Arquivos | MdOM Mangás RSS feed for this section

MdOM Mangás: O odioso³ Genshiken

5 jul

Vocês sabem o que é pior que esse título requentado do post mais criticado desse blog? O mangá Genshiken da JBC. Decidi acompanhar os meus leitores e comprar o primeiro volume desse lançamento, e com muito suplício eu cheguei ao fim da primeira edição com sangue nos olhos. Porque, de verdade, eu nunca fiquei tão incomodada com um mangá como esse câncer em forma de quadrinho japonês.

Vou começar contando a história para você que tem a sorte de não conhecer. Genshiken é uma história sobre um garoto que entra no grupo de estudos de uma faculdade destinado a estudar a cultura visual moderna, um nome pedante para descrever “OTAKICES”. Basicamente, é um mangá slice of life (“nada acontece” em português) sobre a vida desse grupo de estudos.

geyshiken01

Agora me diga: QUE ESTUDOS? Porque, numa boa, aquilo lá é um desvio de recursos para que uma cambada de virgem mantenha sua relação de quase doença com o idolatrado material composto de idols, fanzines pornôs e gashapons feitos por gente tarada. Para quê vocês querem 100% do lucro do Petróleo para a educação se esses virgens ficam mamando nas tetas das instituições?

Um dos pontos que me incomodou nesse mangá foi a “Scott Pilgrimização” do mundo otaku. Porque qual a graça de Scott Pilgrim? Nenhuma! Scott Pilgrim é uma história rala repleta de referências pseudo-nerds que só estão lá para que o retardado do leitor diga “ah, é a triforce do Zelda. Há Há!”. E se acham que estou sendo apenas implicante, pesquisem o que significa a palavra “pastiche”.

Em Genshiken, diversas referências otakas poluem os traços horrorosos do autor Kio Shimoku só para que os otakus virgens (redundância?) apontem e identifiquem o pôster da Sakura ou o lutador do Street Fighter. E o mangá incentiva essas referências através de tabelas doentias de gostos sobre categorias gerais (e eu chamo de doente sim porque precisa ser DOENTE um universitário que lista Ojamajo Doremi como anime favorito).

geyshiken02

“Mas Mara, sua otaka gorda e rancorosa, Genshiken é um retrato da cultura moderna e atual do nihon”

Não, não é. E não me chamem de otaka, porque fiquei com asco do termo depois desse mangá. Genshiken é a exaltação de um nicho que não deveria existir e PRONTO. Ninguém vai me convencer que ele retrata fielmente a Grande Nação Japonesa porque isso é irreal, e o autor tem uma visão deturpada das situações. A prova disso é como ele retrata todos os não-otakus: com traços estranhos e incômodos.

“Mas Mara, ele faz isso para mostrar o lado dos otakus.”

Meu querido leitor que insiste na qualidade desta merda, não existe como você fazer uma obra sem colocar a sua posição na história. A partir do momento que eu não vejo crítica ALGUMA ao modo de vida dos otakus, eu posso afirmar que o autor é tão doente quanto esses imbecis criados por ele. E não adianta nem colocar uma mulher bonitinha na capa que critica os otakus (mas que será absorvida para esse ambiente futuramente, aposto), porque isso só deixa Genshiken mais parecido de um The Big Bang Theory, ou seja, uma comédia para rir DOS otakus, e não COM os otakus.

geyshiken03

No fim, o que acontece com Genshiken é o mesmo problema de Bakuman. Enquanto esse glamouriza o mundo dos autores de mangás (quanto adolescente imbecil não virou PHD em mangá depois de Bakuman?), Genshiken glamouriza o “grupo de estudos”. Acreditem, estudar algo (mesmo mangás ou a tal “cultura visual moderna”) é muito menos legal que o que aparenta (inclusive temos entrevistas com um estudioso de mangá aqui no blog, lembra?).

Minha opinião é: eu sinto é NOJO de ter lido esse mangá machista (tive até um embrulho na cena em que o retardado do protagonista reclama que o outro otaku estava com uma mulher como se isso fosse a coisa mais bizarra do mundo), sem propósito e completamente desnecessário. Nada contra a edição da JBC (que tá normal), meu problema foi com esse autor, essa história e essa mentalidade de idolatria aos otakus.

