Mais de Oito Mil entrevista Junior Fonseca, dono da NewPOP Editora

5 jan

E aí, minna, como cês tão? Depois de um conturbado final de ano com direito a um grande keikaku, o Mais de Oito Mil está de volta em 2016 com muitas pautas novas pra eu dar aquela comentada. E mês de janeiro é mês de reflexão, então por que não ir atrás daquelas pessoas que tanto enchemos o saco durante 2015 para fazer algumas perguntinhas? Não, não estou falando das Gothic Lolitas do Esquenta porque elas vão começar aquele papo chato de que o movimento lolita começou no período rococó e blá blá blá, e sim quero trazer ao palco do Mais de Oito Mil o nosso querido Junior Fonseca, editor e dono da NewPOP.

Me encontrei com o Junior numa bela tarde outonal no topo do prédio do Banespa, aqui no Centro de São Paulo. Tomamos Mupy de maçã enquanto conversávamos sobre o atual mercado de mangás e como a NewPOP não é mais aquela editora que tanto impliquei no começo do blog. IKIMASU conferir o papo? Ela começa depois dessa imagem horrorosa feita no Photoshop nos primórdios do blog!

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Mais de Oito Mil: Você trabalha com otakus há algumas décadas, desde que escrevia para revistas informativas. Qual a diferença entre o público otaku que ia nos Animecons da vida no começo dos anos 2000 e a galerinha otaca dos eventos de hoje em dia? Qual público é o mais chato?

Junior Fonseca: Na verdade, o perfil do público não mudou tanto assim, o interesse em si é que mudou e a forma da galera se manter antenada nas obras também. Naquela época ainda tinha muita coisa passando na TV, DVDs e até mais eventos. Hoje em dia tudo é baseado na internet, antes nos eventos o grande destaque era dubladores, hoje em dia são os youtubers; naquela época as palestras relacionadas às editoras, ao mercado eram bem mais aguardadas, hoje como tudo está na internet, esse espaço se perdeu um pouco. Eu prefiro o público de agora, a galera está com mais opinião, mesmo às vezes ignorando algumas coisas importantes.

MdOM: Em 2009 a Newpop anunciou Hansel & Gretel, uma releitura em mangá da história de João e Maria. Muitos anos se passaram, muita água rolou, o mangá brasileiro se tornou lenda urbana entre os fãs e piada recorrente no Mais de Oito Mil. O projeto se perdeu no caminho de migalhas?

JF: Nem fale, lançar esse mangá é uma questão de honra, até porque a obra está ficando linda e o Douglas tem um carinho e dedicação muito grande por ela. Infelizmente trabalhar com HQ nacional, produção nacional é mais complicado do que licenciar algo pronto. Mas uma hora sai, nem coloco mais datas.

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MdOM: Em 2011 a Newpop fez 15 anúncios de lançamentos para 2012 e não conseguiu cumprir a meta. Nesse último Newpop Day rolaram 19 anúncios que animaram o público e você afirmou que eles chegariam em 2016. Agora vai? Aconteceu alguma mudança na editora nesse tempo pra gente acreditar na promessa agora?

JF: Sim, em 2011 a editora era bem mais nova e nesse período foram surgindo oportunidades que não poderíamos deixar para depois, com isso, muita coisa foi sendo remanejada. Aconteceu que a editora vem evoluindo com o passar dos anos, aprendendo com seus erros e claro, com mais colaboradores. Além dos mais, muitas dessas séries são curtas. Acredito que a NewPOP seja uma das editoras mais transparentes do mercado, obviamente, na questão da comunicação com os leitores.

MdOM: Embora a Panini e a JBC estejam enfrentando alguns problemas com papel, você disse no último Newpop Day que a crise não afetou a tua editora. Qual foi a bruxaria que você fez para manter a qualidade acima da concorrência?

JF: Continuo usando o papel de sempre. É uma questão simples de escolha, ninguém compra papel no escuro.

MdOM: Qual o plano da Newpop para quando acabarem todos os licenciamentos possíveis de Madoka?

JF: Continuar lançando outras obras. A NewPOP não vive de Madoka ou de relançamentos. Se você analisar, mantemos sempre apenas uma série da franquia em nossa grade de lançamentos. Quando uma termina, aí começamos outra.

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MdOM: Nos últimos anos a Newpop deixou de ser uma editora que só lança títulos em eventos e passou a publicar também em outros meses do ano, mas ainda tem alguns problemas para manter a periodicidade dos seus títulos. A razão disso é a clássica desculpa da enrolação dos japoneses nas aprovações ou tem algum outro motivo?

JF: Há vários fatores, a questão de aprovação por parte dos japoneses é a principal. Mas como comentei no NewPOP Day, houve um erro de planejamento da editora que – durante os dois principais eventos do ano para este mercado (Anime Friends e Fest Comix) – fazia diversos lançamentos, muito deles, por serem séries regulares, nos forçavam a ter que encaixar uma quantidade de lançamentos maior do que nossa capacidade de produção e de funcionários permite.

