Finalmente o post mais esperado do blog apareceu. O de despedida? Ainda não! Voltei com a análise da segunda edição da Ação Magazine. Ganhei a segunda edição do meu namorado e agora posso falar dela! Depois do post ultra-discutido da primeira edição, será que houve alguma mudança? Será que as sugestões foram úteis? Como será que são as novas histórias, Rapsódia e Expresso? Sim, minna, chegou a hora do post da Ação Magazine volume 2! Coloquem um post-it no tablet do Zé Roberto avisando que a discussão agora é nesse post e IKIMASU para mais uma análise de mangá nacional!!!
(Eu ia falar que tem spoilers, mas qualquer resenha de merda que vocês lêem na internet tem spoiler de primeiro capítulo, então que se foda!)

A primeira surpresa da edição foi que pegaram o Editorial do Lancaster da primeira edição e jogaram no auto-resumo do Word. A pretensão continua grande, mas pelo menos não parece texto teórico pedante.

Começou Rapsódia, um mangá que se passa em um mundo fantástico em que as duas regras ortográficas co-existem em perfeita harmonia! E já começa com o protagonista usando os ensinamentos do Professor Girafales e usando um livro para ser gente de bem.

Seguindo o clichê de histórias de fantasia, foram colocados montes de nomes parecidos, confusos e impronunciáveis.
Um guerreiro do mundo de Thalacia chega em um vilarejo que é defendido por duas crianças lúdicas que só brincam de aventureiro e importunam adultos.

Depois de ouvir que as crianças queriam caçar um gigante, o protagonista teve um flashback que eu só notei porque eu estava relendo a história.
Eu tenho quase certeza que o nome do gigante é Flink, mas a fonte utilizada fez o favor de transformar isso em uma piada pronta que mostra um preconceito cultural com um gênero de música popular.

E continuando com o “Manual dos Clichês de Mundos Fantasiosos e suas Histórias”, o autor tira uma informação do nada e solta na história esperando que a gente ria da revolta do protagonista em não querer ser um Kulilin Hullikin.
Depois, ficamos sabendo que o protagonista se chama… RALPH REEGAMPOTT. Ou isso é obra de uma consulta com a Aparecida Liberato ou então o seu nome foi decidido da seguinte forma: joga-se dois sushis no teclado do computador, os caracteres que saírem formarão o nome dele.

Depois de uma conversa com o cara da estalagem e que é o pai ausente das duas crianças, o Crystian & Ralphvafvmehv decidiu brincar com os moleques, então eles foram para uma caverna em que supostamente haveria um gigante.
O Gigante, que assim como a Carmen SanDiego, não queria ser encontrado logo no começo, revoltou-se e decidiu matar as crianças.

Os meninos correram para a floresta, enquanto Ralphflruvnfu decide proteger as crianças usando um livro que lhe dá poderes mágicos. Uma idéia…

…deveras original.
Bem, depois de frases de efeito ditas aleatoriamente no meio da luta, Ralphloren vai embora e deixa o pai esperançoso com o futuro, sem perceber que o guerreiro de nome estranho deixou o vilarejo à mercê de qualquer problema, já que ele acabou com o gigante que era quem cuidava da segurança do lugar.
Já pode ser político: remedia o problema a curto prazo, mas faz uma merda pro futuro.

Vamos mudar de história, porque agora é a vez de Expresso, de Alexandre Lancaster. Olha que primeira página legal, minna. Com uma página simples, ele contou a história de um cara que foi o mais famoso na área dele, e depois da sua morte serviu como inspiração para toda uma geração, começando a era dos inventores.
Começar uma história com um personagem morrendo e criando uma nova era é muito criativo mesmo, parabéns Lancaster!

Uia, quem colocou a primeira página do One Piece aqui no meu blog?

O mangá acontece em um período conturbado da história do Burajiru. Como vemos na imagem, uma família, que não sei se está a jogar Twister ou se está servindo como modelo para uma escultura surrealista, está para ser alvejada por homens iguais com o character design de Gen Pés Descalços. A diferença é que o traço de Gen pelo menos era coerente e compatível com a época.

Por ter salvado o senhor que estava no meio de uma partida de Twister, Adriano ouve umas histórias da cidade local. Parece que lá é dominada por dois coronéis, que surpreendentemente não são interpretados pelo Lima Duarte ou pelo Ary Fontoura. Ah, e fica sabendo que misteriosos raios caem do nada e matam pessoas.

Adorei essa participação especial do Marcelo Del Greco nos diálogos e do revisor da Savana no texto. Porque “ali” tem tanto acento quanto “cu”.

Que baixaria essa história, gente. Os filhos dos dois coronéis rivais estão se encontrando escondidos na igreja acobertados pelo Padre Marcelo! Aposto que o rapaz está de pedindo pra Lobélia erguer as mãos enquanto enfia sua ágape nela.