***

Regras para o mimimi:

 Alguns leitores podem ficar incomodados com as críticas desse LIXO. Podem comentar à vontade, inclusive com xingamentos, porém alguns argumentos não vou aceitar:

1- “Mas você só leu o primeiro volume”

E se eu não gostei, para quê eu vou continuar lendo? Se o autor não consegue me manter interessada nos primeiros capítulos, não sou eu quem devo ter esforço.

2- “Você é mulher, nunca vai entender isso”

E você é burro por pensar assim. Preciso relembrar aquele post sobre como mulher pode ler shounen, seu misógino?

3- “Faz melhor antes de criticar”

Lembre-se desse argumento quando for à próxima manifestação com a máscara do Guy Fawkes pedir pro prefeito da cidade sair. Vai fazer melhor antes de criticar!

MdOM Mangás – Luluzinha Teen e a melhor crítica de evento de animes de todos os tempos

8 fev

Diversos leitores me avisaram que a edição desse mês de Luluzinha Teen era temática de evento de anime. Acho que se li uma edição dessa bomba foi muito, mas por amor aos leitores tive que mandar meu kareshi comprar essa edição para uma análise especial. Assim que abri a revista, vi que o roteiro era do Marcel R. Goto, famoso no meio dos otakus por ter participado de vários projetos que afundaram nas décadas passadas, como a revista SUGOI (uma Ação Magazine com menos pretensão).

Quando li a história dos animes, eu tive uma surpresa. Se você quer saber se foi uma boa ou uma má surpresa, eu recomendo que LEIA A MATÉRIA. IKIMASU!!!

luluzinhateen01

Depois que a internet cai, Aninha vai até a biblioteca. Sabe aquela propaganda de internet a cabo, que diz que as crianças vão começar a estudar mais quando colocar rede na casa? Então, é mentira, ela vai ficar no Facebook compartilhando meme com Death Note ao invés de se preocupar em descobrir quem é o Regente Feijó.

Chegando na biblioteca, ela descobre que lá rola um encontro de otakinhos que ficaram chocados em ver uma mulher de verdade. Para você entender a surpresa do virgem, é a mesma reação se você descobrisse que a Band vai passar Cavaleiros do Zodíaco no horário noturno e apresentado pela Mitsui fazendo uma guerreira sexy.

Daí a Aninha, que parece ser tão nerd quanto um personagem chamado “Download” na Malhação, descobre que eles estão fazendo um evento de anime, o LIBERTANIME. Eu sei que o nome da cidade é Liberta, mas esse nome é meio caf…

luluzinhateen02

ANIME COMADRES? ANIMECONVENÇÃO??? Que marmota é essa??? O Sr roteirista Goto veio aqui no meu humilde blog ROUBAR AS MINHAS PIADAS???

Hunf…. tô de olho, heim? Mas vou falar que curti a trollada com os eventos do Burajiru…

luluzinhateen03

Se alguém pegar esse quadrinho solto, parece que a Aninha tá falando de qualquer pessoa que organiza evento aqui, né?

Isso é apenas um comentário que quis compartilhar mesmo, sem qualquer referência específica.

Então eles discutem para pensar num local do evento, e então temos a PÁGINA mais sensacional da história dos quadrinhos nacionais. E não estou zoando!

CONFIRÃO:

luluzinhateen04

Agora, vejam bem, estamos falando de cinco adolescentes com garra que se reúnem para fazer um evento, e eles decidem usar uma escola porque é mais barato mesmo.

Agora olhe os eventos que você freqüenta e lembre-se que eles são organizados por adultos. A-DUL-TOS (não sei se separei certo).

E a perspicácia do autor é tão grande (Rigoto te adoro!) que ele conseguiu representar FIELMENTE os flyers de evento:

luluzinhateen05

Estou animepassada com a animesambada do autor nos eventos de anime.

Aí eu imagino um organizador de evento de anime lendo essa história e pensando “Ufa, sorte que as pessoas não vão comparar o meu evento profissional numa escola com esse evento fuleco realizado numa escola porque o meu evento profissional conta com atrações internac…”

luluzinhateen06

ATÉ O KAGEYAMA VEIO PARA ESSE EVENTO!!!

Prova viva que a minha teoria de que ele mora na Liberdade tem fundamentos, porque só assim ele poderia vir tanto ao Burajiru sem precisar ficar tirando vistos (inteligência mandou um beijo pro Tommy).

