Depois de décadas de espera, finalmente saiu o projeto do Maurício de Sousa em parceria com Osamu Tezuka. Falecido na década de 80, o sonho do Deus do Mangá era que seus personagens interagissem com a Turma da Mônica Jovem em um mangá que defendesse a Amazônia. Se notaram alguma incoerência, foi na imaginação de vocês. O que importa é que saiu a edição, que conta com a participação de uma Princesa Safiri com personalidade deturpada, um Astro Boy vítima de um projeto mal desenvolvido e muitos outros, tudo com o roteiro da nossa A-MA-DA Petra Leão. IKIMASU ver essa análise desse mangá que consegue ser pior que querer mil reais na roleta do Bom Dia & Cia e ganhar um patinete.

A aventura começa com uma longa narração explicando a floresta amazônica, e o texto com certeza foi retirado integralmente do material que o Maurício de Sousa conseguiu do arquivo do Telecurso 2000 e que foi exibido em loop para a produção do mangá.

Temos então a Turma da Mônica, que foi patrocinada por um museu do bairro do Limoeiro a ir até a Amazônia para conhecer a madeireira do Senhor Amoroso. Não preciso nem falar que quando a Turma da Mônica Jovem foi para o espaço na edição seis havia mais coerência no roteiro que essa viagem para uma região remota do país financiada por um museu.

Agora, com o Senhor Amoroso, nos sentimos vendo um trecho do Globo Ecologia. Sério, alguém avisa para a pessoa que autorizou esse projeto que a pior maneira de se passar lição é dessa maneira expositivamente CHATA… esse Amoroso é tão ecochato que uma ecobag teria nojo de ser carregada por ele.

No meio do discurso, aparece a primeira personagem do universo de Tezuka, “O” “Príncipe” Safiri, que veio de carruagem da Europa até o meio da Selva Amazônica.
Depois da aparição, continuou o city tour pela EcoChatolândia e o Amoroso explicando que é tudo sustentável, que corta apenas de três a sete árvores a cada dez mil metros quadrados e como emprega mão de obra local para auxiliar a qualidade de vida de quem mora lá. GUARDEM ESSA INFORMAÇÃO!!!

Aparecem outros cientistas (“outros” porque o primeiro é o Franjinha. RISOS INCIDENTAIS) que vieram conhecer essa madeireira ecologicamente correta. Entre os cientistas, apareceu o Louco, que toda hora fica repetindo que não é louco como recurso cômico para essa história trágica.

E o Oscar de Melhor Coerência vai para…. DOUTOR TENMA!

Depois da aparição do Astro, eles continuam a visitar a madeireira. Minna, isso aqui tá tão chato que parece aqueles gibis educacionais distribuídos gratuitamente em pedágio explicando como dirigir com segurança e cuidar da nossa amiga natureza.
Mas aí a ação começa…. e estou falando de ação de verdade, e não da ausente Ação Magazine. Uma pilha de toras despenca de um guindaste quebrado e Astro Boy e Mônica salvam o dia.
E também esse quadrinho mostra uma Magali envelhecida uns 10 anos por um desenhista rancoroso com sua juventude eterna nos quadrinhos. O character design dos personagens desse mangá é mais inconstante que os posts do site do Mineirinhooo.

Porque ir do material real e didático para o irreal e incoerente é tipo colocar o leitor num processo de pasteurização. E se você não sabe o que é pasteurização, fecha esse blog e vai estudar pro ENEM!
Aliás, fiquei com uma dúvida. A Turma da Mônica Jovem não mostrava eles mais velhos? A primeira edição até mostrava que a Mônica não ficava usando a força, que o Cascão tomava banho etc…? Por que esses defeitos voltaram? Hoje, no Globo Repórter.

Astro Boy vai ajudar no plantio das novas mudas e mostra como essa vida sustentável com o bom uso da tecnologia vai foder com o emprego de toda a comunidade da floresta. Cadê a greve?
O Doutor Tenma oferece construir Astros para Amoroso, aquele ser humano tão preocupado com a floresta e com o emprego de mão de obra local para melhora da comunidade.

Foi picado pelo capitalismo! Já tá até inventando desculpas e ligando com seu iPhone para o RH da madeireira.

A caracterização da personalidade da Safiri está tão coerente com a personagem quanto a do Mestre Kame no Dragon Ball Evolution. E não estou falando apenas para falar mal, eu li A Princesa e o Cavaleiro (com muito esforço) e sei como ela deveria agir.
Então, depois de uma desnecessária luta contra a Mônica, Safiri usa a técnica do Killua de arrancar corações e prende uma cobra em sua capa.

No meio da floresta, o Amoroso surpreende a todos dizendo que os animais andam estranho, e estão atacando os seres humanos sem motivo. Para exemplificar, aparece o desenho de uma onça atacando um cara.
É, QUEM iria imaginar que um animal como uma ONÇA atacaria um ser humano em condições naturais? Se os animais não estivessem estranhos, a onça chamaria o madeireiro para uma partida de canastra ao invés de atacá-lo em busca de carne.
Quem aprovou essa página com certeza foi reprovado na aula de CADEIA ALIMENTAR.

Como estava tendo história e aventura demais, o mangá começa a mostrar Amoroso explicando para Astro como a comunidade de lá é pobre e não tem recursos para viver dignamente.
Agora resgatem a informação que mandei vocês guardarem lá atrás e me respondam: se elas não vivem dignamente, é porque não recebem dinheiro o suficiente. E QUEM É QUE PAGA O SALÁRIO DELAS???
E começa um puta discurso sobre desigualdade social zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Os personagens são encurralados por animais furiosos, entre eles UMA TARTARUGA!

E no fim da edição temos o freetalk do Maurício, simulando um constrangedor diálogo com Osamu Tezuka. O que eu tenho para falar da edição inteira e do freetalk? VERGONHA PURA.
Eu achei isso uma afronta oportunista ao Osamu Tezuka. Não sou de ficar endeusando ninguém, mas o Tezuka NUNCA aprovaria uma história tão rasa e mediana como essa. Com certeza toda a parte chata foi inserida ali pela Tezuka Productions, formada por empresários que NÃO SÃO roteiristas e não teriam a competência de criar uma história inédita seguindo o estilo do Tezuka, e pelo próprio Maurício de Sousa, que sabemos que não escreve e não desenha, só aprova ou desaprova.
A pior parte, na minha opinião, foi quando, nesse diálogo simulado, o espírito do Tezuka diz que se sentiu feliz por ver seus personagens vivos lutando pela Amazônia… “COMO HAVIAM PLANEJADO NO ÚLTIMO ENCONTRO!”. Observem como o discurso foi mudado com o passar dos anos, porque antigamente o Maurício sempre disse que o Tezuka queria escrever uma história sobre a paz… e com o tempo o Maurício evocou a idéia da Amazônia e a Tezuka Productions, QUE NÃO É O TEZUKA, aprovou.
E, no fim, Maurício pergunta se o Tezuka não toparia algum outro projeto. Espero que alguém que leia esse lixo de história perceba que isso é uma mancha no nome de qualquer artista, e cancele qualquer projeto.
Minha opinião sincera é a seguinte: a história está um muito ruim. E não é por causa da Petra Leão, que fique bem claro, pois eu acho que ela ficou engessada no meio de tanto empresário querendo passar uma mensagem educativa e florestal.
E empresários, como deveriam ser, não deveriam dar tanta opinião em algo que deveria ser arte. Mesmo que seja entretenimento para massas.