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Grande Debate: Qual é a 3ª maior editora do país?

11 out

debate

Olha que audácia esta blogueira Rayssuscitando uma seção inativa há dois anos! A Grande Debate está de volta, com papel pisa brite, uma nova tradução e um preço bem mais caro! Para quem não era nascido (vai saber, tem otaku com um ano de idade mental), a Grande Debate era um espaço para discussões positivas e filosóficas sobre diversos temas… pena que esse espaço era ocupado por otakices e trollagens dos meus leitores queridos. Mas o assunto de hoje é sério.

O que mais vemos pela internet são pesquisas e enquetes de “qual a sua editora favorita?”, e é bem difícil a gente definir qual é a maior editora de mangás do Burajiru. De um lado temos a Panini e sua maleta de dinheiro abastecida pelo código ROSEBUD, e do outro temos a ousada JBC e seus projetos editoriais inovadores. A proposta de hoje não é ver qual dessas duas é a melhor, porque isso é tarefa para os especialistas em mercado de mangás que comentam diariamente no Twitter com a convicção de uma Miriam Leitão. A questão hoje é outra: qual é a TERCEIRA maior editora do país? Vamos às concorrentes:

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A primeira concorrente é a editora Conrad. Ela, que foi a primeira editora de mangás em sentido oriental, fez tantos erros que fez com que ela sumisse e voltasse com mais freqüência que o mestre dos magos. Publicou coisas muito boas, como coisa do Tezuka, mas também fez umas merdas colossais, tipo quando pegou um mangá infantil e lançou em um formato diferenciado e custando menos de 5 reais para conquistar um outro públic… epa…

Ultimamente tem publicado quase nada, mas como ainda tem alguns títulos paralisados, ela entra na lista.

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Agora é a vez da Newpop, mais presente em posts do Mais de Oito Mil que nas bancas brasileiras. Surgiu como uma editora diferenciada que trazia títulos mais obscuros, na verdade ela adotou essa postura porque devia ser o que ela conseguia licenciar. Ultimamente conseguiu publicar um mangá do Clamp famosão, mas em compensação ainda tá sofrendo para publicar coisas anunciadas há 5 anos. Recentemente a editora parece ter entrado nos eixos e começou a publicar coisas boas, mas com tantos erros de revisão que faria a extinta JBC Mangás do Orkut morrer de inveja.

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Por fim temos a Nova Sampa, editora que ressuscitou de sua tumba feita em ponto-cruz com a ajuda de Marcelinho Del Greco. Surgiu como quem não queria nada e publicando seinens, mas conseguiu umas séries mais prestigiosas que as duas últimas editoras juntas.  Tudo bem que a maioria é tudo de putaria, mas quem quer coisa pra pensar quando otaku pode comprar um par de peitos gigantes.

Então essa é a dúvida. As três têm suas qualidades e seus contras, mas qual será que merece o posto de terceira maior editora de mangás nesse mercado maravilhoso brasileiro?

Grande Debate Mais de Oito Mil – Periodicidade de Mangás

31 out

Existe algo que eu espero muito todos os meses. É algo que, quando chega, dá um alívio. Tenho um calendariozinho em que anoto quando será o dia previsto para chegar. Só que, um dia, atrasa. Sua vida entra em pânico, tudo parece que vai desmoronar e que sua vida será diferente. Isso se chama ciclo menstrual. Já mangá atrasa mesmo, conviva com isso.

Depois dessa introdução absurda e que em nada acrescenta ao texto, vamos começar a nossa famosa seção de debates!

Recentemente, a Panini e a JBC decidiram mudar as periodicidades de seus mangás. Antigamente, as periodicidades estavam relacionas às vendas de mangás, então algum que vendia bastante saía com mais freqüência. Hoje em dia, até porque usamos tankos inteiros, estava saindo tudo mensal.

Mas alguém percebeu que isso, assim como remasterizar Dragon Ball Z, não era uma boa idéia.

A estratégia da Panini aqui no Brasil era entupir as nossas bancas de mangás assim como os poros de um adolescente espinhento. A estratégia óbvia era quebrar a concorrência usando o seu cheat de dinheiro infinito para comprar mais séries e lançar tudo aqui. A JBC teve que se virar nos 30 pra poder agüentar o tranco da Panini digitando “Rosebud” várias vezes e a Conrad saiu do jogo (mais por incompetência própria, né pessoal?). As bancas estavam entupidas de mangás mensais, até que inventaram as periodicidades mais espaçadas.