Essa história tá tão zueiramente fantástica que não sei se ela consegue ficar melh…

luluzinhateen07

…AI…

luluzinhateen08

…MEU…

luluzinhateen09

…KAMI-SAMA, ESSE ROTEIRO FANTÁSTICO ESTÁ SAPUCANDO UM CHA-LA HEAD CHA-LA NA MINHA CARA!!! E esse Kageyama que saiu de casa correndo sem tomar café e pegou por acidente a peruca do Akira Kushida.

E quando esse quadrinho-denúncia sobre os eventos de anime no país parecia que havia acabado com todos os clichês, eles me aparecem com…

luluzinhateen10

OS FUNCIONÁRIOS VOLUNTÁRIOS!!!

Sério, essa edição de Luluzinha Teen é uma crítica tão brilhante aos eventos de anime no Brasil que eu preciso aplaudir de pé o autor. Porque ele conseguiu mostrar como os otakus se envolvem com encontros “profissionais” que têm características de eventos organizados por adolescentes.

Nem sei se você vai ler isso, mas você ganhou 5 estrelas Level E de trollada com esta edição, Marcel R. Goto!

MdOM Mangás: O desferramentado de Tools Challenge

13 jan

A melhor coisa de analisar mangá nacional é que eu tenho a chance ser lida pelos autores. Às vezes só me ignoram, outras ficam putos (tipo certos mangás de vidros quebrados) e outros ainda levam super na esportiva as brincadeiras que saem por aqui ou no Twitter, tipo o autor do Madenka aceitando a trollagem da própria revista:

tools04

Recentemente eu fiquei encantada com o mangá “Pré” que saiu na terceira edição da Ação Magazine. O autor é Max Andrade, que ficou tão comovido que pediu para que eu divulgasse a campanha no Cartase para coletar dinheiro e lançar uma versão impressa de um outro mangá dele.

Esse site é o mesmo que o Fabio Yabu usou para conseguir 50 mil reais dos fãs e ter, só então, o apoio da altruísta JBC para o retorno dos Combo Rangers. Eu poderia fazer só um post com o link da contribuição (que acaba em 5 dias, corre!), mas eu vou fazer mais. Vou ANALISAR o mangá dele! Porque não posso gastar a minha credibilidade apoiando algo que eu não li, né? Porque para gastar credibilidade falando de algo que não sabe já temos todo o resto da nossa imprensa especializada (pff).

IKIMASU fazer uma análise de Tools Challenge!

tools01

Se a Ação Magazine fosse um reality show igual ao The Voice, o Alexandre Lancaster seria o apresentador e os quatro jurados ao mesmo tempo, e não viraria a cadeira para Tools Challenge porque esse mangá tem um nome em inglês e é muito mais carismático que Expresso. Que implicância besta com o nome, porque não tem nada mais brasileiro que um personagem que gasta dois salários mínimos por semana com pomada para cabelo e ainda caga todo o serviço passando papel crepom verde.

tools02

No mundo de Tools Challenge, algumas pessoas nascem com ferramentas. Legal é que a ferramenta parece que vai crescer junto com a pessoa, então já podemos esperar que no futuro venha a ter uma conversa constrangedora sobre partes do corpo masculino que vão aumentando com o tempo.

A história começa com o personagem chamado Raion acordando em sua cama, no que parece ser uma tentativa multimídia do autor de já facilitar a adaptação de sua obra para um JRPGS clichezentos que começa com o protagonista levantando numa bela manhã.

Nesse mundo ele explica que quem nasce com a ferramenta não pode ficar mais de 15 anos separado dela, e como ele tem 14 e alguma coisa, ele vai tomar no rabinho dele em poucos meses.

tools03

Aí um amigo mostra um DVD sobre a competição Tools Challenge, um torneio mortal que o prêmio é justamente a ferramenta que ele perdeu quando criança e que agora está com o vencedor do ano passado. Se isso tudo acontecesse comigo, eu veria duas alternativas na minha frente:

1- Pedir gentilmente pra segurar um pouco na ferramenta do campeão (só não falo “sem trocadilhos” porque não vi a cara do campeão) e assim eu ganho pelo menos mais 15 anos de vida

2- Sacrificar minha vida participando da competição correndo um risco enorme de um brucutu enfiar uma chave inglesa no meu ânus.

Preciso falar qual o Raion escolheu?