MdOM: Se não estou enganada, em uma palestra você chegou a dizer que as pessoas estavam mais interessadas em comprar o mangá de No Game No Life que as novels que têm mais conteúdo. Você acha que isso é falta de informação sobre o que é uma light novel ou é apenas a preguiça tradicional do brasileiro de ler algo que tem mais caracteres que o livro da Kéfera? Ainda dá pra crescer o mercado de novels no Brasil?

JF: É um reflexo cultural do país, que não lê muitos livros. Além disso, acredito que a questão financeira também conta e o fato dos novels não serem vendidos em bancas (ou seja, possui um alcance menor). Mas, sim, o mercado de novels deve crescer, mas não acho que passará em vendas o de mangás.

MdOM: Obrigada pela entrevista, Junior. Poderia deixar para os leitores do Mais de Oito Mil uma mensagem ou uma dica para manter o visual tão jovial como o teu? Desde 2002 que te vejo em eventos e cê tá com a mesma cara!

JF: Agradeço a oportunidade e que continuem apoiando a NewPOP (aliás, a grafia correta é NewPOP, blz?). O segredo não tenho a menor ideia, trabalho com o que gosto, talvez seja isso.

25 Respostas to “Mais de Oito Mil entrevista Junior Fonseca, dono da NewPOP Editora”

  1. Agronopolos 05/01/2016 às 15:29 #

    “…Uma das Editora mais transparente do mercado…”
    Será que é eles que vendem o papel que é usado em mangás? Pois se não sabem o que é objetivo de colocar material no mercado então são revendedores de papel de impressão dos mangás

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  2. MC 05/01/2016 às 16:13 #

    Editora com a melhor edição, de loooonge. Parabéns por sempre caprichar no produto, Júnior. JBC e Panini take a note

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  3. #dezcentavostambémédinheiro 05/01/2016 às 16:47 #

    Só espero que contratem alguém que não invente tradução só pra fingir que fez o trabalho. :(

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  4. raipirocu 05/01/2016 às 17:04 #

    “JF: Continuo usando o papel de sempre. É uma questão simples de escolha, ninguém compra papel no escuro.” – Compra sim Júnior, a JBC compra

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  5. Otaku Doente 05/01/2016 às 18:02 #

    CHUUUUUPA MARA, KD aquele post sobre quem é o tal Ranger vermelho que virá pro Brasil?

    Toma aí http://www.jbox.com.br/2016/01/04/alteracao-walter-jones-o-zack-de-power-rangers-pela-1a-vez-no-brasil/

    Agora é o Zack fio
    Será que tu aguenta um ranger preto? XD

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  6. Otaku Doente 05/01/2016 às 18:05 #

    Rolou algo entre vc dois?

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  7. Eu_ 05/01/2016 às 18:43 #

    Mais de oito mil está entrando para a imprensa especializada (Pfft)
    Quem poderá nos salvar?

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  8. asdasdasdaasd 05/01/2016 às 19:51 #

    Mina obra….

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  9. André 05/01/2016 às 20:25 #

    Mara ganhou um box de Madoka pela entrevista

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  10. Luciano von F. 05/01/2016 às 21:05 #

    “ninguém compra papel no escuro” – Seção de frases da Veja.

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  11. Tum Tum Zum Zum 05/01/2016 às 22:30 #

    Afinal quantos anos tem esse tiozinho??

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  12. Gabriel 05/01/2016 às 22:53 #

    Mas heinho, #dezcentavostambémédinheiro, e se traduziram direto do japonês pro português, e os gringos que traduziram errado? Não sei se é esse o caso, mas esse tipo de comparação deveria ser feita com o original, não com outra tradução.

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  13. jasque 06/01/2016 às 01:21 #

    Não existe papel no escuro grátis

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  14. jasque 06/01/2016 às 01:22 #

    Btw espero que esteja juntando material pro Dossiê Kira parte 3

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  15. #dezcentavostambémédinheiro 06/01/2016 às 01:37 #

    Na página seguinte a essa a Chiyo revira a caixa na mesa e caem 2 papéis e a moeda, que a Tomo já coloca dentro do seu próprio bolso.
    Logo, a Chiyo desdobra o papel e lê, ao lado da caixa, que alguém deu a sugestão dos bichinhos de pelúcia.
    Ou a tradução está errada, ou a Tomo roubou a moeda que era pra ser pra ser usada pela classe e a Chiyo leu o que tava escrito em uma nota de vintão doada por alguém.

    Mas que seja, vamos levar em consideração que esses trechos não sejam evidências e que as duas editoras americanas que publicaram o mangá com traduções distintas, traduziram errado nas duas vezes. Então vamos nos focar apenas na tradução em português:

    Quadro 1:
    “Coloque QUALQUER QUANTIA para financiar nosso projeto do festival cultural.”

    Quadro 2:
    A Tomo joga a moedinha lá dentro e a Yomi pergunta o que ela está fazendo.

    Quadro 3:
    A Tomo responde que colocou 10 centavos. A Yomi retruca que a caixa é pra colocar dinheiro pro festival.

