Mais de Oito Mil entrevista Beth Kodama, editora da Panini

17 jan

E aí, minna! Continuando nossa série de entrevistas com o balanço geral desse ano de 2015, chegou a vez de conversar com Beth Kodama, editora da Panini que sempre é a cara da editora nas palestras de eventos. O encontro com Beth foi lá na Itália, na sede mundial da Panini, onde tomamos dry martinis e conversamos sobre o panorama editorial aqui no Burajiru. Além de, claro, tentar pedir que ela me descolasse umas figurinhas do álbum das novelas da Globo porque fiquei sem completar o negócio. IKIMASU conferir o papo? Ele começa assim que passar essa imagem horrível que uso desde o primeiro ano do Mais de Oito Mil:

maraentrevista

Mais de Oito Mil: Em várias palestras e entrevistas já falaram que os japoneses valorizam muito a confiança e o comprometimento das editoras brasileiras na hora de liberarem os títulos. A Panini já cancelou e paralisou muitos mangás (como Kekkaishi e O Mito de Arata), como ainda assim ela consegue mangás famosões? Rola escambo com figurinhas da Copa?

Beth Kodama: Depende muito do título, da editora original, do licenciante, do “histórico”, dos números de vendas, do “cash”, etc. São negócios como quaisquer outros, ou seja, depende de muitos fatores. E a gente nem paralisou tantos títulos assim. Além disso, a Panini detém uns 80% do mercado de quadrinhos no Brasil. E não é só quadrinhos e figurinhas. Cara, a gente publica até revista do Papa. Vamos concordar que é um bom “currículo” e uma boa “fatia do bolo, né? Além disso, a gente não publica só mainstream e nem todos os famosões vêm pra gente… o que é uma pena, diga-se de passagem.

MdOM: O Mais de Oito Mil não tem orçamento para te subornar por um nome, mas poderia dizer se há algum título em publicação que corre o risco de ir pro freezer por vender pouco? (Pfv não seja Beelzebub e nem Assassination Classroom)

BK: Não precisa subornar, não. Porque, por enquanto, nada mais vai pro freezer… até onde eu sei.

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MdOM: Temos uma pergunta enviada pela campanha “Mais Jojo’s no Brasil”: em trocentas palestras perguntam sobre o título e a resposta nunca é animadora. Na sua visão como pessoa do meio, você consegue enxergar um dia alguma editora lançando Jojo’s Bizarre Adventure ou isso é um sonho ainda irreal para o tamanho do nosso mercado?

BK: Eu comprei uns volumes bonitões da VIZ e averiguei o que se passa com Jojo em outros países. Está em análise. Pra todo produto e pra todo mercado existe um risco. O problema é que Jojo tem um risco muito alto… no momento. Um dia, poderemos publicar o que quisermos, no formato que quisermos e pelo preço justo… mas esse dia não é hoje.

MdOM: Em todas as palestras que fui nesse último ano parece unanimidade entre os editores de mangás que nosso mercado está ótimo e amadurecido, e que se pode lançar vários títulos de vários gêneros (algo que era impossível no passado). Se o mercado está tão bom assim, por que títulos longos passaram a entrar na lista negra das editoras?

BK: Não na nossa lista. Temos MUITOS títulos longos. Na real, temos poucos títulos com menos de 10 volumes. De boa, a gente traz o que o público pede e o que a projeção de mercado indicar que vai vender bem.

MdOM: A Panini sempre teve uma tradução mais preciosista, usando honoríficos japoneses e tudo mais. Mesmo com explicações nos glossários, esse tipo de tradução não acaba afastando um pouco o público leigo que poderia se interessar pela história mas se assusta com o excesso de termos orientais?

BK: Depende da história. Nem toda publicação nossa tem honoríficos. E, não, não acho que isso afasta público leigo.

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MdOM: Recentemente a Panini anunciou que vai lançar Vagabond no Brasil, depois que o contrato com a Nova Sampa não foi pra frente. A negociação começou quando a outra editora estava sem contrato ou rolou um lance meio teste de fidelidade com o Inoue sendo seduzido pela Panini enquanto estava com a outra?

BK: Não, nós jogamos limpo. Só quando um contrato acaba que ele pode ser negociado com outra editora.

MdOM: No final de 2015, um certo blog aí de muita qualidade denunciou um cidadão que estava vendendo impressões piratas de One Punch-Man (que é da Panini) e outros mangás. Um dia depois da matéria, ele deu uma arregada, inventou uma desculpa aê e abandonou o barco pirata. A Panini chegou a ficar preocupada com o rapaz e acionou um exército de advogados ninjas? E a editora tem algum plano para coibir esse tipo de prática?

BK: Acredito que sim, o departamento jurídico deve ter averiguado o caso, mas não sei exatamente no que deu no fim das contas. Não sei se a editora deve se posicionar. O mais triste foi ver fãs apoiando a pirataria… mal sabem eles que estão lesando o autor que tanto gostam e dificultando cada vez mais as possibilidades de trazer material licenciado ao Brasil.

MdOM: Obrigada pela entrevista, Beth. Quer deixar um recado ou uma receita de bolo para os leitores do Mais de Oito Mil?