O pai do Raion, que não se chama Gaviaion (*Ba dum tish*), chamou o filho para uma conversa séria sobre a ferramenta. E quando eu achei que ele ia falar que o instrumento dele era grande e a do filho pequeno, ele na verdade entregou uma ferramenta para ele usar na competição.

E esse é o primeiro capítulo. O traço é um pouco estranho no começo? Sim, e daí? A história é um monte de desculpas para que os homens fiquem digladiando com ferramentas em cenas de impacto? Sim, e daí?

E por que esse mangá nacional merece ser impresso? Porque é uma pessoa com talento (preferi o Pré, mas até aí é cada um com seus problemas) e que está tentando um lugar ao Sol. E eu acho muito triste que ideias como esta não vão pra frente por falta de um apoio de um Jovem Nerd da vida… então vamos fazer uma forcinha aí? O link para a campanha é esse aqui, e tem o link para ler a história de grátis.

(Max, desculpa a demora desse post, é que o cheque que você me mandou só caiu essa semana)

MdOM Mangás Especial: Assombrado, Pré e a terceira edição da Ação Magazine

27 dez

Dia 20 de Julho de 2011: Mais de Oito Mil analisa a primeira edição da Ação Magazine

Dia 13 de Dezembro de 2011: Mais de Oito Mil analisa a segunda edição da Ação Magazine

Dia 25 de Dezembro de 2012: Mais de Oito Mil analisa a TERCEIRA edição da Ação Magazine

Considerando que eu venho analisando próximo ao lançamento, isso só significa uma coisa: a flopação está de volta! A edição de 2012 finalmente deu as caras e eu vou poder analisar os dois novos mangás. Um é Pré (de Max Andrade), vencedor do concurso “seja o novo”, e o outro é Assombrado (da desenhista Roberta Pares e da roteirista Petra Ímpares Leão). Muito sucesso para essa revista que se pós-graduou na escola Newpop de periodicidade!

03acaomagazine01

Logo no editorial, Lancaster incorpora a cantora Kátia e fiz que não está sendo fácil, mas que a revista vai se acertar com o tempo, pois o importante é lançar e depois resolver as pendências. LANCASTERIZOU A FALTA DE PLANEJAMENTO.

E eu não preparei imagem para mostrar, mas pelo menos a revista foi lançada com todos os espaços publicitários vendidos! Parabéns! Tem anúncio de uma revista de RPG… do Lancaster. Tem um CD de homenagem ao Alceu Valença do… grupo que ajuda o Lancaster…

03acaomagazine02

Vamos para Assombrado, mangá de Petra Leão e Roberta Pares! Logo na primeira página já vemos como as autoras são ousadas, porque sambam na cara do lado lógico do cérebro que determina a ordem dos balões na leitura e criaram vários quadrinhos confusos.

Assombrado é a história desse menino aí que mora com um cara mais velho e que não em o menor parentesco com ele, e juntos eles resolvem mistérios de uma maneira bem clichê.

03acaomagazine03

(o que eu tinha dito sobre balões de diálogo em ordens estranhas?)

É um roteiro batido, mas a dona Petra sabe como fazer um roteiro por ter anos de experiência, então essa história está longe de ser uns outros barcos afundando da revista. Parabéns, Petra e Roberta, pelo trabalho bem feito.

Para comentar também essa história, acho justo convidar mais uma mulher que foi injustiçada por muito tempo devido às críticas: Fatinha Bernardes. Você tem algo a dizer sobre esse mangá?

parabensmdom3anos03

Entendi.

Depois veio o mangá escolhido pelo concurso de novos talentos. Como a gente deve imaginar, vários candidatos se apresentaram para o Lancaster, que segurava uma placa de “Rola” ou “enrola” para os candidatos. O mangá vencedor foi “Pré – O Drama da Escolinha-“, que euzinha achei a coisa mais fofa do mundo.

03acaomagazine06

É uma história passada num pré (ah vá!) com dois garotos brigando por uma menina. O autor Max Andrade tá de parabéns, porque o mangá dele é muito bom, divertido e despretensioso.

Mas, como todo bom programa de novos talentos, é claro que a voz do juiz principal tem que ocupar três páginas. IKIMASU ver a crítica que ele deu para Pré?