A Panini começou a colocar alguns bimestrais como teste, e agora ataca com os mangás trimestrais, como Kekkaishi. Vamos ver como a nossa imprensa especializada entende isso:

Segundo o redator do Jbox, um mangá de ação trimestral vai ser tipo um coito interrompido, então muitos leitores vão desistir da série nesse tempo. Afinal, acompanhar um mangá desses exige uma certa publicação mais freqüente. 6 anos é muita coisa. Tudo isso é o jeito do fã de pensar, mas e quanto ao mercado?

Não sei se muitos otakus sabem, mas o mercado americano não funciona com publicações mensais, elas são bem espalhadas até. Não pense que eles têm Naruto todo mês, ou então que lá sai tudo com uma freqüência equivalente. Lá eles trabalham mangás como livros, então anunciam uma data para a publicação e lá ela estará.

“Mas Mara, sua gorda de menstruação atrasada, eu tô cagando para o mercado do Império do Capitalismo. Eu quero meu mangá! Eu quero tudo fiel ao que tem na Grande Nação Japonesa!”

Então agora você vai ficar surpreso até o rabo fazer bico, porque quem disse que o mercado de mangás do Japão traz aqueles volumes mensais? PÁ NA SUA CARA! Lá os capítulos saem semanalmente, mas um volume só vai sair a cada três ou quatro meses. E lembre-se que o mercado japonês de mangás, assim como a estupidez dos otakus, é GIGANTE.

Mas voltando ao Brasil, podemos imaginar por que os mangás estão saindo espaçados. Alguns não devem estar vendendo bem o bastante (Air Gearlindo e mensal mesmo estando em andamento), alguns para não alcançar o Japão (tipo Naruto) e outros porque são publicados pela Newpop (e essa não lança nada). Só podemos pensar no seguinte: qual seria a periodicidade IDEAL para o mercado de mangás do Brasil?

Não é a minha idéia defender qualquer uma das editoras, porque acho que ser fã de empresas é limitar-se e não conseguir enxergar os defeitos da sua adorada, por mais que você possa dizer que você tem senso crítico para tal. A minha idéia é discutir qual é a melhor alternativa.

Seria lançamentos bimestrais, com revezamento de títulos a cada mês fazendo com que parem de competir entre eles e facilitem para os leitores comprarem mais? Seria continuar como tava e lançar tudo mensal, e que se foda se você não tem dinheiro para comprar tudo?

E nessa grande indecisão, é você que terá um papel importante, pois, embora eu leia todos os comentários do blog, não vou participar da discussão. Então vamos lá:

Bem, como diz a Daniela Albuquerque, “É com você!”. Espero que todos os oito leitores desse blog discutam nos comentários a seguinte pergunta:

“Vocês são #TeamBi/Tri ou #TeamMensal? Ou nenhuma das duas? Afinal, como vocês gostariam que fosse periodicidade de publicação de mangás no Brasil?

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Grande Debate Mais de Oito Mil + Investigations – Anime Friends é oficializado pela Câmara do Vereadores

14 set

Boa Noite.

É com essa citação ao grande William Bonner que eu visto o meu capacete e vou fazer uma crítica política aqui no blog!

*15 leitores fecham a página*

Voltem! Não vai ser chato! Eu prometo! Teremos loiras besuntadas de óleo no fundo do cenário da redação!

*35 leitores entram na página*

Então vamos começar com a notícia em si. IKIMASU para o site da Câmara Municipal de São Paulo!

Segundo a notícia, o presidente da Câmara dos Vereadores assinou a promulgação da Lei Municipal 15.417, do vereador Ushitaro Kamia. Essa lei INSTITUI o Anime Friends na cidade de São Paulo. O que isso quer dizer? Que o Anime Friends fará parte do calendário de São Paulo por ser um evento saudável e de família.

Tá, é tudo muito lindo, é tudo muito fofo, e provavelmente o evento que estão vendendo para os nossos vereadores não é o mesmo que muitos visitam. A Lei foi aprovada porque não recebeu veto do prefeito Gilberto Kassab, que todo mundo sabe, não tem filhos, então não precisa se preocupar com a saúde mental deles caso visitem o Anime Friends.

