon Clay ,a Toei decidiu deixar como está…

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  28. ALBN 13/04/2016 às 22:45 #

    Bob, concordo plenamente, Bokura no Hentai é o melhor drama sobre esse tema que já li, há momentos tão tristes que dá vontade de entrar na estória, abraçar as personagens e dizer-Vai ficar tudo bem, não há nada de errado com vocês.”

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  29. Carlos Fernandes 13/04/2016 às 22:55 #

    Eu discordo em uma parte apenas na questão do ivankov estar reforçando um esteriótipos de querer “engayzar” o mundo. Quando iva transformou aquele cara em homem era apenas uma situação de que sim ele podia, então se ele pode então por que não fazer? Os personagens de one piece em sua maioria não são santos ou cheios de uma moral inabalável, ou seja, não são perfeitos, assim como todos nós. A questão é que como o crocodile tentou dominar alabasta, ele podia e tentou assim como iva (que consegue), temos que lembrar que iva apesar de ser um revolucionário ele é um criminoso e estava a dar um show naquela situação mostrando sua “beleza” e seu poder de forma bela e um pouco cruel para adquirir respeito dos demais

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  30. Iuri Nogueira 14/04/2016 às 00:38 #

    Eu começo a escrever, aí penso: “isso aqui não serve meu esforço…” cada um interpreta as situações do mangá do jeito que quer, se tu pensa que o Iva quer transformar os outros em trans, eu penso que ele só queria acabar com a autoestima do inimigo… há coisa mais triste do que estar num corpo que não lhe convém? É cada distorção, eu hein…

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  31. Ninguém 14/04/2016 às 03:12 #

    Essa mania de julgar as obras de arte… não vêem que toda a idéia de ter um transex querendo mudar o sexo dos homens não é falar sobre preconceitos, mas sim falar alegoricamente sobre o medo das pessoas frente ao desconhecido. Esses personagens da gangue são baseados em datas comemorativas, então provavelmente procuram explorar algum mito que mexe com as pessoas.

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  32. Otaku Doente 14/04/2016 às 04:33 #

    Mandou bem Mara, eu até pensei que vc fosse transfóbica heheh. O pior são os fãs de Hokuto no Ken, só pq o Kenshiro é “machão” eles acham que anime pra “macho” tem que ser daquele jeito huahahaha Mas como vc msm comentou, a masculinidade é frágil.

    Deveria ter um problematizando Super Lovers. E essa desculpinha que é só uma brincadeira, temos aí anime lolita e moe. Que mal tem pedofilia em anime se é mostrado de forma ingenua ou de brincadeira?

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  33. Apo 14/04/2016 às 06:40 #

    Bom não vou comentar nada, esse vídeo responde esse tópico:

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  34. bob 14/04/2016 às 07:24 #

    Bem quando eu tava me impressionando com a galera aqui e o nivel (ótimo) dos comentários (mesmo os discordando da mara)
    Vem o Apo
    Lmao

    @ ALBN
    Chorei mto lendo bokura no hentai ;;
    A autora pediu ajuda de um médico e de uma trans pra escrever a historia, ela tb n foi fazendo as cegas
    Por isso ficou tão bom

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  35. Andrei Fernandes (@Andreizilla) 14/04/2016 às 10:22 #

    Excelente leitura. Realmente formidável esse tipo de discussão. Vou deixar meus dois centavos também.

    Não discordo em nenhum ponto, nenhum mesmo. Até porque eles foram apontados na sua discussão com a comunidade LGBT. Mas, não esqueçamos, estamos falando do Japão, e é preciso também ter um relativismo cultural nisso tudo.

    Não é segredo que a cultura japonesa é machista (entre outros istas) e isso parece fazer parte de uma maneira que não entendemos por completo. Não houve queima de sutiãs do lado de lá, então o modo como eles enxergam em se colocam nisso é relativamente diferente do que esperamos e aceitamos por aqui. Mas não estamos falando de mulheres, ok.

    Uma percepção que eu sempre tive em animes é que mesmo machista e xenofóbica, o japones não encara com tanto tabu os gays ou transexuais. Material infantil (como One Piece), jogos eletrônicos, filmes em animação. Não é incomum ver um personagem trans ou bi. É claro que eles são colocados como elementos cômicos da trama e isso é ruim quando é feito todas as vezes, mas se formos comparar com:

    Brasil: Donas de casa reclama de personagem gay na novela.
    Japão: Criançada assiste e torce pro Bon Clay.

    Dafuq? Não excluo a homofobia na forma como é retratada, mas em uma percepção muito pequena da minha parte, acho que nesse ponto o Japón, ainda está a frente da gente nesse quesito.

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  36. Donquixote 14/04/2016 às 10:51 #

    A parte da tradução realmente foi feita de forma erronia, talvez pela modalidade do título nem se deram ao cuidado de observar o artigo apropriado.