A história está desenrolando bem, tá com texto ágil e não parece tão parada quanto as histórias da primeira edição. Certeza que o Lancaster deu aquela trollada nos outros autores falando “Pô, coloca mais diálogo e menos ação, o público gosta” só pra poder fazer seu próprio mangá ficar mais interessante. Adotem essa estratégia em suas vidas corporativas, minna!
E tô apaixonada por essa senhora correndo desesperada depois que um raio queimou a cidade dela. Tem vocação de virar meme assim como otaku tem vocação de virar vagabundo.

E o mangá termina com o Adriano dizendo que quer deixar sua marca no mundo. Olha, depois de ver que o seu óculos de aviador é usado por todos os protagonistas de Digimon, podemos dizer que sua marca está viva até hoje. Orgulho, só que ao contrário.

Dá tempo pra uma denúncia? Queria avisar às autoridades da Ação Magazine que o Didi Paralítico da primeira edição de Tunado fez uma plástica e roubou o template da cabeça do Madenka. Mas isso não importa, o importante é que na próxima edição começa O MANGÁ MAIS ESPERADO desde a continuação do anime de Dragon Ball Z. Vem aí…

ASSOMBRADO, A MAIS NOVA OBRA PRIMA DE PETRA LEÃO!!! Quem vai querer ler o post põe o dedo aqui!
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Agora que já fiz o post normal do blog, chegou a vez daquela postagem mais séria falando da revista.
Lembram as críticas que fiz no post sobre a primeira edição? Pois então, as minhas reclamações parece que foram ouvidas (ou então bem mais gente reclamou das mesmas coisas). A revista agora tá bem equilibrada, com mais ação nas histórias, menos monólogos e uma diagramação mais inteligente. Agora sim tá parecendo mangá. Parabéns, pessoal.
Mas tem um pequeno detalhe que me irrita um pouco nessas duas primeiras edições: a pretensão. Isso é coisa minha, mas não entendo por que tanta gente faz tanta comemoração pelo lançamento de uma primeira edição de uma publicação. Várias revistas que já comprei traziam, por exemplo, um “Edição de Colecionador” na capa da estréia. Não digo que as revistas não devam festejar, mas não vejo sentido em incluir a gente na comemoração. Não conhecemos vocês e nem a revista ainda, por que vou a uma festa de alguém que não conheço?
E por que eu digo que não se deveria comemorar? Bem, acho que vocês mesmos conhecem uma porrada de revistas que nunca foram além da segunda ou terceira edição, e isso faz uma grande festa de inauguração risível. Precisa de tanta pretensão assim? Seriados americanos, por exemplo, só fazem festa e celebração quando chegam ao episódio 50 ou 100, porque é gigantesco o número de séries canceladas sem nem ter um terço de temporada exibida.
No começo de Rapsódia tem um “Começa aqui! A música de uma aventura de proporções gigantescas!”, já o começo de Expresso tem um “A Revolução Steampunk”. Me desculpem, mas eu acho o mercado de quadrinhos no Brasil tão perigoso e incerto que acho de bom tom começar as coisas com um pouco menos de pretensão.
No geral, Rapsódia é uma série bonitinha e competente, falta uns pequenos ajustes, mas isso acontece em qualquer história (até nas séries endeusadas japonesas). Já Expresso foi onde eu vi os problemas um pouco maiores, vou falar um pouco deles.
A ambientação é interessante, a história é criativa, mas foi apresentada de uma forma confusa demais. Sabem quando eu fui entender a história mesmo? Quando li pela segunda vez, pra poder fazer essa análise. E isso me fez entender o grande problema dela: ela está perfeita para pessoas que sabem o que vai acontecer. Eu, na minha primeira leitura, achei confusa, não entendi muitos personagens, tinha umas mudanças de cena que eu não percebia etc, já na segunda leitura percebi as coisas. Isso mostra que faltou um olhar de primeiro leitor na história, porque o Lancaster e o editor sabiam o que ia acontecer na história, por isso a leitura não trazia problemas para eles, mas para alguém de fora ela pode ser bem nebulosa.
E aí voltamos para a questão da Revolução, porque é isso que a história pretende, né? Agora, não entendo, de verdade, uma revolução dos mangás que usa um traço que era usado há 50 anos no Japão. O traço não tá feio, apenas está velho. Sei que podem ser as inspirações do autor e o escambau, mas fazer uma “revolução” com um traço da década de 60/70 é o mesmo que eu fazer uma revolução automobilística usando carroças. Esse tipo de traço pode até ser usado até hoje no Japão, mas aparece em revistas longe do mainstream. E não acho que seja a intenção do autor fazer Expresso um mangá de nicho.
Eu não tenho problema algum com revoluções, apenas não quero que sobre pra mim. Por que digo isso? Porque vamos supor que, por exemplo, a revista fracasse daqui uns três volumes. Cadê a tal revolução? Mais importante que isso, a culpa vai ser de quem? Porque do jeito que vocês apresentam as histórias como “revolucionárias” e “grandiosas”, o que parece é que se nada der certo a culpa vai ser do leitor.
E, como clientes, queremos ter razão, e não ser culpados por algo que não temos nada a ver.
Até a próxima edição!
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