Como sou uma cidadã da cidade de São Paulo, tive acesso exclusivo (até parece, qualquer um pode entrar no site e ler) ao projeto de lei do deputado Kamia. IKIMASU conferir os melhores momentos?

Segundo a lei, que DECRETA com o jeitinho da Xuxa, o Anime Friends será feito com a ajuda do município em dois finais de semana, e que deverá ter palestras, discussões e oficinas relacionadas à arte e à difusão da mesma.

Deixa eu ver se a otaka aqui entendeu!

O Anime Friends agora tem o selo São Paulo de Qualidade de Evento? O município está plenamente de acordo com tudo o que acontece dentro do evento, como o não-uso de bebidas e a venda de produtos com nota fiscal?

E a lei pede que o evento traga discussões e palestras sobre a difusão da arte da cultura mais rica. Bem, isso é verdade, pois no último Anime Friends teve uma palestra sobre Scanlations e Fansubs. Mais difusão que isso, só com um espirro no metrô.

E na parte dos objetivos, ficou instituído que o Anime Friends deve promover os artistas nacionais. Olha, The Kira Justice, é a sua chance de ser alçado ao sucesso! Mas eu acho meio contraditório um evento que tem que promover a cultura da Grande Nação Japonesa E a cultura do Brasil.

E também o evento tem como objetivo ter um ambiente favorável. Espero que seja apenas no campo mental, porque um galpão que está para ser demolido há 5 anos é tão saudável quanto você deixar a Valesca Popozuda ensinar Educação Sexual numa escola.

Então, com esse projeto do honrado vereador Ushitaro Kamia, que já apareceu em algumas notícias jornalísticas ao ser acusado de desviar doações às vítimas da chuva em São Paulo e no Rio, o Anime Friends se torna, oficialmente, o responsável por promover a cultura japonesa aqui em São Paulo, com suas palestras, workshops e ambiente saudável. Lógico, como nunca pensei nisso, o foco do Anime Friends sempre foi a cultura!

Aliás, tem uma coisa que eu queria muito perguntar para o senhor vereador. O Anime Friends então é para a promoção da cultura japonesa, correto? Então a entrada do evento vai passar a ser gratuita? Ou o senhor estaria colocando um preço de 35 reais AO DIA para que sejamos iluminados pela cultura japonesa? E esse preço é inclusivo? Pois a lei outorga que o evento também atinja a periferia, e sabemos que 35 reais não é um dinheiro que todo mundo ganha de troco do pão.

“Mas Mara, sua gorda mão-de-vaca, essa sua discussão não vai ajudar em nada. A lei já foi aprovada e não dá pra fazer mais nada.”

É, não dá mesmo. Ninguém aqui poderá fazer nada contra isso, não é? ERRADO. Temos duas coisas a fazer. A primeira é NÃO COMPACTUAR com o evento. Se você é contra esse apoio da prefeitura, basta não ir ao Anime Friends. E se você não quer que esse tipo de lei continue existindo, lembre-se que ano que vem temos eleições para prefeito e vereador, então se lembre do nome dos digníssimos e não repita um erro.

E eu queria passar a discussão para vocês. Eu estou muito inconformada com essa notícia, pois nós que vivemos nesse mundo sabemos que o foco do Anime Friends nunca foi a cultura. Vocês leitores acham JUSTO que uma empresa que promove um festival como o Anime Friends receba todos os auxílios do governo para a promoção de uma cultura que eles nunca se importaram em divulgar?

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Grande Debate – A Melhor Exibição para Nana

29 ago

Estamos de volta com a seção que não é o Harry Potter, mas que sempre levanta as visitas. Para quem não conhece, nessa seção do blog discutimos grandes notícias mundiais e suas afetações no mundo. Tá, é mentira, mas aqui é um lugar para discussão. IKIMASU para o tema de hoje!

Até o seu Rakuraku Dino-Kun tá sabendo que a MTV Brasil comprou os direitos de exibição do anime Nana, mas nem Mãe Dinah sabe dizer quando isso vai estrear. Eu até colaria a notícia que um certo site que fala sobre animes, mangás e babaquices que dizia que ia estrear em Junho com 100% de certeza porque eles tinham contatos, só não fiz isso porque não quero copiar conteúdo de ninguém. A questão é que não sei como seria a melhor exibição para Nana aqui no Burajiru, por isso decidi promover o debate.