    Já na questão da Ilha Okama, o meu contexto de situação foi diferente, aparentemente as pessoas que buscam a ilha querem assumir sua sexualidade mas ainda tem receios quanto a isso, então os Okamas demonstram que na ilha todos são aceitos e que não existe motivos para não assumir sua real orientação, essa situação de tentar forçar seria na verdade uma ajuda para libertar-se das amarras que os oprimem, tanto que não se observa o mesmo comportamento fora da ilha.

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  37. Guilherme Violin 14/04/2016 às 12:26 #

    Morei 10 meses no Japão, e, pelo que percebi, os homossexuais retratados em One Piece não retratam o esteriótipo dos gays no Japão.

    Algo que notei foi que japoneses são, em sua maioria, preconceituosos. Porém, é um preconceito bem seletivo, dirigido aos negros, tatuados e à pessoas naturais de outros países asiáticos, ou de descendência asiática. Não posso dizer que pesquisei a fundo sobre o assunto, mas em conversas que tive com outros jovens (diga-se até 25 anos), reparei que a comunidade homossexual não sofre muita discriminação lá.

    Exatamente por isso, GRANDE parte da representação dos homossexuais nos mangás e novelas de lá é de uma pessoa reservada, não exagerada. A único modo de se diferenciar um heterossexual de um homossexual nos mangás é quando uma personagem revela sua sexualidade expressamente.

    Sendo assim, creio que esse problema é algo que afeta mais o público ocidental, com uma imagem diferente sobre a comunidade LGBT. Para um mangá como One Piece, que exagera cada característica de um personagem para que se torne único, não é estranho que os gays e travestis tenham essa sua característica caricaturizada, comparada aos exemplos extremos que temos, como o Rocky Horror Show postado.

    Agora, a Panini poderia sim ter mais atenção quanto às palavras usadas ao se referir à comunidade LGBT. Parte da adaptação de uma obra estrangeira é colocar as palavras de uma outra cultura em termos que condizam com nosso código moral, principalmente nesse caso, que não afeta a história de forma alguma.

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  38. Tony Horo 14/04/2016 às 14:07 #

    E aí, Mara. Não existem mais gays estereotipados no mundo real?

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  39. Panmi 15/04/2016 às 10:06 #

    Mara ,amo você!!! Tantos e tantos post fazendo análises de anime comparados com importantes filmes europeus que ninguém assistiu,mas só aqui mesmo que vi problematização e ainda pude rir demais com isso.

    Beijos!!

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  40. Brennus Phoenix 15/04/2016 às 19:58 #

    Realmente, adorei o texto, mas sobre a parte da ivankov transformar o homem em mulher a força, acho que mesmo se ele não tivesse um motivo para fazer isso, ele é um criminoso, então, para um criminoso é normal fazer isso

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  41. Andrerandom 18/04/2016 às 19:51 #

    Concordo com todos os pontos apresentados, menos um. Da parte em que você diz que não é possível entender a dor alheia. De fato é realmente difícil isso para todos nós, mas não acho impossível. Como também não é impossível que gays não se sintam discriminados na sociedade, ou que negros digam que não existe racismo e etc (o que são falácias de fato). Pois a questão é o quanto estamos sensibilizados para nos revoltarmos com a dor do outro (empatia portanto) e também em nos revoltarmos com o nosso próprio sofrimento (que pode sofrer tentativas de naturalização internalizadas em nós mesmos), mas que foram construídos socialmente.

    Para reforçar o meu ponto de vista, cito alguns eventos sociais em tribos africanas que desenvolveram o Ubuntu (algo muito semelhante teria surgido também em tribos de algumas ilhas da indonésia). Segundo o que consta a ideia do ubuntu era a de aceitar e tratar bem o outro de tal forma que seria impossível você mesmo estar feliz sendo que o seu próximo estaria triste, ou seja, sem se sobressair ao outro (nada de beijo no ombro de Valesca Poposuda).

    Para concluir, então algumas tribos indígenas conseguiram desenvolver uma organização social muito mais harmoniosa do que qualquer experiencia ocidental até hoje. Em algum momento na história da humanidade, as pessoas estavam vivendo com empatia, ou algo muito próximo a isso. Portanto, hoje em dia nos parece impossível compreender a alteridade devido uma disposição social e não simplesmente por incapacidade humana. Talvez para um futuro em que nós não estejamos vivendo as possibilidades sejam melhores, mas de fato para o que vivemos hoje é só condenação. Pensar na impossibilidade da empatia compra intrinsecamente um niilismo passivo que não estou disposto a corroborar.

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  42. Yachiru 24/04/2016 às 21:20 #

    Apesar de eu nunca ter parado para assistir One Piece, eu já tinha prestado atenção nesse detalhe.

    Eu vi gente lá em cima perguntando se não existiam mais gays estereotipados. O x da questão não é mostrá-los, mas retratar gays como se todos apresentassem esse padrão de comportamento (o que não é verdade).