    De acordo com o quadro 3, podemos então supor que 10 centavos não é dinheiro.
    Pois caso contrário, não havia porque a Yomi ter dito isso, certo? ;)

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  16. Roses 06/01/2016 às 02:53 #

    Eu cheguei a olhar o original, é caixa de sugestões, sim. A parada está no porque ela colocou dinheiro. No Japão existe toda uma tradição de que a moeda de 5 ienes (na época 10 centavos) é uma moeda que dá sorte por causa do nome que se assemelha a outra palavra “goen” que significa destino e tal. Enfim, essas moedas são “doadas” nos tempos shintôs como forma de ganhar boa sorte. Que é o título da tirinha.

    Claramente o tradutor não achou que as pessoas fossem entender a referência de se “doar” uma moeda numa caixa de sugestão em troca de sorte e tentou adaptar que ela estaria “doando” apenas 10 centavos de forma mesquinha por um motivo ridículo. (Que se você pensar é a mesma coisa do original, que, ao invés de dar sugestões, apenas deseja por sorte para que outros consigam fazer sugestões.)

    Não é erro de tradução, foi uma adaptação. Agora, se adaptação ficou boa ou não é outra história. Inclusive a versão em inglês também está adaptada! Ela não diz “uma moeda da sorte”, ela diz “5 ienes”; a outra retruca “não é disso que precisamos, mas de sugestão”, como se dissesse “não queremos sorte, queremos que você se esforce e sugira coisas”.

    Veja que ambos adaptaram de formas diferentes. :)

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  17. Roses 06/01/2016 às 02:56 #

    *Adendo*
    Inclusive, por ter sido dito que “não queremos sorte, queremos que você se esforce e sugira coisas”, que a mocinha inventa uma desculpa esfarrapada para se safar da bronca. Como se dissesse “Mas, olha, a lenda da caixa diz que”.

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  18. Ka 06/01/2016 às 12:43 #

    A Mara acha que a gente não sabe que essa entrevista com o ~CEO de uma das maiores editoras do país~ faz parte do grande keikaku dela para conseguir se credenciar em eventos

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  19. Ninguém 06/01/2016 às 14:12 #

    O problema do quadrinho postado aqui nas respostas é por conta do excesso de palavras cortadas para caberem no balão… estou esquecendo muitas palavras, não me lembro mais como se chamam esses hífens usados para indicar que uma palavra continua na linha debaixo…

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  20. #dezcentavostambémédinheiro 06/01/2016 às 18:37 #

    Ok, então ele sabia que a caixa era de sugestões e a história se referia a colocar uma moeda para dar sorte, mas ele não sabia como explicar isso num contexto simples como o da primeira versão americana e resolveu reinventar a roda e reescrever tudo, pouco se importando com a continuidade da história. :(

    “JF: Continuo usando o papel de sempre. É uma questão simples de escolha, ninguém compra papel no escuro.” – Compra sim Júnior, a JBC compra

    Sei não, pois pode ser que a JBC soubesse sim que tava comprando papel transparente e esperava que o povo não percebesse tanto, mas quando a coisa ficou feia pro lado deles, resolveram então dar uma de joão sem braço…

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  21. The Fool 07/01/2016 às 14:56 #

    Tenho fé que Hansel e Gretel sai esse ano, não é possível! @_@ O Douglas comentou que reduziu a história a dois volumes e o primeiro tá ok. Não é possível que dê mais alguma zica e o volume 2 empaque por mais anos!

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  22. Mr. Sandman 10/01/2016 às 02:29 #

    Quando vi escrito “Hansel & Gretel”, achei que fosse a versão em mangá feita pelo KATSUHIRO OTOMO, e não esse troço “made in brasil”.

    Enfim, que se foda.

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  23. Roses 10/01/2016 às 14:47 #

    “Ok, então ele sabia que a caixa era de sugestões e a história se referia a colocar uma moeda para dar sorte, mas ele não sabia como explicar isso num contexto simples como o da primeira versão americana e resolveu reinventar a roda e reescrever tudo, pouco se importando com a continuidade da história. :(”

    Eu não sou a tradutora disso, nem sei quem foi, não sei o que o cara sabia ou não. Mas visto que a tradução está “inventada”, me leva a imaginar que sim, ele leu e decidiu mudar. Depois não percebeu ou ligou que a continuação não batia. Se não me engano foi o Fabio Sakuda quem traduziu.

    Meu único ponto foi demonstrar que 1. existe uma diferença entre erro de tradução e adaptação; 2. inglês não serve de referência, ele pode estar adaptado ou errado. Busque sempre o original japonês. :)

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  24. douglasmct 12/01/2016 às 00:05 #

    Hansel&Gretel tá pronto desde o ano passado (no lápis). Falta uma tinta aqui, uma retícula ali, de 2016 não passa. Mas a resposta do Junior é a que vale 8)

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  25. Anders Bateva 14/03/2016 às 13:09 #

    “a clássica desculpa da enrolação dos japoneses nas aprovações”

    Desconheço.

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