Há duas maneiras de Nana passar na MTV: ser exibida ou não ser exibida dublado ou legendado. Até o pai do Light Yagami, que é sempre o último a saber das coisas, já tá sabendo que a MTV vai passar o anime legendado, assim como seus outros animes, mas será que essa é a melhor maneira?

Há muito tempo, a PlayTV passava animes nas noites da TV UHF. A gente tinha Ranma 1/2, Love Hina e outras tranqueiras. E a programação era toda dublada, e isso tinha seu público. Para competir, a MTV estreou alguns animes, como Desert Punk e Afro Samurai, mas todos legendados. Não dá pra dizer quem teve a melhor estratégia, pois as duas exibições foram tiradas do ar, mas dá pra debater qual foi a melhor opção.

Preparei um quadro no inovador e descontraído programa PowerPoint com as vantagens da dublagem e da legendagem:

Depois dessa pequena amostragem de opiniões, percebemos que dublagem está um pouco relacionada a “popularização” ou “orkutização” e legendagem está relacionada a “conservadorismo”. Isso porque eu tô excluindo o fator saudosismo, porque tem muita gente que jura de pés juntos que a dublagem de Dragon Ball Z é melhor que a japonesa, e o motivo é porque a primeira que viu foi a brasileira.

Até uma pessoa tapada como a Sawako sabe que o mercado de animes anda tão bom quanto o preço dos meio tankos da JBC. Não temos nenhum lançamento, os animes estão sendo tirados da TV Aberta e a grande esperança do ano, que era Dragon Ball Kai, foi cancelado depois de 20 dias e agora vai voltar nas madrugadas. Se isso é estar na melhor… Olhando assim, Nana parece uma grande tentativa de voltar com algo interessante na parte da TV aberta que precisa de palha de aço na antena para funcionar decentemente.

Nana pode ser uma boa chance de mostrar que dá pra ter animação para adolescentes e jovens adultos. Ainda mais: uma boa chance de ter uma série que é para adolescentes e jovens adultos e que não é apenas um banho desnecessário de sangue com violência gratuita. Nana tem uma boa história e a MTV é o local perfeito para essa exibição, mesmo tendo o Colírios Capricho na programação.

Mas será que a exibição legendada é a melhor coisa para esse “renascimento” do anime na TV do Burajiru? Será que o idioma japonês não vai afastar as pessoas? Mais ainda, será que a interpretação japonesa não vai afastar as pessoas? Ah, você não sabe como é a interpretação da Grande Nação Japonesa? É só conversar por 5 minutos com qualquer otaku na fila do Anime Friends. É falar com aquela voz esganiçada e forçar em todas as reações.

E as mesmas perguntas se aplicam para a dublagem, ou você acha que a dublagem brasileira é perfeita? Temos repetição das mesmas vozes constantemente, trocas de vozes no meio da série, dubladores que colocam imitações de Silvio Santos no meio do negócio, traduções porcas… Não tá fácil pra ninguém.

E nessa grande indecisão, é você que terá um papel importante pois, embora eu leia todos os comentários do blog, não vou participar da discussão. Então vamos lá:

Bem, como diz a Daniela Albuquerque, “É com você!”. Espero que todos os cinco leitores desse blog discutam nos comentários a seguinte pergunta:

“Vocês são #TeamDublagem ou #TeamLegenda? Ou nenhuma das duas? Afinal, como vocês gostariam que fosse a exibição de Nana no Burajiru?”

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Grande Debate – Eventos de Anime

5 jul

Estavam com saudades das discussões? Da porradaria nos comentários? Da divulgação de links com fotos de cosplayers famosas em cenas de pura depravação? Então o Grande Debate está de volta!!!

Essa semana começa a romaria anual de otakus para os confins da Zona Leste de São Paulo. O motivo? O começo do Anime Friends, evento organizado pela empresa Yamato desde 2003. Segundo dados de release, mais de 140 mil pessoas costumam dar uma passadinha por lá em sete dias de evento, divididos em dois fins de semana. Durante essa semana, a região movimenta nada menos que sete bilhões de reais em vendas de produtos e… tá, esse dado é mentira, mas o resto é tudo coisa que eles divulgam mesmo.