03acaomagazine05

Sabe quando você tava no ensino médio e aquela professora gorda começava a achar conflito psicológico em qualquer coisa assinada por Carlos Drummond de Andrade? Até lista de supermercado do poeta se transformava em uma obra de arte milimetricamente pensada.

Aliás, antes do Pré, tivemos duas páginas dando algumas dicas para os novos autores de mangás da revista. As dicas são, basicamente:

1- Faça um capítulo único, não um primeiro capítulo

2- Não copie ideias de mangás japoneses (Tunado manda aquele abraço)

2- (é, 2 de novo porque alguém não revisou o texto para avisar que o número tá repetido) Não faça histórias no Japão

3- Faça histórias no Brasil

4- Leiam de tudo

5- Sem muita violência

6- Não faça plágio

O melhor é na dica número 3 (na qual ele insinua que as histórias precisam ser feitas usando o Brasil como cenário), que tem a frase “mas, diacho, identificação com o leitor é tudo; foi assim que os japoneses conseguiram estabelecer o mangá como um grande sucesso”.

Curioso, eu JURAVA que o sucesso dos mangás era com a identificação COM OS PERSONAGENS, e não COM O LOCAL.

03acaomagazine07

Enquanto isso, em Expresso o protagonista continua repetindo ao final de cada frase que quer ser um inventor que quer mudar o mundo…

03acaomagazine08

Madenka continua com muito diálogo e cenas de ação legais…

03acaomagazine09

Jairo continua “zzzzzz” pra mim (exceto para a imprensa especializada, que continua punhetando sobre esses personagens de cabeça achatada)…

03acaomagazine10

…e Tunado continua provando a cada quadrinho como é merecedor do Prêmio Ângelo Agostini de melhor desenho de 2011. Parabéns.

***

Olá. Estavam sentindo falta desta parte da análise que eu falo sério? Então vamos lá.

Em primeiro lugar, sem brincadeiras, os leitores merecem uma justificativa. A edição anterior desta revista mensal (agora bimestral) foi lançada em dezembro de 2011. Isso sem falar no sumiço de Rapsódia, afinal a revista não é nem sincera com o leitor pra avisar que ela não faz mais parte da antologia.

Quanto às histórias, eu repito o que eu digo: Assombrado é interessante, Madenka vem melhorando, Jairo tem potencial com quem gosta e Tunado… bem… prefiro não comentar. Mas eu acho que todos os autores andam tratando suas séries com uma estrutura de capítulo da Shonen Jump, de 20 páginas, quando na verdade se trata de uma antologia “bimestral”. Eu acho que as histórias andam prometendo muito para o futuro e deixando o presente, que é o importante, de lado. Bem, mas aí é minha opinião.

Vocês podem até achar que é birra com o Lancaster, juro que não é, sempre o achei um jornalista muito competente. Prolixo, porém competente. Mas Expresso não vai vingar nem aqui e nem no Brasil do século XIX. Lá vou eu tentar argumentar usando todo o meu conhecimento de literatura de ensino médio…

Quando eu leio Expresso, eu sinto um autor tentando empurrar para a gente como o Brasil é legal, como o Brasil pode dar certo e como vamos crescer se acreditarmos no país. Sabe quem tinha o mesmo discurso? Monteiro Lobato. Acho isso tudo muito bonito, mas não funciona nesse caso.

Ele vive falando sobre como o Japão foi salvo pelos mangás, em como milhares foram ao velório fictício de um personagem de Ashita no Joe (sambei na sua cara ao mostrar que leio as matérias dele)… mas acho que ele se esqueceu que, acima de tudo, mangá é entretenimento. Monteiro Lobato sabia disso, e sabia divertir o público. Já no caso de Expresso…

***

CLIQUE AQUI e vote no 1º Troféu Imprensa Especializada (pff)

MdOM Mangás – Guardando objetos fálicos por uma década com Nisekoi

22 jun

Acabou Bakuman (relembre aqui) e seu manual de como ter um relacionamento alienado e frustrado foi-se embora como uma Ferrari alugada que vira a esquina. Quem poderia substituir este mangá que marcou o coração de toda a blogosfera e do público gado? Só OUTRO mangá que trata de relacionamentos de maneira deturpada.

Ressuscitando o MdOM Mangás, vou analisar o mangá Nisekoi, de um autor cujo nome não é relevante pois eu já esqueci. Seu trabalho mais famoso foi o mangá Double Arts, que foi cancelado em poucos volumes. PROMISSOR, HEIM?