    Mas é errado ser purpurina, espalhafatoso ou coisa do tipo? Não. Mesmo que você seja uma pessoa acostumada a lidar com gente mais reservada e não se sinta à vontade lidando com qualquer pessoa (independente da orientação sexual ou identidade de gênero) mais “extrovertida”, é um direito daquela pessoa se comportar do jeito que lhe convém, desde que não prejudique a ninguém.

    PS: Vi a Mara falando dessa forma de One Piece, não quero nem imaginar o que ela pensa sobre Yu Yu Hakusho :v

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  43. wender 25/04/2016 às 15:44 #

    posso estar errado no que vou dizer, mas os Okamas de OP não fora criados para ser imagem e semelhança dos(as) travestis normais, tanto que os Subs usam sempre Okama mesmo, e não travesti ou gay ou outra citação, falo pelo exemplo dos homens peixe que foram usados pra retratar o preconceito racial…

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  44. luiz 25/04/2016 às 20:15 #

    Esse post é muito viadão kkkkkkk

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  45. Dalone 10/05/2016 às 12:22 #

    Só não concordo quanto à questão da caracterização dos personagens: no mundo de OP, TODOS são exagerados, é uma característica própria daquele universo. Fora isso, ótimo texto.

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  46. MaisDeOitoMilComentários 22/05/2016 às 06:19 #

    Marinha (trocadilho intencional),

    Vê se pega leve no ativismo, querida, o tempo dos SJW já devia ter passado há muitos. Todo mundo já tá sabendo que eles existem e não precisam mais dos holofotes. De todo tipo de problemas e ataque de preconceitos já vivemos todos nós, as ditas “minorias” não são especiais nesse aspecto.

    One Piece lida de forma muito legal com essas questões, e não é por desejos de uma minoria vocal afetada que o autor teria de ter que adaptar a obra. Mangá não precisa ter o propósito de ficar trazendo discursinho de crítica social seja qual for, no máximo lidar com os problemas humanos de maneira mais ou menos geral, procurando trazer problemas que atinge mais ou menos a todo mundo. É assim que se conquista público, não batendo e batendo nessa tecla o tempo todo. O povo reconhecer e aceitar a existência dos “trans”(se é que por algum motivo que isso não acontecia antes) já é muito mais suficiente.

    Entrar no mérito dessas minorias explosivas (que mais atrapalham conteúdo do Japão chegar aqui do que ajudar a trazer conteúdo yaoi/yuri para variar o mercado pro aqui por aqui por exemplo, seja bem dito), mesmo com boas intenções é o mesmo que entrar num campo minado, e se eu fosse você saia dessa furada ligeiro. Ninguém tem obrigação de tentar mudar o mundo pra melhor do seu próprio jeito (seja lutando em favor de minorias ou qualquer outra forma), isso seria apenas forçar tal visão nas pessoas.

    Forte abraço,

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  47. MaisDeOitoMilComentários 22/05/2016 às 06:39 #

    No mais, para não dizer que estou pegando no seu pé, tem muita coisa boa na matéria sim e que você até foi bem razoável. Nesse sentido, meus parabéns.

    Acho que a discussão é válida sim, dentro de certos parâmetros; há um limite entre a dita “dor individual” e o senso de realidade (dor até um maluco histérico sente, convenhamos, o que não quer dizer que tenhamos que ceder aos caprichos de uma pessoa nesse estado) , sem contar o que já falei sobre impor uma ideia aos outros. Vida em sociedade é um contrato, onde todos temos sempre que negociar e que ceder em alguns pontos para termos uma boa convivência, não posso impor meu jeito aos outros, ao menos não no espaço coletivo.

    De fato é mais fácil de respeitar alguém que lhe parece igual, por isso certas convenções sociais, como uniformes, por exemplo, são importantes. Alguém pode dizer que uniformes são opressores, que minam sua individualidade, desrespeitam seu direito a livre expressão, etc etc etc., e podem até estar certos, mas temos que lembrar que a nossa liberdade termina onde começa a do outro. Ninguém é obrigado a mudar de comportamentos na escala individual (que isso fique bem claro) só por que a maioria não os aceita, mas a maioria também não tem obrigação nenhuma de aceitar os caprichos de alguma minoria no espaço comum. É aquela coisa: fala o que quer, ouve o que não quer.

    No mais, essa teoria de que a “masculinidade é coisa frágil” ou whatever é um mito dos mais bestas. Se alguém quer se passar por machão mas é cheio das dúvidas por dentro, problema dele. Mas quem disse que masculinidade é a arte de parecer machão? Way to go, Mara, não vou entrar nesse tópico, mas saiba que a masculinidade floresce de muitas formas.

    Força no blog, continuo acompanhando!

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  48. sHH 08/07/2016 às 22:31 #

    Que post maravilhoso!

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