Você que é um otaku nas fraldas deve achar esse o grande sinônimo de eventos, mas saiba que você está mais enganado que o senso de moda da Ranger Amarela. Antigamente, antes do Anime Friends, quem mandava era o Animecon, evento que era organizado por Sérgio Peixoto e outros. Até que, em 2003, surgiu o Anime Friends que foi realizado no mesmo dia do Animecon, dividindo o público para tentar quebrar a concorrência.

Para ilustrar aos meus leitores como foi a competição naquele momento, eu vou sortear 100 otakus que me xingam e mandá-los de volta para 2003 para nunca mais voltarem para esse tempo de internet banda larga fazer um flyer demonstrativo do Animecon 2003 e Anime Friends 2003, baseada no que eu encontro em sites da época.

IKIMASU?

***

O que vocês notaram depois de verem esses dois flyers, que foram feitos baseados nos releases oficiais dos eventos encontrados aqui e aqui? Além de notarem que era uma tristeza aquelas atrações, vocês perceberam porque o Anime Friends da Yamato roubou todo o público do Animecon. O Animecon vinha há anos oferecendo essas deliciosas atrações, como Workshop de Bonsaizzzzzzzz e a Yamato apareceu com artistas japoneses. Sim! Japoneses vindos da Grande Nação Japonesa!

Depois daquele ano, o Anime Friends foi crescendo em público e em tamanho. A Yamato começou uma estratégia de trazer o maior número de público a cada edição, por isso faziam coisas que não eram pertinentes ao assunto da Grande Nação Japonesa, como Sala Chaves e Sala Harry Potter. É que nem esse ano que vai ter show do Fresno e do Angra, tipo, cadê a coerência?

E olhando o Anime Friends que teremos em alguns dias, percebemos que o evento não evoluiu em nada do primeiro. Ainda temos a premiação de dublagem, ainda temos otaku sem noção, ainda temos staffs voluntários, ainda temos campeonatos de games do momento, ainda temos o Akira Kushida, ainda temos lugares desconfortáveis para eventos (Ou você acha que um galpão abandonado que está para ser demolido há cinco anos é o local mais confortável para reunir milhares de pessoas? Tudo bem que são otakus, mas ainda sim são pessoas!) etc etc… Por isso, o Anime Friends tá tipo o Natal da sua família, com um monte de gente de gosto diferente se reunindo todo ano para fazer nada.

“Mas Mara, sua gorda cheia de estrias, e o que isso tem de debate? Você só tá falando mal da Yamato!”

Também! Mas eu quero propor uma discussão para os leitores do Mais de Oito Mil, pois sempre faço isso quando eu mesma não tenho uma posição sobre o assunto. Eu reclamo dos eventos da Yamato, falo que parecem amadores e que as atrações são mais repetidas que a programação musical da Globo no fim do ano, mas, afinal, o que eu espero de um evento? E o que vocês esperam de um evento?

E quanto, em reais, vocês acham que vale um evento atual? Porque o preço de hoje tá bem longe daqueles dez reais diários. E, se for ver, temos basicamente as mesmas atrações e um público ainda maior, então não seria o caso de diminuir um pouco o preço?

Da Yamato nós temos algo parecido com um encontro de amigos otakus. Os amigos otakus vão no Anime Friends para se reunir e para andarem durante um dia inteiro por galpões abarrotados usando suas toucas e suas bandanas. Cosplay não se vê mais andando pro aí, é só no palco. Atrações musicais são as mesmas todos os anos, assim como as outras atrações. A Yamato se estagnou ao mesmo passo de que os otakus pararam de pedir por coisas novas. E os eventos que seguem esse modelo acabam apresentando mais do mesmo, apenas.

E o que de novo poderia ser pedido nos eventos? Atrações japonesas que não sejam do Jam Project? Luta no gel com os responsáveis pela JBC, Panini e Newpop? Presença de um autor de mangá (que não seja o Kurumada, por favor)? Ter alguma atração para justificar o “Anime” no nome?