Antes de começar a análise desse mangá sobre um menino que guarda uma fechadura por dez anos esperando a menina com a chave, já lanço a sugestão de música de abertura para o anime:


Nisekoi começa com aquelas páginas coloridas pra enganar o leitor e mostra duas crianças no estúdio que a Shueisha usou para gravar a parte do Elísios da Saga de Hades falando que dali dez anos iriam se casar, e cada uma guardou um bem. O garoto guardou uma fechadura e a menina a chave.

Nem precisa de mestrado em psicologia e/ou semiótica para entender o que cada um significa, não é mesmo?

O tempo passa e ele cresce vivendo…

…com dezenas de machos em sua casa.

Tá, eu li que ele faz parte de uma família da Yakuza, mas esse detalhe da história aumenta a chance da Shueisha chocar o leitor médio colocando um estupro homossexual. As fujoshi pira.

Como não lembro o nome do protagonista, vou chamá-lo de um nome aleatório… como Keitaro. O pobre Keitaro mora com esses gangsters, sonha em entrar numa Universidade conceituada e nunca teve uma namorada, porque se lembra se sua promessa feita no passado com a menina dos Campos Elísios. Até que na escola ele vê uma menina gostosa saltando um muro de dois metros, porque né… isso é tão coerente no mundo da Jump quanto trânsito na Marginal Pinheiros.

Quando ele foi contar pros amigos que uma gostosa caiu em cima dele, eles falaram o “aham Cláudia, senta lá” e logo comentaram que iria ser transferida uma aluna nova. Claro que o roteiro padrão da comédia romântica continuou até a cena de um apontar para o outro com cara de surpresa após a revelação que ela é a menina transferida.

Eles trocam ofensas até ele a chamar de macaca


Lógico que no mangá chamar alguém de macaca (por ter a habilidade de saltar um muro de dois metros) só gera uma cena cômica com um balão de diálogo homenageando o Kurumada. Se fosse no Burajiru, já tava o Hoje em Dia fazendo uma maratona sobre Bullying e Racismo e o Muito Mais fazendo debates comparativos entre os clipes do Alexandre Pires e o Bruno Mars.

Evidente que eles continuam discutindo, trocando socos, ofensas, ele falando que ela é uma garota selvagem e todos aqueles xingamentos que você leria com mais freqüência em Ranma ½ se a JBC não atrasasse tanto as edições…


O que é mais surpresa para vocês leitores? O protagonista não lembrar mais do rosto e do nome da menina da promessa ou eu ter dado Phoenix Down nos assustadores quadros brancos dos mangás mais antigos da JBC?

Daí que ele perde a birosca da fechadura e pede ajuda para a garota nova e para a garota que ele é apaixonadinho da escola.


Como o primeiro capítulo do mangá precisa ter o dobro de páginas que o normal, o autor deve ter feito uma história curta e enfiado no meio um filler que só mostra os dois personagens brigando desnecessariamente só pra dar audiência. Tipo de a produção da Fazenda colocasse uma carta escrito “Você é uma vaca, assinado: V.A.” na mala da Nicole Bahls, é só pra render o espetáculo.

Depois de enrolar a história da perda do colar, o autor achou que já ia parecer inverossímil e fez a novata achar a bijuteria. Ele começa a se questionar sobre abandonar a promessa que fez e a menina que ele é apaixonadinho fala “NÃÃÃÃÃO”.

Eu estou cansada desses mangás românticos de promessinha, e o autor fazendo suspense sobre quem é a personagem que ele entregou a chav….


….AI MEU KAMI-SAMA, ATÉ EU ME SURPREENDI AGORA.

E no fim do capítulo ele começa a namorar a menina macaca. Tá me olhando com essa cara por quê? Esperava sentido e um roteiro complexo na Shonen Jump?

Agora toca o encerramento do anime!

“Com a sua fechadura só minha chave abre…”

MdOM Mangás: Analisando o retorno de Samurai X (Rurouni Kenshin)

15 mai

Como vai demorar para chegar o próximo aniversário redondo de One Piece, Naruto ou Dragon Ball, a editora Shueisha decidiu comemorar o aniversário de Samurai X. Assim que o departamento editorial decidiu isso, mandou uma DM pro Twitter do Watsuki falando “Cara, dá uma pausa aí naquele seu mangá do Frankenstein que ninguém lê e faz um reboot comemorativo do Kenshin? Flw ae!”.