BK: De nada, foi um prazer. Olha, não cozinho mal, mas sempre que dou uma dica gourmet ou posto uma foto de uma receita que deu muito certo, o primeiro comentário é “aí vem Shokugeki”. Então, deixa pra lá.

17 Respostas to “Mais de Oito Mil entrevista Beth Kodama, editora da Panini”

  1. Priscilla Rúbia 17/01/2016 às 13:04 #

    aí vem Shokugeki AHAHAHAHAHAHAHHA

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  2. Luciano von F. 17/01/2016 às 13:39 #

    Deu pra ver nessa entrevistas que ela é quase monossilábica e não é de agradar ninguém mesmo. Parabéns pela transparência (risos)

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  3. jasque 17/01/2016 às 14:15 #

    O próximo vai ser o editor sem orelha? xD

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  4. Agronopolos 17/01/2016 às 14:43 #

    só espero que o bolo não seja de gelatina para parecer transparente nas paginas

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  5. Otaku Doente 17/01/2016 às 15:57 #

    Eu falei, vcs acham que a editora do dinheiro infinito Panini, vai entrar na justiça contra um adolescente? Os advogados devem ter entrado em contato com o moleque e os responsáveis por ele, e como eu disse, um puxão de orelha e n repita mais isso ok? Mais ou menos assim.

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  6. Otaku Doente 17/01/2016 às 16:38 #

    Eae Mara, a verdadeira forma do Junior Fonseca da New Pop

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  7. Eduardo Ketsura 17/01/2016 às 19:03 #

    “o primeiro comentário é “aí vem Shokugeki”. Então, deixa pra lá.”

    Souma confirmado no Brasil. Está acontecendo.

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  8. Kyon_45 17/01/2016 às 19:44 #

    “Olha, não cozinho mal, mas sempre que dou uma dica gourmet ou posto uma foto de uma receita que deu muito certo, o primeiro comentário é “aí vem Shokugeki”. Então, deixa pra lá”.

    Isso diz muito das pessoas… O meu pensamento é sempre: “Será que estão pensando em relançar Gourmet, mangá lançado pela Conrad?”

    https://bibliotecabrasileirademangas.wordpress.com/

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  9. Ninguém 17/01/2016 às 21:52 #

    Quem diria que um dia a sigla “BK” estaria sendo usada (sem querer) por outra pessoa…
    Mas enfim, ela falou o que tinha que falar, não vejo mutretagem ou palhaçada da parte dela, acho que ela é bem sincera e honesta ao falar. Claro que ela não quis ser mais explícita sobre certas coisas como JoJo, mas imagino que ela não tenha poder total e liberdade sobre certas coisas. Todo mundo aqui devia era estar agradecido pela Panini lançar mangás.

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  10. Gabriel 17/01/2016 às 23:04 #

    “Shokugeki no Beth, um reality show de culinária onde Beth Kodama, Cassius Medauar, Júnior Fonseca, Kira dos mangás (por que não?) e demais pessoas relevantes no mercado editorial de mangás brasileiro se enfrentam em grandes batalhas culinárias. Nestas batalhas, conhecidas como shokugeki, os participantes mostram todas as suas habilidades na cozinha editorial, desde o congelamento até o requentamento de mangás.”

    Não sei vocês, mas eu pagaria pra ver isso.

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  11. Madao 18/01/2016 às 00:35 #

    MINHA WAIFU BETH EH LINDA E AINDA COZINHA BEM!!!!!
    Achei essa entrevista com uma falta extrema de fotos da beth mara, dificil assim hein.

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  12. The Fool 18/01/2016 às 01:31 #

    >Um dia, poderemos publicar o que quisermos, no formato que quisermos e pelo preço justo… mas esse dia não é hoje.

    Não é hoje, sendo que estão no mercado de mangás a mais de 10 anos.
    Legal. Legal mesmo. =(

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  13. Apo 18/01/2016 às 08:24 #

    >Um dia, poderemos publicar o que quisermos, no formato que quisermos e pelo preço justo… mas esse dia não é hoje.

    – Isso foi um dia, hoje com o mercado de Mangás praticamente se dedicando a nicho nem tem como. Ao menos a Sra. Kodama tenta suavizar a coisa, mas garantia de até quanto tempo ela vai manter esse patamar não temos. A impressão é que dá que a Panini é a mais centrada das editoras, não só pelo quesito dinheiro infinito. Não adianta ter dinheiro e não saber administrar.

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  14. ed 18/01/2016 às 16:22 #

    newPOP, Panini, só falta a JBC e as editoras fantasmas; o mais de oito mil está prestando serviços muito mais pertinentes que a imprensa especializado (pff)

    *a matéria do kira dos Mangás foi épica

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  15. jasque 19/01/2016 às 01:25 #

    A jbc publica do jeito que ela quer, com transparência.

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  16. Francisnildo Catapreta 20/01/2016 às 14:27 #

    Mas quem edita os mangás da Panini é a Mythos Editora, não? Então a Beth é uma mera “pião de obra” e não tem muita moral pra falar em nada. Eles apenas cumprem ordens de cima.

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  17. Anders Bateva 14/03/2016 às 13:14 #

    “Cara, a gente publica até revista do Papa.”
    Desconheço.

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