Por isso, as duas opções de discussão de hoje são essas:

Lembrando que não estou falando que somos contra ou a favor da empresa em si, e sim de seu estilo de fazer eventos ou não. Bem, agora o momento Capitão Planeta, em que o poder é de vocês. Espero que todos os sete leitores desse blog discutam nos comentários a seguinte pergunta:

“Vocês são #TeamYamato ou #TeamOutros? Ou nenhuma das duas? Afinal, o que vocês gostaria de ver em eventos de anime no Burajiru?”

RESULTADO do Grande Debate – Tradução de Mangás

6 jun

Surpreendendo o leitor Houndurr e a minha preguiça que me dizia para ficar na cama quentinha ao invés de digitando esse post imenso, estamos aqui de volta para terminar de uma vez por todas a discussão sobre tradução de mangás. Foram mais de 200 comentários aqui no blog, um recorde. Milhares e milhares de pessoas  leram o post e muitas deram suas opiniões, postaram flames e discutiram sobre a cultura da Grande Nação Japonesa. Minha idéia era deixar o post pra lá, mas como teve tanto comentário, é minha obrigação fazer uma síntese de tudo, falar quem ganhou a discussão, dizer MINHA opinião sobre as traduções de mangá etc.

Então IKIMASU começar a discussão! Durante o post teremos vários dos comentários relevantes que o tópico teve, mostrando a grande inteligência de meus leitores e como eles conseguem articular seus argumentos parciais de uma maneira gentil e civilizada.

Analisando o grosso dos comentários, deu pra ver que a grande maioria é #TeamPanini, por buscar um mangá fiel ao original da Grande Nação Japonesa. Muitos dos leitores gostam de conhecer a cultura mais rica e o mangá é a principal porta para tanto conhecimento.

Pronto, isso é o que os leitores disseram estatisticamente, mas lendo os comentários vemos coisas bem interessantes.

Todos, mesmo os #TeamPanini e os #TeamJBC concordaram em um ponto sobre a JBC: ela inventa demais. A JBC, buscando uma popularização do mangá no Burajiru, começa a colocar frases engraçadinhas e gírias. E todos concordam que o problema está nessas frases. Um mangá japonês não vem com referências a Pânico na TV ou ao Chaves.

E a maior briga nos comentários foi sobre os tão falados honoríficos. Aqueles –chan, -kun, -san foram defendidos por unhas e dentes por muitos, que alegam que aquilo é a representação hierárquica da complicada cultura mais rica e que isso não deveria ser traduzido. Outros acham que é uma baita preguiça não traduzir essas coisas, e que isso seria um otakismo desnecessário. E falam que, mesmo estando tudo explicado no glossário, o mangá deveria ser uma leitura fluida e descompromissada, e não uma grande aula sobre métodos de tratamento da Grande Nação Japonesa.

Depois de trazer esse resultado do debate, que foi a vitória esmagadora da Panini, eu venho colocar a minha opinião, que foi formada com base nos comentários sensatos e alimentada pelos flames da Aline Kachel.

Eu decidi começar esse debate pois eu mesma não sabia qual era a minha posição sobre tradução de mangás. Depois de entrevistar o Marcelo Del Greco, eu achei até certo uma adaptação para facilitar o mangá para o público do Burajiru, mas não fui tão a favor das gracinhas que foram incluídas, como as pobres zebrinhas. E compro coisas da Panini, e o excesso de otakices me incomoda um pouco. Em Tokyo Mew Mew precisa mesmo de “nya” quando os gatos brasileiros falam “miau”? Então, a discussão fica entre os liberais da JBC e os conservadores da Panini.

E a minha solução para o caso é bem simples:

Eu sou #TeamConrad.

“Mas Mara, sua gorda trapaceira, essa opção nem tava na conta!”

E daí? Na vida e no Exame Hunter aprendemos que o melhor caminho nem sempre são os pré-definidos, e que precisamos ser criativos. E essa semana coincidiu com meu namorado me emprestando o Slam Dunk (que fiquei com vontade de ler depois de ler a matéria no Chuva de Nanquim).