Depois de um pedido tão carinhoso, o Watsuki decidiu voltar com o Samurai X com o espírito da festa do gueto da Ivete Sangalo: pegou personagens de sagas diferentes, misturou o mundo inteiro e vamos ver o que é que dá.

IKIMASU para o retorno do retalhador:

E ele retornou com esse cabelinho de Gally do Gunnm após uma chuva torrencial.

O mangá começa com Kenshin andando no meio de uma cidade que mistura samurais, homens engravatados e um personagem criado por outro autor que conquistou nossos corações.

Te dou um tempo para encontrar esse outro personagem, e enquanto você pensa teremos uma cena fan-service com meninas do Programa Fantasia.

E agora a resposta. Olhem quem participou do reboot de Samurai X:

A versão criança de NÍCOLAS, A GORDA AMANTE DE TECNOLOGIA da nossa análise de Hunter x Hunter!

Sem qualquer motivo aparente, Kenshin é jogado pra lutar contra Kaoru num torneio de artes marciais valendo o toba. Na verdade, esse torneio tá valendo o Dojo Kamiya que, no fundo, não vale mais que um toba.

E quem será o organizador desse evento? Essa história tava tão confusa que quando eu li imaginei que poderia ser uma versão sem atadura do Shishio, o Enishi criança ou até mesmo o protagonista de Embalming numa estratégia do Watsuki de tentar emplacar seu mangá de qualquer maneira.

O torneio é organizado por Kanryuu Takeda, que seguiu o caminho inverso de Silvio Santos e pintou o cabelo de um tom escuro.

Durante a noite, Kenshin conversa com Kaoru e Yahiko e todo mundo se sente afagado pelo coração daquele gentil andarilho que tem uma humildade irritante, mas o Kanryuu tem um plano maléfico. Na calada da noite, ele avisou que Kaoru enfrentaria a batalha final no torneio noturno.

O primeiro pensamento que aparece é “KKKK não é publicado mais na Shonen Jump, então o ‘torneio maduro’ deve ser algo mais legal FAP FAP FAP”, e você começa a imaginar um torneio com mulheres peitudas lutando num octógono sujas de gel, mas o Watsuki revela que o torneio noturno será Kaoru contra…

…uma metralhadora.

Dá pra ver que Watsuki continua com seu vício por cenas impactantes. Outro vício que ele mantém é fazer personagens cuja heterossexualidade é questionável…

?

Kenshin revela que era o lendário Battousai Himzzzzzzzzzzz e aí fala que o humilde servzzzzzzzzzzzzzzz e agora ele vai viver em paz com a Kaoru e o Yahiko (que ninguém entendeu como se enfiou nessa história). Mas esse é só o primeiro capítulo, porque agora tem gente que quer a cabeça do Kenshin:

E no próximo capítulo, dezenas de vilões de sagas diferentes sem o menor sentido se unem para matar o Kenshin. É o que dizem: o Himura faz aniversário e quem ganha o presente de grego são os fãs.

MdOM Mangás – A segunda parte do encontro da Turma da Mônica Jovem com Osamu Tezuka!

10 mai

Eu tenho sido uma má blogueira. Completamente relapsa, não postando por dois domingos seguidos, os leitores encontraram a punição perfeita para mim. Fazer piquete na frente da Panini pelo fim dos glossários gigantescos? Esfregar a crise mundial da economia na cara do Marcelo Del Greco para quebrar a desculpa do aumento do preço dos mangás da JBC? Tampouco. Meus leitores me obrigaram a… analisar a segunda parte de Turma da Mônica Jovem feat. Osamu Tezuka. Um suplício!

Na edição anterior, Mônica e seus amigos foram para a Amazônia conhecer o projeto politicamente correto do senhor Amoroso, ao lado de personagens de Osamu Tezuka. O doutor tentou vender o Astro Boy pro Amoroso, o chato não quis e agora tá todo mundo cercado por animais selvagens.

Produção, é sério, quem autorizou a publicação disso?


A história começa com um flashback mostrando que Kimba, o leão branco, estava sendo carregado por caçadores num barco que afundou, e então ele foi parar no meio da selva amazônica. É, minna, foi uma forçada de barra tipo quando a Deborah Secco atravessou o Golfo do México numa canoa e chegou em Miami na novela América.