Slam Dunk mostra uma escola japonesa, certo? Mas, lendo o mangá, eu não achei nenhum –chan, -kun ou qualquer outra otakice do gênero. Os personagens, quando têm um grau de proximidade digno de um –chan ou –kun, se chamam apenas pelo primeiro nome. E quando não são íntimos, se chamam pelo sobrenome. Não precisei de um grande sistema hierárquico pra entender isso. O Hanamichi Sakuragi é meio revoltado, então ele fala um português mais solto que os outros personagens, sem a necessidade de incluir frases do Chaves. E os apelidos são coerentes ao português.

“Ah Mara, sua gorda basqueteira, mas é porque é um shonen de porrada e esporte! Quero ver colocar essas coisas num mangá que mostra toda a poesia da cultura mais rica, como num shoujo.”

Um shoujo tipo Paradise Kiss, que também não tem –chan, -kun, -san…?

E citaram como exemplo um mangá da Panini chamado Sunadokei que os personagens falam sotaque caipira, e pra mostrar isso eles terminam as frases falando –ken. Não li o mangá, mas achei uma coisa meio idiota. Ou a Panini poderia ter escolhido uma outra palavra, ou então simplesmente omitir isso, não?

“Ah Mara, sua galinha caipira gorda, mas a autora queria que eles fossem caipiras e isso tem que estar no mangá.”

E no mangá japonês o Goku também não tinha um sotaque caipira? Não passaram isso nem pra nossa dublagem e nem pra nossa tradução do mangá, e tá tudo Entei até hoje sem ninguém reclamar.

Temos um purismo com os mangás da Grande Nação Japonesa que não temos com materiais de outras culturas. É como se valorizássemos de mais a cultura mais rica e desvalorizássemos a nossa própria cultura. Em gibis da Disney ou de Super-Heróis não vemos esse purismo que tem nos mangás. E ninguém considera que são fontes para se aprender cultura, como falam do mangá.

A função do mangá é divertir e contar uma boa história, e não complicar a vida do leitor com informações que, às vezes, nem são tão necessárias assim para se entender o que tá rolando. E como bem lembraram nos comentários, essa é a opinião dos otakus… e a opinião de quem lê mangá apenas porque se diverte pois viu o anime na TV? Não deve ser respeitada só porque não é conhecedor da Grande Nação Japonesa?

Isso tudo foi o que deu pra tirar do Grande Debate Mais de Oito Mil sobre tradução de mangás. O que valeu a pena nisso foi que eu consegui muitas visitas finalmente pudemos discutir sobre esse tema polêmico e, quem sabe, mostrar para as editoras o que realmente queremos. Porque eu sei que tem gente de editora que dá uma passadinha nesse blog…

Agradeço de novo a participação de vocês e nos vemos num futuro próximo num novo debate ou nos posts normais deste blog.

“Porrãm Mara, sua groda ambiciosa, você quer mais visitas para o seu blog, por isso vai fazer novos debates, né?”

Eu só tenho uma coisa a dizer disso:

FAZ TUDO PARTE DO MEU KEIKAKU!!!

***

Se você quer ler o post original do debate com todos os comentários, clique aqui.

Se quer ler o post do Quiabo Gyabbo comentando isso, clique aqui.

Se quer ler a entrevista com Marcelo Del Greco, clique aqui.

Se você ficou interessada em rir dos otakus que verão o show do FRESNO no Anime Friends, clique aqui.

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Grande Debate – Tradução de Mangás

30 mai

Oi minna! Estão prontos para mais uma seção do blog que eu invento e não levo pra frente que nem a Experiência Mais de Oito Mil? Bem, o Grande Debate funciona da seguinte maneira: eu vou expor um tema polêmico do mundo da cultura mais rica, aí coloco o reloginho na tela e vocês comentam como se não houvesse amanhã nos comentários sobre a questão. Aí eu invento depois alguma maneira de mostrar como foi esse debate em outro post.

Depois de explicado, é hora de soltar a vinheta!

Tô tão orgulhosa dessa vinheta… bem, vamos pro tema de hoje, que é TRADUÇÃO.

Um dos posts mais visitados do Mais de Oito Mil foi o da minha briga com o Guilherme Briggs por causa da história da tradução de Fairy Tail. Se você não lembra, vou refrescar a sua memória.

A Editora JBC lançou o mangá Fairy Tail e convidou o talentosíssimo dublador Guilherme Briggs para traduzir essa grande obra do cânone da Grande Nação Japonesa do inglês. Muitos reclamaram da tradução ter sido feita do inglês ao invés do japonês, mas para isso eu tô cagando. O meu problema foi que o dublador, naquele jeito irreverente e divertido que cativa as multidões, inseriu nos diálogos algumas piadas próprias que não estavam no original, além de colocar gírias bem regionais no mangá. E quando os fãs foram reclamar, ele foi bem pragmático: “As pessoas deveriam se abrir para aprenderem novas gírias. Nada como um recurso discursivo que você joga o seu problema na pessoa que te acusa, né minna?

O problema do talentosíssimo dublador, que acha que fazer a voz do Sílvio Santos em todos os personagens é igual a fazer comédia, é que ele está mexendo na obra original do autor. Não que o Hiro Mashima tenha feito uma grande obra e que mereça ser respeitada, mas ele é o autor e não colocou os personagens falando gírias ou referências.

Quando entrevistei o Marcelo Del Greco, além de assumir a culpa pela pintura das zebras, ele falou bastante sobre adaptação de quadrinhos da Grande Nação Japonesa. Ele disse que os fãs reclamaram de Fairy Tail porque não teve anime antes, porque Ranma ½ teve um anime cheio dessas irreverências e ninguém reclamou que elas estavam no mangá. Em um ponto ele está certo, pois nunca vi uma pessoa reclamando das gírias e piadinhas do mangá de Yu Yu Hakusho (talvez porque só um ou outro tenha reclamado). E olha que se você torcesse o mangá como um pano de limpeza sairiam escorrendo citações às pegadinhas do João Kleber e bordões do Zorra Total.

A Editora JBC acabou conseguindo uma “marca” de tradução, que segue uma linha um pouco mais solta. Os honoríficos (aquelas coisas de –san, -kun, -chan) quase não são usados, até porque o Burajiru não costuma usar isso em sua fala normal, e os personagens falam com uma coloquialidade que seria a menina dos olhos de ouro dos livros do MEC (alguns “você” viraram “cê”).

No outro extremo, encontramos a editora Panini. A editora que entope mensalmente nossas bancas com mangás tem uns costumes um pouco diferentes de traduções, como, por exemplo, o uso de todos os honoríficos (aqueles negócios que expliquei no parágrafo anterior. Se você se esqueceu o que é isso, bata sua cabeça oito vezes na parede enquanto grita “Eu preciso de um cérebro maior”) e de um nível de adaptação quase ZERO no mangá, ou seja, eles colocam todas as referências japonesas e depois colocam uma notinha no final do mangá explicando aquilo.

Para exemplificar o estilo de tradução e adaptação das duas editoras, pegarei um mangá que não foi lançado no Burajiru (Omamori Himari, que não faço a menor idéia do que se trata) e mostrar uma mesma página duas vezes, uma com a tradução da JBC e outra com da Panini.

***

Cada um dos estilos tem seus pontos positivos. O estilo JBC tenta fazer os mangás falarem português, eliminando coisas que são desnecessárias para a nossa leitura e adaptando as coisas para deixar engraçado para quem tem uma cultura bem menos rica. Já o estilo da Panini segue fielmente o estilo japonês e é uma excelente maneira de se conhecer a cultura da Grande Nação Japonesa.

E sobre os contras? Os personagens na JBC fazem mais citações a Chaves e ao Pânico na TV que eu faço da Luisa Marilac, e isso pode parecer estranho pois sabemos que os personagens do mangá não assistem esses programas lá (mas a Marilac é conhecida no mundo inteiro, principalmente na EuroPÁ). E a Panini é tão fiel, mas tão fiel que acaba restringindo um pouco o mangá a um público bem fechado, que não estranha as referências e honoríficos. Lembro uma vez de emprestar o mangá pra uma amiga não-iniciada e ela me perguntar se –kun era o sobrenome dos personagens. Eu me pergunto, isso é realmente necessário? Não se pode só colocar o nome e/ou sobrenome?

Bem, agora o momento Capitão Planeta, em que o poder é de vocês. Espero que todos os quatro leitores desse blog discutam nos comentários a seguinte pergunta:

“Vocês são #TeamJBC ou #TeamPanini? Ou nenhuma das duas? Afinal, como vocês gostariam que fossem as traduções de mangás no Burajiru?”

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