Os textos dos quadrinhos comentam que é necessário que joguemos com as cartas que a vida dá. Uma bela lição de vida. Porque, vai saber como é o destino, um dia você ganha o direito de escrever uma história com os personagens do Kami-Sama dos mangás e seu chefe manda que a história seja mais didática que a programação do Discovery Kids multiplicada pelo Playhouse Disney. Vai ficar uma merda, mas temos que jogar com as cartas que a vida dá.


Como você descobre se alguém é uma mulher? Basta falar “você deu uma engordada” e você reconhecerá as mulheres naquelas pessoas que saltarem a veia na testa . Por isso, é idiota a Mônica só descobrir que a Safiri é menina porque existe um macaco que só curte cromossomo XX.

Safiri começa a contar sua longa vida e como ela precisa fingir ser homem por causa do reino dela. Mas nos flashbacks dá a entender que essa aventura no Brasil se passa depois da história do mangá, mas no fim de A Princesa e o Cavaleiro ela é mulher assumida. Acho que faltou leitura de alguém, né? Só não ganha o troféu Furo de Roteiro do Ano porque ainda quero saber como vai ficar o vilarejo sem proteção do primeiro capítulo de Rapsódia.


Enquanto isso, no lustre do castelo que fez dezoito anos… no outro núcleo da história, os heróis (?) ainda estão encurralados por animais mandados por Kimba. E quando Cebolinha tem uma ideia coerente de usar o Astro pra fugir, Franjinha fala que não dará tempo de salvar todo mundo. Legal, só que 70% da edição são eles lá sendo encurralados e pensando em planos pra sair.

E eu acho cafona agora ser Franja e Cebola, como se o uso de diminutivo fosse fazer alguém deixar de ser “jovem” e “cool”.

O doutor maléfico tem a ideia de usar o Astro pra destruir todos os animais do bosque e Magali dá um exemplo da interpretação que conseguiu na Escola de Atores do Wolf Maya


linda! Tá Nina!

Lógico que Astro decide não destruir os animais, porque ele tem um coração e decidiu ouvir. Se um dia o Mauricio tuitar algo do tipo “klfgnkefnefnfnfnf” podem ter certeza que é o espírito criativo do Tezuka que voltou dos mortos pra puxá-lo pela perna.


Depois de ensinar às crianças que é legal alimentar animais selvagens com lanches naturais cheios de conservantes, Magali consegue convencer Kimba a parar de atacar o grupo de personagens que se encontravam encurralados por animais para facilitar a vida do desenhista.


Seu Amoroso fica inconformado com a devastação ilegal. Enquanto eu lia a história eu pensava “Que cara mais chato. Ele parece aqueles protagonistas de biografias de pessoas vivas, que não pode colocar qualquer característica negativa porque a pessoa tá viva e pode sentar uma chuva de processo na vida de quem escreveu.”

Depois, no “Fala Maurício” ele revela que o cara e a organização existem, então toda essa história de proteção à natureza é uma propaganda em dois volumes de uma madeireira politicamente correta. Parabéns, Tezuka curtiu isso.


Simulado surpresa do Enem!

Observando atentamente as duas personagens do mangá Turma da Mônica Jovem, o que elas estão fazendo?

a) Elas foram arremessadas de um furgão em movimento.

b) Elas saltaram um penhasco.

c) Elas estão dançando a abertura da novela das oito. OIOIOI!

d) Elas são robôs atraídos por um imã gigante.

e) Elas saíram correndo.

Acertou quem escolheu a alternativa E. Errou quem contratou este exímio anatomista.


Mônica leva um golpe violento de uma onça e contra ataca.

Isso mesmo que eu disse. Mônica levou um golpe violento de uma ONÇA.

Como essa história tá pior que purgante, vamos resumir o que acontece no final?


Apareceu um exército de robôs (mas heim?) que foram destruídos pelos animais amazônicos (Cuma?), e no fim todo mundo descobriu o amor, a harmonia e essa consciência pela proteção da Amazônia que o Osamu Tezuka planejou com o Mauricio de Sousa em 1988. Curioso, isso cinco anos antes da Rio 92, que levantou a questão pela primeira vez…

Tezuka era um vanguardista e não sabíamos.

 Relembre a parte 1 clicando aqui.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 3.120 outros seguidores